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Comparativo Scooters Aventura – Lançados à aventura

E se a sua scooter do dia-a-dia se transformasse ao fim de semana no veículo de aventura? Neste trabalho juntamos quatro modelos que têm esta capacidade.

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No cruzamento entre mobilidade urbana e escapadela de fim de semana, nasceu um novo nicho: o das scooters médias com aspirações aventureiras. Capazes de enfrentar o trânsito com agilidade, mas igualmente prontas para sair do asfalto e explorar caminhos menos óbvios, estas propostas multiplicam-se, cada vez mais equipadas, mais robustas e mais próximas das motos trail em comportamento e estética.

O espírito da aventura tem-se entranhado em todos os meandros do mundo motociclístico. Com as trail a gozarem de grande sucesso nos últimos anos, agora algumas marcas começam a mover-se também nessa direção com scooters de ‘aventura’.

Andar de moto mexe com os nossos mais profundos circuitos de prazer e o ser humano é, em parte, movido pelo desconhecido. Ter uma scooter que nos acompanha nos momentos do quotidiano e que nos momentos de lazer nos pode levar para lá de onde as estradas acabam, só pode ser bom.

Abre-nos a possibilidade de ir a locais recônditos, de descobrir sítios que de outra forma estariam longe do nosso alcance.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

É com este espírito que o segmento das scooters de média cilindrada tem crescido em oferta. Tem-se renovado com modelos que procuram ter na sua essência a capacidade de explorar trilhos menos usados e onde o asfalto já não chega.

Entre as opções disponíveis no mercado, quatro modelos destacam-se não só pelo estilo, mas também pelos argumentos técnicos e tecnológicos que apresentam: BMW C 400 X, Honda ADV 350, SYM ADXTG 400 e Zontes 368G.

A BMW C 400 X posiciona-se como a opção mais urbana e compacta do grupo. O design arrojado, o painel TFT com conectividade e o comportamento dinâmico apurado colocam-na num patamar mais premium. Com 34 cv, o motor monocilíndrico assegura boas prestações, e a ciclística firme favorece a condução em ritmos mais vivos.

A ADV 350 é a aposta sensata da Honda para este segmento. Sem excessos nem surpresas, apresenta-se como uma scooter sólida, com construção exemplar e um comportamento previsível, confortável e eficaz. O motor de 330 cc oferece 29 cv, mais do que suficientes para a maioria dos cenários.

A SYM ADXTG 400 não aposta em excentricidades, mas sim em equilíbrio. O seu maior trunfo é o motor fixo ao quadro reforçado com braço oscilante de maiores dimensões e suspensão traseira com sistema progressivo. O motor com sistema Hyper-VVS, uma tecnologia de válvulas de abertura variável, altera o carácter do motor consoante o regime: suave e económico ou mais potente e vivo.

De todas as propostas, a Zontes 368G é a que mais surpreende à primeira vista, quer pelo tamanho, quer pela sua imagem exuberante. A lista de equipamento é vasta e, em alguns casos, inédita no segmento: câmaras de vídeo dianteira e traseira, painel TFT com visualização de imagens, três pares de tomadas USB (tipo A e C), para-brisas ajustável, iluminação total em LED, proteções tubulares laterais, entre outros. Colocámos estas quatro scooters lado a lado para perceber melhor o que difere entre elas e como respondem aos desafios do quotidiano e mais além.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

 

BMW Motorrad C 400 X Rugged

A BMW C 400 X surge este ano com algumas atualizações, nas quais se incluem a opção de ter uma imagem mais aventureira “Rugged”, que inclui pneus de utilização mista, dentro e fora de estrada. Contudo, continua a ser uma proposta focada na mobilidade urbana e numa experiência de condução dinâmica.

A ergonomia foi uma das prioridades no desenvolvimento da C 400 X, procurando replicar a posição de condução de uma moto tradicional. A inspiração vem claramente do universo GS, com elementos como o pequeno “bico” na carenagem dianteira e uma ótica frontal que remete para essa herança.

A posição de condução é confortável e natural, com espaço suficiente mesmo para condutores de maior estatura, e a proteção aerodinâmica está bem conseguida para o uso citadino, mas é a única sem regulação em altura do para-brisas.

O motor monocilíndrico revela-se elástico e responsivo, com acelerações rápidas e recuperações convincentes. A ciclística contribui com uma condução equilibrada e neutra em curva, transmitindo confiança. É claramente a mais limitada quando se procura piso de má qualidade ou mesmo o off-road.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

As suas suspensões foram pensadas para o uso dentro do asfalto. Sair da estrada tem de ser feito de uma forma cuidadosa. A travagem, com dois discos à frente e ABS bem calibrado, destaca-se claramente da concorrência pela potência e precisão.

