Bultaco é nome que dispensa apresentações no mundo do motociclismo europeu. A histórica marca espanhola do “dedo rampante”, associada durante décadas a modelos míticos como as Sherpa, Frontera, Pursang ou Metralla, está novamente ligada a uma moto de combustão. E desta vez entra diretamente num dos segmentos mais concorridos do mercado: as pequenas trail acessíveis à carta A2.
A novidade chama-se Leonart x Bultaco Rally GT 300 e apresenta argumentos interessantes: motor monocilíndrico de 292 cc, 28 cv, apenas 150 kg, depósito de 16 litros e um preço anunciado para Espanha de 3.999 euros, a que acrescem despesas de transporte e matrícula. As reservas já estão abertas, com as primeiras entregas previstas para setembro.
Mas há um esclarecimento importante: não estamos perante o renascimento da Bultaco histórica enquanto fabricante independente nos moldes que muitos motociclistas poderão imaginar.
Bultaco está de volta, mas em parceria com a Leonart
A Rally GT 300 nasce de uma colaboração entre a Bultaco e a espanhola Leonart, razão pela qual a designação completa do modelo é Leonart x Bultaco Rally GT 300. A empresa Bultaco Next SL está sediada em Mataró, Barcelona, na mesma morada associada à Leonart.

É, portanto, um regresso diferente daquele que os mais nostálgicos poderiam esperar, mas suficientemente significativo para colocar novamente o famoso nome Bultaco no depósito de uma moto de combustão. E a escolha de uma trail de média/baixa cilindrada não parece nada inocente.
Com a procura crescente por motos Adventure mais leves, simples e acessíveis, a Rally GT 300 entra num segmento que tem vindo a ganhar protagonismo, especialmente entre titulares de carta A2 e motociclistas que não necessitam dos mais de 100 cv e 200 ou 250 kg das grandes maxi-trail.
292 cc, 28 cv e apenas 150 kg
O coração da nova Rally GT 300 é um monocilíndrico de 292 cc, quatro tempos, DOHC, quatro válvulas, refrigeração líquida e injeção eletrónica, capaz de desenvolver 28 cv às 9.500 rpm.
Não impressiona pela potência absoluta, mas o número que merece maior atenção é outro: 150 kg de peso.
Esta relação entre peso e potência poderá ser precisamente um dos principais argumentos da pequena Bultaco, sobretudo quando o asfalto termina. Uma trail leve é mais fácil de controlar em caminhos de terra, menos intimidante para motociclistas com pouca experiência em off-road e, inevitavelmente, mais fácil de levantar depois de uma queda.

A altura do assento é de 883 mm, a distância entre eixos fica nos 1.410 mm e o depósito oferece generosos 16 litros.
Uma trail para estrada e terra
A filosofia da Rally GT 300 fica clara olhando para a ciclística e para a própria estética. A roda dianteira de 19 polegadas, os pneus mistos, o guarda-lamas elevado e a proteção aerodinâmica conferida pela pequena carenagem apontam para uma moto pensada para utilização verdadeiramente polivalente.
Não estamos perante uma enduro disfarçada de Adventure, mas sim uma trail que pretende funcionar nas deslocações quotidianas, permitir viajar e continuar quando aparece uma estrada de terra pelo caminho. É uma fórmula simples, mas que está novamente a conquistar muitos motociclistas.
TFT, pressão dos pneus e até uma dashcam
Se a mecânica segue uma filosofia relativamente convencional, o equipamento mostra como mudou o segmento das motos mais acessíveis. A Rally GT 300 inclui um painel TFT a cores de 5 polegadas, indicador da pressão dos pneus, tomada USB, iluminação Full LED e até uma câmara frontal integrada (dashcam) capaz de gravar os percursos.

Um pacote tecnológico bastante completo tendo em consideração o posicionamento de preço. Estarão disponíveis três decorações: preto, preto/vermelho Bultaco Racing e preto/laranja.
3.999 euros: o argumento mais forte?
Em Espanha, a nova Rally GT 300 foi anunciada por 3.999 euros, antes das despesas de matrícula e transporte. A reserva pode ser realizada mediante um pagamento inicial de 300 euros.
À data da publicação, não encontramos confirmação de preço, importação ou disponibilidade oficial específica para Portugal, pelo que não seria correto assumir que os 3.999 euros serão automaticamente aplicáveis ao nosso mercado.
Ainda assim, se a Rally GT 300 vier a ser comercializada em Portugal mantendo um posicionamento próximo deste valor, poderá tornar-se numa proposta particularmente interessante entre as pequenas Adventure destinadas à carta A2.

O primeiro passo de uma nova Bultaco?
Talvez a questão mais interessante nem sequer esteja nesta Rally GT 300. Ao anunciar o modelo, a própria Bultaco descreveu-o como “o primeiro passo de um projeto que acaba de começar”. E isso abre inevitavelmente a porta a novos modelos.
A Bultaco construiu uma parte importante da sua reputação precisamente fora do asfalto. Sherpa T, Frontera e Pursang são nomes profundamente ligados à história do Trial, Enduro e Motocross.
É evidente que esta Rally GT 300 pertence a uma realidade industrial completamente diferente daquela Bultaco. Mas ver novamente o famoso logótipo numa trail acessível, leve e preparada para abandonar o alcatrão tem, pelo menos simbolicamente, alguma coerência histórica.
Agora falta descobrir até onde pretende chegar esta nova etapa da Bultaco. Porque a Rally GT 300 pode ser apenas uma pequena trail de 28 cv e 3.999 euros, ou pode ser o primeiro capítulo de algo bastante maior. Aguardemos…

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