A terceira passagem do Campeonato Nacional de Velocidade 2026 pelo Circuito do Estoril começou a colocar nomes nas placas de campeão, mas deixou algumas das decisões mais importantes para o último encontro da temporada.
O fim de semana coroou quatro campeões nacionais, ao mesmo tempo que apertou as contas na Superbike, Supersport 300 e Naked Bikes 1.
Tudo fica agora preparado para o Circuito do Estoril IV, de 2 a 4 de outubro, onde será colocado o ponto final numa temporada que promete chegar à última corrida com vários títulos ainda em aberto.
Martim Jesus é Campeão Nacional de Supersport
Um ano depois de conquistar a coroa de Superstock 600, Martim Jesus voltou a subir ao topo, desta vez na Supersport. O piloto Honda chegou ao Estoril em posição privilegiada e resolveu definitivamente as contas com um fim de semana perfeito: venceu as duas corridas de Supersport.

Martim Jesus esteve sempre acompanhado no pódio pelos seus companheiros da Rosa Competición, Isaac Rosa, aos comandos de uma Yamaha, e Celestin Masy, com uma Kawasaki.
O título confirma assim a progressão do piloto português, que acrescenta a Supersport 2026 à conquista alcançada na temporada anterior.
Superbike: Ricardo Lopes coloca Luís Ferreira sob pressão
Se nas Supersport houve festa antecipada, nas Superbike aconteceu precisamente o contrário. O campeonato ficou ainda mais apertado.
Ricardo Lopes (Honda) foi o grande vencedor da passagem pelo Estoril, dominando nos dois dias e impondo-se igualmente na classificação geral da grelha partilhada com Supersport e Copa Dunlop Motoval 2.
O líder do campeonato, Luís Ferreira (BMW), teve de se contentar com dois segundos lugares. E isso alterou significativamente as contas. Lopes chegou à ronda a 16 pontos do líder e saiu dela a apenas seis. Dez pontos recuperados num único fim de semana deixam tudo em aberto para outubro.
Com uma ronda por disputar, a matemática deixa de permitir grandes estratégias de conservação. Luís Ferreira continua a ter a vantagem, mas Ricardo Lopes está agora suficientemente perto para transformar qualquer pequeno erro num potencial volte-face no campeonato. O título de Superbike promete ser uma das grandes atrações da final do CNV.

Tiago João faz história na nova SportBike
Há campeões que conquistam títulos e há aqueles que ficam para sempre associados à história de uma categoria. Tiago João (Aprilia) pertence agora ao segundo grupo.
Na temporada de estreia da SportBike, o piloto levou a Aprilia RS 660 ao primeiro título atribuído nesta nova classe do Campeonato Nacional de Velocidade. E fê-lo sem conhecer outro resultado que não a vitória.
Tiago João manteve a invencibilidade no Estoril, tendo novamente como principal perseguidora Carlota Carochinho (Yamaha). Independentemente da evolução que esta categoria venha a ter nos próximos anos, o primeiro nome na lista de campeões SportBike do CNV será, portanto, o de Tiago João.

Bottoglieri acrescenta mais um título ao palmarés
Outro piloto que já pode começar a preparar a placa de número 1 para 2027 é Frédèric Bottoglieri. O experiente piloto Triumph voltou a confirmar a sua forte ligação às Naked Bikes e garantiu antecipadamente o título da categoria NB2.
É mais uma conquista para um dos nomes incontornáveis desta classe no panorama nacional. Mas se na NB2 as contas estão encerradas, na categoria mais potente das Naked Bikes a situação não poderia ser mais diferente.