Com dimensões compactas, frontal estreito e para-brisas pequeno, a C 400 X revela-se a mais ágil das scooters em análise, transmitindo leveza e uma resposta pronta à rotação do punho. A entrega de potência é a mais contundente, especialmente à medida que se ganha velocidade.

No capítulo do conforto, a C 400 X não é a referência do segmento. As suspensões são firmes e eficazes na filtragem de pequenas imperfeições, mas não tão absorventes em pisos mais degradados. A proteção aerodinâmica ao nível do tronco e cabeça é limitada, sendo aconselhável o para-brisas maior para quem privilegia esse aspeto.

Ao ligar a scooter através do sistema keyless, o painel TFT a cores impressiona pela qualidade gráfica e animações. Através dele é possível aceder a uma vasta gama de informações, ligar o smartphone e tirar partido de funcionalidades como chamadas, música e navegação, tudo através de auriculares Bluetooth.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

A unidade testada incluía ainda punhos e assento aquecidos, luzes LED e alarme.

O espaço sob o assento, com o sistema Flexcase, permite guardar dois capacetes quando a scooter está parada. Contudo, em andamento, esse volume reduz-se, ficando apenas espaço para um capacete integral.

Em suma, a BMW C 400 X é uma excelente escolha para quem procura uma scooter ágil, com prestações dinâmicas e cujo foco é a utilização urbana, onde brilha com as suas dimensões mais compactas, menor altura e logo uma maior facilidade para se desembaraçar do trânsito urbano — sempre com o toque premium da marca bávara.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Honda ADV350

Baseada na comprovada Forza 350, a Honda ADV350 partilha o mesmo motor e quadro, mas recebe uma série de alterações que a tornam mais apta para aventuras fora de estrada. Ainda assim, entre as quatro unidades aqui presentes, é uma das que está mais próxima do asfalto, logo a seguir à BMW.

As principais diferenças face à mais estradista Forza estão nas suspensões e nas rodas, pensadas para um desempenho superior em pisos irregulares. Na dianteira, destaca-se a forquilha invertida com bainhas de 37 mm, que oferece um curso de 125 mm. Atrás, os amortecedores com molas de tripla rigidez asseguram 130 mm de movimento.

A maior distância ao solo — 145 mm — permite maior liberdade para explorar caminhos menos acessíveis, com mais segurança e conforto.

As jantes, de 15 polegadas à frente e 14 polegadas atrás, estão equipadas com pneus Metzeler Karoo Street, ideais para uso misto entre asfalto e terra. Esta combinação traduz-se numa condução mais estável, com melhor leitura do terreno e capacidade para absorver as irregularidades mais exigentes.

A direção, graças à forquilha invertida diretamente ligada às mesas, ganha precisão e tato, transmitindo maior controlo ao condutor.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Em estrada, a ADV350 mostra-se confiante e pronta a aceitar ritmos mais dinâmicos, mesmo nas zonas de curvas. Na travagem, a ADV350 cumpre sem deixar margem para críticas quanto à potência. Quer se use a manete direita (travão dianteiro) ou a esquerda, a capacidade de desaceleração está lá. No entanto, o tato inicial revela-se algo impreciso, e falta-lhe alguma mordacidade.

O motor monocilíndrico de 330 cc em autoestrada, mesmo próximo dos limites legais de velocidade, tem uma ampla margem de reserva, tornando a condução mais fluida e agradável neste tipo de cenário. A resposta ao acelerador é progressiva, fácil de dosear e entrega a potência à roda traseira de forma suave, mas eficaz.

A aceleração é cheia e contínua, transmitindo sempre a sensação de haver mais curso de acelerador disponível. Nos regimes médios, o motor mostra-se particularmente vigoroso, garantindo recuperações rápidas.

Com o guiador largo e elevado, a posição de condução garante boa ergonomia. O assento bem desenhado permite às pernas encaixarem naturalmente atrás do avental frontal e há flexibilidade na posição de condução: os pés podem repousar no estrado ou mais à frente, oferecendo maior extensão das pernas.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

O design do escudo frontal, focado no espírito aventureiro, deixa as pernas mais expostas ao vento. O para-brisas é compacto, mas regulável manualmente em quatro níveis; na posição mais alta oferece proteção aceitável à cabeça em deslocações rápidas.

Em termos de equipamento, a ADV350 está bem servida: inclui sistema keyless, espaço sob o assento com cerca de 50 litros (suficiente para dois capacetes integrais), porta-luvas frontal com ficha USB-C e um painel LCD completo, com leitura clara de dados como temperatura, consumos e autonomia.

