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BMW cria sistema que impede abrir a porta quando uma moto se aproxima. O fim dos acidentes de “dooring”?

A BMW estreia um sistema que atrasa a abertura das portas se detetar uma moto ou bicicleta em aproximação, evitando perigosos acidentes de “dooring”.

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Chama-se frequentemente “dooring” e é um daqueles acidentes urbanos cuja aparente simplicidade pode esconder consequências muito graves. Um automóvel está estacionado. O condutor ou passageiro decide sair, olha para a frente, puxa a maçaneta e abre a porta.

Só que, naquele preciso instante, aproxima-se uma moto. Para quem conduz o automóvel pode tratar-se apenas de uma distração de uma fração de segundo. Para o motociclista, pode significar encontrar subitamente uma verdadeira barreira colocada transversalmente à sua trajetória. A BMW acredita que a tecnologia pode impedir que isso aconteça.

Não se limita a avisar: a porta demora mais tempo a abrir

Sistemas capazes de alertar os ocupantes para veículos que se aproximam pela lateral ou traseira não são propriamente novidade. A própria BMW já disponibilizava o Exit Warning em vários modelos, utilizando avisos visuais e sonoros para chamar a atenção para um potencial perigo.

A grande diferença introduzida com a nova geração Neue Klasse é aquilo que acontece a seguir. Em vez de depender exclusivamente da reação da pessoa que está dentro do automóvel, o sistema pode intervir sobre a própria fechadura eletrónica e atrasar temporariamente a abertura da porta.

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BMW sistema anti-dooring

Radares laterais monitorizam a área em redor do automóvel estacionado. Se identificarem um utilizador da estrada em aproximação e calcularem que existe risco de colisão com uma porta prestes a ser aberta, o mecanismo eletrónico intervém. A abertura é atrasada até que o perigo tenha passado. Uma pequena intervenção que, vista do guiador de uma moto, pode fazer uma enorme diferença.

O sistema também consegue detetar motociclos

A marca coloca especial ênfase nos ciclistas, precisamente por serem um dos grupos mais vulneráveis a este género de acidente. No entanto, explica que os radares laterais conseguem identificar veículos, bicicletas e outros utilizadores da estrada em aproximação. A informação divulgada sobre o funcionamento do sistema inclui, portanto, situações relevantes para motociclos.

E é precisamente aí que esta tecnologia ganha particular interesse para a Motojornal. Uma moto pode aproximar-se de um automóvel estacionado a uma velocidade significativamente superior à de uma bicicleta. A distância que parecia suficiente quando o ocupante decidiu abrir a porta pode desaparecer numa fração de segundo.

O resultado pode ser um embate direto contra a porta ou uma manobra de emergência que projete o motociclista para outra faixa de circulação.

“Dooring”: um perigo muito real nas cidades

Não estamos perante um problema meramente teórico. A BMW cita dados da Associação Alemã de Seguradoras (GDV) segundo os quais 8% dos acidentes envolvendo bicicletas registados em Berlim em 2024 estiveram relacionados com situações de “dooring”.

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O dado refere-se especificamente às bicicletas e a Berlim, pelo que não deve ser extrapolado diretamente para motociclistas ou para outras cidades. Mas ajuda a perceber a dimensão potencial do problema.

Em ambientes urbanos, onde bicicletas, scooters e motos circulam frequentemente junto a filas de automóveis estacionados, uma porta aberta sem verificar o trânsito pode transformar-se instantaneamente num obstáculo impossível de evitar.

E se for realmente necessário abrir a porta?

Há naturalmente uma questão importante. Se o automóvel “bloqueia” eletronicamente a abertura e existir uma emergência, o ocupante fica preso? Não.

De acordo com a informação disponível sobre o sistema, mantém-se uma possibilidade mecânica de abertura de emergência, permitindo ultrapassar a intervenção eletrónica quando for efetivamente necessário.

O objetivo não é, portanto, impedir de forma absoluta que alguém saia do automóvel. A tecnologia procura introduzir uma pequena barreira temporal precisamente quando os sensores identificam uma situação potencialmente perigosa.

BMW iX3 é o primeiro a receber a nova tecnologia

A estreia acontece no BMW iX3, primeiro modelo de produção da Neue Klasse equipado com esta nova geração de sistemas de segurança ativa. E não deverá ficar por aí. A BMW confirma que a tecnologia será posteriormente utilizada noutros modelos, incluindo o BMW i3, X5 e Série 7, fazendo parte de uma expansão mais ampla dos novos sistemas de assistência da marca.

O novo Exit Warning integra uma estratégia de segurança bastante mais abrangente denominada BMW Symbiotic Drive. A filosofia passa por fazer com que os sistemas eletrónicos permaneçam discretos durante a condução normal, intervindo quando identificam uma situação efetivamente perigosa.

O automóvel começa a perceber aquilo que o condutor pretende fazer

Há outra evolução interessante por trás do sistema. Os novos assistentes procuram interpretar as intenções do condutor, utilizando diferentes informações para distinguir uma manobra deliberada de uma situação potencialmente perigosa.

A BMW refere, por exemplo, dados relacionados com os movimentos do volante e até a direção do olhar do condutor para decidir quando determinados sistemas devem ou não intervir.

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A ideia é reduzir um dos problemas tradicionais dos sistemas de assistência mais intrusivos: alertas e correções quando o condutor sabe perfeitamente aquilo que está a fazer. No caso da abertura das portas, porém, a lógica é especialmente direta.

Há alguém a aproximar-se? Então talvez seja melhor esperar mais um segundo antes de abrir.

Mais tecnologia automóvel pode significar motos mais seguras?

Para os motociclistas, talvez seja esta a questão mais interessante. Quando falamos de sistemas avançados de assistência à condução, normalmente pensamos na proteção dos ocupantes do automóvel. Mas sensores, radares e câmaras cada vez mais sofisticados podem igualmente aumentar a segurança de quem circula fora dele.

E é importante que isso aconteça. Uma parte fundamental da evolução destes sistemas passa precisamente pela capacidade de detetar corretamente motociclos, compreender a sua trajetória e reagir suficientemente cedo.

Neste caso específico, a solução da BMW ataca um problema muito concreto e fá-lo de uma forma interessante: não tenta corrigir o motociclista nem depende da sua capacidade de reação. Atua sobre aquilo que criou o perigo, a porta do automóvel.

Uma pequena inovação que pode evitar grandes acidentes

Naturalmente, nenhum sistema eletrónico substitui aquilo que continua a ser a melhor prevenção contra o dooring: olhar antes de abrir a porta. Existe até uma técnica conhecida como Dutch Reach, que consiste em utilizar a mão mais afastada da porta para a abrir, obrigando o corpo a rodar e facilitando que o ocupante olhe para trás antes de sair.

Mas sabemos também que basta uma distração. É precisamente nesse momento que tecnologias como esta podem fazer a diferença. Se os radares perceberem que uma moto se aproxima e conseguirem ganhar apenas aquele segundo necessário para ela passar em segurança, teremos uma aplicação de tecnologia automóvel que interessa diretamente aos motociclistas.

E talvez esteja aqui o aspeto mais relevante da novidade. Durante anos habituámo-nos a carros que avisam que existe uma moto ao lado. Agora começamos a entrar numa geração em que o automóvel pode efetivamente recusar abrir uma porta no caminho dela.

Para quem anda diariamente de moto nas cidades, é difícil não considerar isso uma boa notícia.

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