Ricardo “Antrax” Carvalho dispensa apresentações, e em 2017 deu nas vistas no nacional de TT, ao bater-se de peito cheio contra a armada da concorrência, que pilotavam carros bastante mais potentes. Ainda assim, o estilo de condução do piloto da Yamaha, aliado a algumas afinações no seu SSV, chegaram para surpreender. No entanto, ficou visto que neste caso, só o “kit de unhas” não chegou para assegurar o título, pelo que este ano, irá poder jogar com as mesmas armas que muitos dos seus rivais. Aproveitámos a apresentação do novo kit turbo para o YXZ1000R (teste completo na MOTOJORNAL nº1423), para ficarmos a saber as expectativas do piloto para 2018!

Texto: Domingos Janeiro_Fotos: Motojornal

Motojornal (MJ): Ricardo, faz-nos um balanço da época de 2017

Ricardo Carvalho (RC): Em 2017 notámos uma grande evolução por parte dos nossos principais adversários, no que diz respeito aos SSV’s. Nós começámos um trabalho o ano passado, com a chegada deste YXZ1000R. Foi um ano de desenvolvimento do carro e continuamos a desenvolver novas soluções, mas já chegámos a um patamar em que temos o nosso carro muito bom, em termos de chassi. Está ao meu gosto pessoal e de acordo com o meu estilo de condução, está muito rápido a curvar, transmite-me bastante segurança e isso, para mim, é fundamental. É uma mais-valia poder andar de forma rápida e segura e estar consciente do que podemos fazer e quais os seus limites. Em termos de potência, temos um pouco menos do que a concorrência, que se notou bem o ano passado, o que levou a que eu tivesse que arriscar mais de corrida para corrida, para conseguir atingir os nossos objectivos. Houve uma altura do campeonato em que estávamos a discutir a liderança, mas um problema com os travões, provocado por mim, fez com que deixássemos de ter possibilidades de lutar pela vitória, no campeonato à geral. Nunca baixámos os braços e conseguimos terminar o campeonato em terceiro, vencemos a taça Yamaha e a classe. Fechámos o ano com uma importante vitória em Fronteira. Com a chegada do turbo, acho que me vai ajudar bastante, pois já vou conseguir gerir as corridas de outra forma, sem ter que andar sempre a arriscar em demasia e sempre no ataque. Este aumento de potência, vai fazer toda a diferença!

MJ: Já testaste o kit, o que achaste?

RC: É excelente! O carro sem turbo funciona com picos de rotação altíssimos, nas 9000, 10000 rpm, que é onde ele funciona a 100% para não ter quebras. Este carro com turbo, como enche muito mais cedo o turbo, começa a funcionar muito melhor e mais cedo, por volta das 6000, 7000 rpm, fazendo com que não seja preciso esforçar tanto o motor, o que vai permitir poupar muito material.

MJ: E em termos dinâmicos, vai-te obrigar a mudar alguma coisa no teu carro?

RC: É tudo igual, não obriga a alterações. Só tive problemas com a travagem mas isso está ultrapassado. Como tenho o carro, é aplicar o turbo e está pronto.

MJ: Quais as tuas perspetivas para 2018?

RC: São as melhores possíveis! Agora com o turbo, temos mais cavalos, dá para trabalhar e preparar as corridas de outra forma, poupar material e até na condução, pois não vai ser necessário andar sempre no limite a estragar material.

MJ: O teu grande foco é seres campeão nacional em 2018…

RC: Sempre foi o grande objectivo e continua a ser. Em primeiro lugar, adoro a competição, é o meu escape do dia-a-dia, mas depois, os objectivos passam sempre por lutar pela vitória em todas as corridas e em todos os campeonatos.

MJ: E a nível internacional?

RC: Gostava muito de voltar a Pont de Vaux, mas agora em SSV. Acho que sou capaz de ter boas hipóteses de lutar pelos lugares da frente, pelo que vi lá este ano que passou. Gostava de ir, mas para 2018, não temos nada definido. Não é uma hipótese que esteja longe de acontecer, mas para já ainda é cedo para se falar nisso. É sem dúvida uma corrida na qual eu gostava de participar, porque sempre estive muito habituado à pista, é uma gestão de corrida totalmente diferente em relação ao todo-o-terreno e acho que com as capacidades que eu tenho, era capaz de fazer lá um bom resultado.

MJ: Vais fazer o campeonato nacional sozinho, ou vais ter navegador?

RC: Em principio ainda devo ir sozinho. Para ter um navegador, tem que ser mesmo muito bom, pois só assim se retira partido de ter mais uma pessoa no carro. De outra forma, não vale a pena estar a colocar mais peso no carro só para ir com companhia. Estou habituado a fazer a leitura do terreno sozinho, mas obviamente que um bom navegador ajuda sempre a sermos mais rápidos e conseguimos abordar as curvas de uma forma completamente diferente do que se for a “apalpar” terreno.

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