Não é novidade para ninguém, que os modelos italianos são “Reis” no que diz respeito a design. Para além disso, em termos tecnológicos, assumem igualmente um lugar de destaque. Colocámos frente-a-frente uma representante de cada segmento, com configurações diferentes de motores. O resultado foi o esperado, diversão e ostentação em larga escala!

Texto: Domingos Janeiro_Fotos: Rogério Sarzedo MOTOJORNAL_1395

Numa altura em que o segmento das desportivas está em “piloto automático” e à espera das mais recentes novidades já dadas a conhecer pelos principais construtores para o ano que se avizinha, não quisémos deixar passar a oportunidade de colocar frente-a-frente a Aprilia RSV4 1000RR, a Ducati 959 Panigale e a MV Agusta F3 675. São modelos representantes do que de melhor a escola italiana tem para oferecer, e marcas que voltaram a estar na “moda”, precisamente por terem apostado forte, não só no design, como também na tecnologia. Para além disso, a competição à escala mundial tem dado uma ajuda, no que diz respeito à (re) projecção das marcas.

A Aprilia é, talvez, a que menos se destacou no panorama mundial da velocidade, ainda que em MotoGP tenha dado um pouco nas vistas, se bem que de forma modesta e sem criar grandes expectativas.

Por outro lado, a Ducati destacou-se no mundial de Superbike, assim como a MV Agusta em Supersport, precisamente com a F3 675. Embora com cilindradas e potências diferentes, foi igualmente uma excelente oportunidade para apreciarmos em detalhe o comportamento dos motores de quatro, três e dois cilindros.

Aprilia RSV4 1000RR
Começamos pelo modelo mais potente deste trabalho e com maior número de cilindros. São quatro cilindros em V, capazes de debitar 201 cv de potência na passagem pelas 13.000 rpm. O que nos impressionou mais neste modelo é a forma suave como a potência nos é entregue, nos modos “standard”, quando assumimos os seus comandos pela primeira vez.

Não assusta! Pelo contrário, dá-nos confiança para explorar de forma gradual todas as suas características e através de todas as conjugações possíveis de fazer, entre mapas de gestão de potência, controlo de tracção, níveis de ABS, níveis de efeito travão motor, controlo anti-cavalinho, controlo de arranque e quick shift (para cima). Toda a electrónica “normal” para numa moto topo de gama desportiva.

As dimensões contidas e o peso acessível (180 kg a seco), fazem com que se ganhe confiança rapidamente e até se mostra confortável, com uma posição de condução cem por cento desportiva mas sem ser agressiva em demasia. É muito eficaz em pista, mas em cidade também não vai nada mal, pois não leva a posição “deitado sobre o depósito” de forma extrema. Essa característica pouco “extremosa” faz com que os pulsos não se ressintam, por exemplo, numa utilização diária em cidade. As suspensões cumprem e possibilitam-nos múltiplos ajustes.

Ducati 959 Panigale
Herdeira de um grande legado nas super-desportivas, esta 959 veio criar um novo segmento dentro das Superbike, ao colocar à disposição um modelo muito perto dos 1000 cc de cilindrada mas com uma potência mais contida. Desde logo é o primeiro modelo equipado com motor Superquadro, que cumpre a norma Euro4 e corresponde ao “upgrade” feito ao modelo 899. Uma desportiva que os italianos consideram ser de média capacidade, uma vez que os 157 cv de potência a colocam num patamar entre as 600 cc e as 1000 cc.

De facto, a marca italiana é perita em criar novos segmentos, que neste caso, tem como rival mais directa outra italiana, a MV Agusta F3 800. No entanto, esta Panigale mantém o objectivo principal que a 899 defendia, que era uma verdadeira moto desportiva com carácter, mas mais acessível às mãos dos menos experientes. Design arrebatador, um motor de dois cilindros em L a 90° e toda a electrónica a que temos direito, tornam esta 959 numa boa evolução, que acrescenta um pouco mais de inovação e potência ao modelo antecessor, sem que os utilizadores com menos experiência se assustem. É muito fácil de explorar e temos muito por onde progredir mas, no entanto, para uma utilização mais diária em centros urbanos temos que contar com um conjunto um pouco mais duro em relação às restantes aqui presentes.

Carácter e ADN desportivo estão presentes a cem por cento, num modelo que tanto permite rodarmos diariamente nas grandes cidades, como passarmos um fim-de-semana a rodarmos na pista, onde o objectivo é sermos rápidos e baixar os nossos tempos. Familiar com toda a gama Panigale, o ponto menos positivo, mas já característico e conhecido, é o calor que sentimos a sair por baixo do nosso rabo, entre as pernas, fruto da configuração do motor. Travagem forte e potente e suspensões com múltiplos-ajustes, tornam esta 959 num modelo mais que suficiente para grandes doses de diversão e adrenalina (independentemente do cenário). Em termos de electrónica, a 959 Panigale brinda-nos, de série, com ABS, controlo de tracção, travão motor, quick shift e três mapas selecionáveis!

MV Agusta F3 675
É a representante das desportivas de média capacidade. O motor de três cilindros é a sua grande aposta e que resulta, não só em termos práticos para uma utilização diária, mas também em competição ao mais alto nível, tal como confirma o vice-campeonato conquistado no mundial de Supersport! A estética é a atracção principal, mantendo-se fiel aos traços característicos da marca, com alguns anos, mas que se têm revelado intemporais.

