Durante anos, os airbags para motociclistas estiveram essencialmente associados à velocidade e, mais tarde, à estrada. Agora a tecnologia prepara-se para entrar definitivamente no Motocross.
O Motocross Permanent Bureau, composto pelo presidente da FIM, Jorge Viegas, e pelo presidente e CEO da Infront Moto Racing, David Luongo, decidiu alterar os regulamentos de equipamento de proteção utilizados nos principais campeonatos mundiais.
A mudança acontecerá em duas fases:
2027: airbag altamente recomendado.

2028: airbag obrigatório.
MXGP, MX2, Mundial Feminino e Motocross das Nações
A medida não ficará limitada à classe principal. Aplicar-se-á ao Mundial MXGP, MX2, Campeonato do Mundo Feminino e Motocross das Nações.
Isso significa que a tecnologia passará rapidamente de equipamento utilizado por alguns pilotos para parte integrante do vestuário obrigatório das principais competições internacionais.
Não poderá ser qualquer airbag
A FIM também definiu requisitos específicos. O sistema terá de ser um FIM Homologated Airbag Off-road segundo a futura norma FRHPab-01 ou um dos sistemas declarados conformes com a FIM Category 3 para Motocross.
A norma FRHPab-01 deverá ser publicada até ao final de 2026. O equipamento terá de estar corretamente colocado e apertado durante toda a atividade em pista e permanecer funcional, pelo menos, no início de cada sessão.

Fazer um airbag funcionar no Motocross é muito mais difícil
A decisão parece simples. Tecnicamente, não é. Um sistema utilizado em circuito consegue analisar movimentos relativamente previsíveis: travagens fortes, inclinação, aceleração e determinados padrões associados a uma queda.
No Motocross, saltos, chicotadas da traseira, impactos violentos, derrapagens, movimentos corporais extremos e quedas a baixa velocidade fazem parte da utilização normal. O sistema precisa, portanto, de distinguir um acidente de movimentos que, num motociclista de estrada, poderiam parecer precisamente o início de um acidente.
Um falso disparo durante uma manga pode comprometer imediatamente a corrida. Não disparar quando necessário pode comprometer algo muito mais importante.
Competição como laboratório
É aqui que a obrigatoriedade poderá ter consequências muito além do MXGP. Quando todos os pilotos precisam de utilizar determinada tecnologia, fabricantes de equipamento recebem simultaneamente incentivo e uma enorme base de dados para acelerar desenvolvimento.
Mais utilização significa mais informação. Mais informação permite melhorar algoritmos, sensores, ergonomia e proteção. Foi precisamente assim que várias tecnologias de segurança evoluíram na velocidade antes de chegarem ao equipamento de estrada.
Do MXGP para o Enduro?
Se os sistemas demonstrarem eficácia no ambiente extremamente agressivo do Motocross, a evolução para outras disciplinas parece lógica. Enduro, Hard Enduro, Rally Raid. E eventualmente utilização recreativa em todo-o-terreno.
Há milhões de motociclistas que nunca entrarão numa grelha de MXGP mas poderão beneficiar da tecnologia desenvolvida para aqueles que entram.
O equipamento de proteção está a tornar-se inteligente
Durante décadas, a proteção de um motociclista foi essencialmente passiva: capacete, botas, luvas, proteções rígidas, materiais resistentes à abrasão, mas o airbag introduz outra lógica.
O equipamento passa a interpretar aquilo que está a acontecer e reagir antes do impacto. Essa mudança já aconteceu na estrada. A decisão da FIM significa que começa agora a ser institucionalizada também no Motocross.

2028 parece distante. Para a indústria não é
Para os fabricantes de equipamento, existe pouco tempo. Até ao final de 2026 será publicada a norma de homologação. Em 2027 começa o período de utilização fortemente recomendada.
E em 2028 qualquer piloto que pretenda alinhar no MXGP, MX2, Mundial Feminino ou Motocross das Nações terá obrigatoriamente de utilizar um sistema aprovado. É uma alteração regulamentar importante. Mas poderá tornar-se algo maior.
Porque dentro de alguns anos talvez olhemos para um piloto de Motocross sem airbag da mesma forma que hoje olhamos para imagens antigas de pilotos com equipamentos de proteção que nos parecem completamente insuficientes.
A competição sempre procurou tornar as motos mais rápidas. Desta vez, está a tentar tornar as consequências de andar depressa um pouco menos graves.
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