Se calhar, poucas são as pessoas atentas ao mundo das duas rodas que ainda se recordam do que aconteceu ao grupo KTM AG no final do ano 2024. O grupo austríaco, que compreende as marcas KTM, Husqvarna e GasGas, entrou num tumultuoso processo de falência que levou a despedimentos, à suspensão de fabrico de motos e uma enorme reestruturação que levou à entrada dos indianos da Bajaj Auto no comando dos destinos do grupo.
A Bajaj Auto foi a ‘tábua de salvação’ que garantiu que o processo nos Tribunais viria a terminar da melhor forma para as três marcas.
Desde então muita coisa aconteceu. O fabrico de motos regressou a Mattighofen, Gottfried Neumeister assumiu o cargo de CEO da KTM AG sucedendo ao incontornável Stefan Pierer, a venda de motos nos concessionários voltou ao normal, sendo que as operações diárias e cadeias de fornecimento de componentes foram otimizadas.
Tudo isto combinado com a apresentação de inúmeros novos modelos para os segmentos onde a KTM, Husqvarna e GasGas são mais fortes. Tudo isto acaba por ter o seu impacto, neste caso positivo, com a Bajaj Mobility AG a revelar dados surpreendentes relacionados com as vendas de motos das três marcas nos primeiros 6 meses de 2026.

KTM + Husqvarna + GasGas: 147.572 motos vendidas em todo o Mundo em 6 meses
O trabalho de casa feito em cooperação com os indianos da Bajaj Auto, que aportaram um enorme ‘pulmão financeiro’, acaba por dar bons resultados. E os números são indesmentíveis!
De acordo com o mais recente relatório revelado pela Bajaj Mobility AG, nos primeiros 6 meses de 2026 a soma das motos vendidas pelas três marcas – KTM, Husqvarna e GasGas – atinge as 147.572 motos vendidas em todo o Mundo. Um crescimento de vendas de impressionantes 81% em comparação com o mesmo período do ano 2025.
É interessante perceber que venderam 89.004 motos em todos os mercados, sem contar com o gigantesco mercado indiano. Nesse país, as vendas acontecem sob a supervisão da Bajaj Auto, tendo sido vendidas 58.568 motos.
Somando estes dois valores, chegamos então às 147.572 motos vendidas na primeira metade deste ano.

Cerca de 700 milhões de euros de receitas: venda de motos volta a gerar lucros
Se os números de vendas de motos impressionam, o mesmo podemos dizer dos euros que entraram nos cofres da KTM, Husqvarna e GasGas. Aqui que se denomina de receitas.
A este nível, sabemos agora, de forma oficial, que nestes primeiros 6 meses de 2026 entraram nos cofres cerca de 700 milhões de euros! Nos primeiros três meses as receitas foram 330 milhões, sendo que o segundo trimestre do ano foi melhor ainda com 370 milhões.
Este resultado financeiro impressionante, até pela forma como conseguiram dar a volta a uma situação extremamente complicada, deve-se à otimização das operações diárias das três marcas do grupo austríaco.
Recuando um ano, para o segundo trimestre de 2025, a margem operacional estava nos -55,6%. Isto significava que por cada moto vendida, perdiam mais de 55% do valor que custava fabricar e colocar a moto à venda. Basicamente, podemos dizer que KTM, Husqvarna e GasGas estavam a pagar para vender as suas motos.
Em 2026, os resultados operacionais do segundo trimestre são o oposto. O relatório da Bajaj Mobility AG revela que a margem operacional se fixou nos 8,7%. O que significa que cada moto vendida a um cliente, está a gerar lucro para as marcas.
A rentabilidade positiva de hoje deve-se à reestruturação que ficou definida na decisão do Tribunal que decidiu sobre a falência da KTM AG, bem como às negociações com os credores. Falamos de otimização dos processos de fabrico, redefinição da relação entre as marcas e os seus importadores / concessionários para evitar o acumular de motos paradas em stock, otimização da cadeia de fornecimento de componentes através de fornecedores externos para não gerar um excesso de componentes em stock, entre outras medidas de menor dimensão, ou menor impacto nas operações de dia a dia de cada marca.
Tendo isto em conta, podemos dizer que o pior já terá passado.
Atualmente, a KTM, a Husqvarna e a GasGas já respiram de alívio e com os lucros a regressarem, o futuro volta a ser risonho para estas três marcas europeias que hoje em dia são apoiadas pelos indianos da Bajaj Auto.
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