Durante décadas, as motos dominaram claramente o mercado mundial das duas rodas. Mas os dados mais recentes começam a revelar uma mudança de comportamento dos consumidores que poderá ter consequências importantes para toda a indústria.
Segundo uma análise recente do mercado asiático, as vendas de scooters estão a crescer a um ritmo superior ao das motos convencionais, impulsionadas por fatores como a eletrificação, menores custos de utilização, incentivos fiscais e a crescente procura por soluções de mobilidade urbana.
Embora a tendência tenha sido identificada no maior mercado mundial de duas rodas, as razões que a explicam começam igualmente a fazer-se sentir em muitos outros países, incluindo vários mercados europeus.
A cidade está a mudar o tipo de veículo
A principal razão prende-se com a forma como utilizamos os veículos.

As deslocações diárias são cada vez mais curtas, urbanas e marcadas pelos congestionamentos. Nestas condições, uma scooter oferece vantagens evidentes: transmissão automática, posição de condução confortável, espaço de arrumação e custos reduzidos de manutenção.
Além disso, a facilidade de utilização continua a atrair novos públicos, incluindo muitos automobilistas que procuram uma alternativa prática ao trânsito diário.
A eletrificação acelera a mudança
Existe outro fator decisivo: a mobilidade elétrica. Ao contrário das motos tradicionais, as scooters adaptam-se particularmente bem aos sistemas de propulsão elétrica. A arquitetura facilita a instalação da bateria no piso inferior, mantém um centro de gravidade reduzido e permite conservar espaço de carga.
Não é por acaso que grande parte das marcas que apostam nas duas rodas elétricas começou precisamente pelas scooters.
Hoje encontramos fabricantes como Honda, Yamaha, BMW, Silence, NIU, Yadea, Segway ou Vmoto a investir fortemente neste segmento.

Mais mulheres, mais jovens e novos utilizadores
Outro dado interessante prende-se com a evolução do perfil dos utilizadores. As scooters estão a conquistar um público muito mais diversificado do que aquele que tradicionalmente procurava uma moto convencional.
A facilidade de condução, a ergonomia e os custos reduzidos tornam-nas particularmente apelativas para jovens utilizadores, mulheres e pessoas que utilizam diariamente o veículo para trabalhar ou estudar.
Este alargamento da base de clientes representa uma oportunidade importante para os fabricantes.
E na Europa?
Embora a realidade europeia seja diferente da asiática, muitos dos fatores são semelhantes.
O crescimento das zonas de baixas emissões, a dificuldade crescente em estacionar automóveis nas grandes cidades, o aumento dos custos dos combustíveis e a expansão da oferta elétrica favorecem claramente as scooters.

Também em Portugal se verifica uma presença cada vez maior deste tipo de veículos, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
A visão da Motojornal
As motos tradicionais dificilmente perderão o seu espaço enquanto veículos de lazer, turismo, aventura ou utilização desportiva.
No entanto, quando falamos de mobilidade urbana, tudo indica que as scooters continuarão a ganhar importância.
Mais do que uma simples alteração nas vendas, esta tendência poderá influenciar profundamente o desenvolvimento de novos modelos, a eletrificação das gamas e até a estratégia comercial dos principais fabricantes mundiais.
Seguramente que as scooters vão continuar a crescer em vendas, a questão é até que ponto poderão alterar o equilíbrio do mercado mundial das duas rodas e o desenvolvimento de novos produtos e soluções de mobilidade.

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