Este modelo de média cilindrada veio agitar as águas no segmento, oferecendo uma estética arrebatadora, bom nível de electrónica e, acima de tudo, um motor de três cilindros capaz de debitar uma potência de 128 cv às 14.400 rpm, a que se juntam uns “leves” 173 kg de peso a seco, quick shift, ABS, controlo de tracção e quatro mapas de motor, sendo um deles totalmente personalizável. O compromisso entre pista e dia-a-dia está bem conseguido, ainda que a posição de condução da F3 675 seja radical, fazendo sentir alguma pressão nos pulsos, mas sem que isso seja causa de fadiga ou incómodo. A acompanhar esta “obra de arte”, temos um conjunto de suspensões totalmente ajustáveis com um bom “feeling” de série.

Com esta “pequena” MV Agusta, conseguimos realmente retirar partido de uma moto desportiva, progredindo de forma rápida tanto na condução, como no próprio desenvolvimento da moto ao nosso gosto. A cereja no topo do bolo, é a sonoridade que nos é oferecida pelo escape, com a tri-saída por baixo, que acentua o ADN desportivo da marca italiana.

Configurações diferentes
Como já referimos, esta foi uma oportunidade para colocarmos frente-a-frente arquitecturas diferentes dos motores, não para fazer uma avaliação técnica e tecnológica aprofundada, mas também podermos comparar sensações. Assim, no que diz respeito à minha opinião pessoal, os blocos com três cilindros continuam a ser dos meus favoritos. É um compromisso bastante interessante, colocando à nossa disposição o melhor dos dois mundos, por um lado a suavidade característica dos propulsores de quatro cilindros, mas por outro um forte carácter, digno dos puros e duros dois cilindros. Não é por acaso que nestes últimos anos, algumas marcas que até então não tinham grande tradição nestas configurações, começaram a apostar em força neste formato.
Se formos adeptos da suavidade, então devermos optar pela arquitectura dos quatro cilindros.

A faixa de utilização em que o desempenho é superior situa-se a partir das médias/altas, onde passamos a ter toda a potência disponível, mas com ênfase nas faixas de rotação já mais elevadas. Se, por outro lado, a nossa “onda” é mesmo sentir a moto de forma rude e “bruta”, então os dois cilindros são a opção mais acertada! Coração e alma de combatente, em que os nervos estão à flor da pele, dá-nos tudo o que tem em baixos e médios regimes, acompanhados por vibrações (sem serem excessivas e sem incomodarem) que nos fazem sentir a verdadeira emoção da moto. No entanto, os dois cilindros são, regra geral, motos de condução mais exigente, mas também mais motivantes!
Quanto a mim, a escolha é clara, no meio está a virtude!

Gosto italiano

Quem me conhece sabe que sempre gostei de coisas italianas, carros, motos, comida italiana, e o próprio país em si! Sempre me despertou algo que nem sei bem explicar.
A forma como eles fazem as coisas é de facto única, o gosto, o desenho e a raça de uma moto italiana distingue-se, a meu ver, de qualquer moto japonesa. Não é que se sejam melhores ou piores, são, essencialmente, diferentes….e é isso que me agrada.
Destas 3 motos destaco, sem o mínimo de dúvidas, o estilo inconfundivel de cada uma, bem como algumas caracteristicas que todas juntas espelham bem o que são os europeus a fabricar motos e a forma emotiva como o fazem.
Na Ducati, o que mais me agradou foi o seu aspecto “limpo” e agressivo. As linhas das Ducati têm sempre “aquela” coisa especial, que apela à competição e às altas prestações. Acho mesmo que se a Ducati um dia fizer uma scooter utilitária, toda a gente vai olhar para ela de lado e dizer: “esta deve andar mais que as outras”.

A rolar, a Ducati pede velocidade, e quanto mais depressa vamos mais fácil se torna de conduzir. Uma delícia, só é pena a zona do assento ganhar temperaturas mais adequadas à culinária.
Na Aprilia basta despertar o motor. O 4 cilindros em V tem um som inigualável, e quando rodamos o punho não é só o barulho que surprende. Os travões e toda a ciclística acompanham bem os cavalos debitados. A posição de condução não foi a que mais me agradou e achei a “Mille” um pouco grande e alta. Talvez a minha pouca experiência neste tipo de motos se faça sentir mais aqui com a Aprilia.
E finalmente a MV Agusta 675 “Tre Pistoni”. Só a designação “Tre Pistoni” já me faz sorrir, mas a rolar, o sorriso ainda é maior.
A MV é pequena de tamanho mas grande em beleza e em comportamento. Esteticamente as MV Agusta são sempre peças exclusivas e feitas de uma ponta a outra com aquele toque italiano que tanto me agrada. Ao nível do motor, este tem um comportamento um bocado “enrolado” enquanto andamos a baixas rotações, mas a partir das 7000/8000 rpm… desperta-se um bicho bem diferente debaixo do depósito. Até o barulho se altera de uma forma radical e as 3 saídas de escape pareçem chamar o piloto para um volta mais rápida e endiabrada. Adorei a F3 675 e se houvesse uma moto de estrada lá na garagem, esta podia ser uma séria candidata.
Fernando Pereira

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