Naked Bikes 1: BMW domina e nove pontos separam os candidatos
A NB1 proporcionou um duelo direto entre Duarte Amaral e Luís Franco. Os dois alternaram entre primeiro e segundo lugares durante o fim de semana, enquanto Ricardo Almeida completou sistematicamente o pódio.
Há ainda uma curiosidade: os três lugares do pódio foram monopolizados pelas BMW S 1000 R. No campeonato, porém, praticamente nada mudou. Duarte Amaral chegou ao Estoril com nove pontos de vantagem sobre Luís Franco e sai exatamente com a mesma diferença.
Serão, portanto, nove pontos a separar os dois candidatos à entrada para a derradeira jornada. Mais um título para decidir em outubro.
Supersport 300: penalização mantém campeonato em aberto
Também nas Supersport 300 houve drama até depois da bandeira de xadrez. Vasco Camoesas (Kawasaki) foi o primeiro a cruzar a meta em ambas as corridas, mas acabou por não ficar com as duas vitórias.
No domingo, uma penalização por exceder os limites da pista durante a última volta fez Camoesas cair para a segunda posição, entregando a vitória a Lourenço Vicente (Kawasaki).
E essa decisão tem consequências importantes nas contas do campeonato. Camoesas continua líder, mas dispõe agora de apenas oito pontos de vantagem sobre Lourenço Vicente. Depois dos seis pontos da Superbike e dos nove da Naked Bikes 1, temos assim outro duelo praticamente em aberto para a final.
Alexandre Cabá deixa título de Moto4 quase resolvido
Nas Moto4, Alexandre Cabá (Honda) não deixou grandes oportunidades à concorrência. Cabá venceu nos dois dias, sempre à frente de Tomás Carneiro e Abel Ramirez, reforçando substancialmente a liderança.
O piloto dispõe agora de 46 pontos de vantagem sobre Tomás Carneiro. Ainda existem contas matemáticas a fazer no Estoril IV, mas a dimensão da margem deixa Alexandre Cabá muito perto de garantir o título.
Tiago Tomé campeão de PréMoto4
No CNV Júnior ficou encontrado outro dos campeões da temporada. A grelha contou desta vez apenas com uma moto da categoria PréMoto4, a Beon de Tiago Tomé, permitindo ao piloto garantir antecipadamente o respetivo título.
Tomé não se limitou, porém, a vencer naturalmente a sua categoria: conseguiu igualmente triunfar na classificação geral. Entre o pelotão do CNV Júnior, Simão Viegas (MIR) foi o melhor nos dois dias, sempre seguido por Carolina Azevedo (MIR).
Também aqui o campeonato está muito próximo de uma decisão. Viegas dispõe agora de 40 pontos de vantagem sobre Carolina Azevedo, ficando numa posição muito favorável para assegurar a coroa na última jornada.
Copa Dunlop Motoval: Dany Soares quase campeão
Na classe 2 da Copa Dunlop Motoval, Dany Soares (BMW) foi o vencedor em ambos os dias. A consistência ao longo da temporada deixa-o agora com 50 pontos de vantagem sobre Rui Palma, quando restam 55 para distribuir. Matematicamente ainda não terminou.
Na prática, Dany Soares chega à última jornada com uma margem que lhe permite gerir o desfecho com muito mais tranquilidade do que os protagonistas das restantes categorias ainda por decidir.
A jornada contou igualmente com a participação da Copa R4C, competição monomarca espanhola disputada com as Kawasaki Ninja ZX-4RR, repetindo a presença registada em agosto no Autódromo Internacional do Algarve.
Quatro campeões encontrados. Os grandes duelos ficam para outubro
À saída do Estoril III, quatro títulos de 2026 estão oficialmente entregues: Martim Jesus em Supersport, Tiago João em SportBike, Frédèric Bottoglieri em Naked Bikes 2 e Tiago Tomé em PréMoto4. Mas aquilo que ficou por decidir talvez seja ainda mais interessante.
Na Superbike, Luís Ferreira e Ricardo Lopes estão separados por seis pontos. Nas Supersport 300, apenas oito pontos dividem Vasco Camoesas e Lourenço Vicente. E na Naked Bikes 1, Duarte Amaral tem somente nove pontos de vantagem sobre Luís Franco.
Três campeonatos. Três diferenças inferiores a dez pontos. O Campeonato Nacional de Velocidade 2026 termina entre 2 e 4 de outubro, novamente no Circuito do Estoril. E, depois do que aconteceu nesta terceira passagem pelo traçado português, a última jornada promete ser muito mais do que uma simples festa de encerramento. Vai ser uma final a sério.
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