Com a app da Honda, é possível controlar algumas funções do smartphone diretamente nos comandos da moto, com notificações e navegação acessíveis por auriculares no capacete. Entre os opcionais, destacam-se os punhos aquecidos e o prático top case com fecho remoto.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Sym ADXTG 400

A SYM ADXTG 400 é pensada para quem procura sair da rotina sem abdicar da versatilidade e do conforto. Com visual robusto e assumidamente aventureiro, destaca-se por um conjunto técnico bem equilibrado, marcado por tecnologia inovadora, ciclística sólida e um bom nível de equipamento.

No coração do seu quadro tubular, concebido para reforçar a rigidez estrutural, está um motor monocilíndrico de 399 cc, uma construção distinta que lhe dá um comportamento único. A suavidade de funcionamento do motor surpreende, resultado direto da adoção de dois veios de equilíbrio que eliminam grande parte das vibrações.

Mas o grande trunfo está no sistema Hyper-VVS: um sofisticado mecanismo de distribuição variável que adapta o perfil das válvulas ao regime do motor. Até às 5.000 rpm privilegia-se a suavidade e eficiência, mas acima desse limiar entra em ação um perfil mais desportivo, que liberta os 35 cv e 37 Nm com maior vivacidade.

O comportamento dinâmico acompanha o desempenho do motor.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

A ciclística foi pensada ao detalhe: mesa de direção forjada para maior precisão, braço oscilante independente e um conjunto de suspensões de curso mais longo, otimizadas para diferentes tipos de piso.

Em estrada, a ADXTG 400 mostra-se estável e precisa, com uma inserção em curva surpreendentemente ágil para uma scooter de cariz aventureiro.

Em andamento, as suspensões mostram-se competentes: a forquilha responde com progressividade nas travagens e a traseira mantém-se estável mesmo quando forçada. O conjunto mantém a compostura mesmo em piso irregular, transmitindo sempre segurança e controlo ao condutor.

Fora de estrada revela boas capacidades e permite mesmo condução em pé, graças à ampla plataforma para os pés e à ergonomia bem estudada.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

O motor impressiona tanto pela resposta dócil em ritmo urbano como pela pujança quando se explora a faixa de rotações mais elevada. O Hyper-VVS muda o carácter da scooter de forma progressiva e eficaz, sem quebras de regime ou respostas bruscas. O acelerador oferece uma leitura direta e fácil de dosear, o que facilita tanto as manobras lentas como a condução mais empenhada.

A travagem está bem dimensionada para as prestações do conjunto. O disco dianteiro de 275 mm com pinça de quatro pistões garante eficácia, ainda que o tato da manete dianteira possa ser mais duro do que seria desejável nos primeiros milímetros de curso.

A atuação do ABS e do controlo de tração é suave e progressiva, e ambos os sistemas podem ser parcialmente desligados.

O conforto a bordo é outro ponto forte. A posição de condução é, no geral, bem conseguida, com um guiador largo e ajustável e bom apoio para os pés. O assento, apesar da altura relativamente acessível, pode dificultar o apoio pleno dos pés no chão a condutores mais baixos, devido à largura da plataforma e do túnel central.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Zontes 368G

A Zontes 368G é uma daquelas scooters que surpreendem logo à primeira vista. Com rodas de grande diâmetro, guiador largo e elevado, proteções laterais e até uma placa inferior em alumínio, assume um visual robusto e aventureiro. Não foi feita para o Dakar, mas revelou-se exímia nos ‘raides’ urbanos e deslocações extra-urbanas.

A proposta é, desde logo, apelativa pelo preço competitivo, mas é no equipamento e na qualidade de construção que realmente se destaca. O motor monocilíndrico de 368 cc, com cabeça de quatro válvulas e árvore de cames à cabeça, oferece uns generosos 38,7 cv às 7.500 rpm e 40 Nm às 6.000 rpm, montado num quadro tubular em aço que garante rigidez e estabilidade.

Esteticamente, a 368G impõe-se com linhas angulosas e um volume acima da média para o segmento.

As jantes raiadas — 17 polegadas à frente e 14 atrás —, o guiador com proteções, o escape bem integrado e um par extra de pousa-pés reforçam o carácter aventureiro. Pequenos detalhes como a proteção inferior, as proteções tubulares laterais e os comandos retroiluminados confirmam o cuidado na conceção.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

O equipamento surpreende: o ecrã TFT de 8” apresenta informação detalhada, incluindo pressão e temperatura dos pneus. O para-brisas é ajustável manualmente (embora só parado), e o compartimento sob o assento é amplo, forrado, iluminado e com amortecedor.

A cereja no topo do bolo? Duas câmaras de vídeo integradas — uma frontal e uma traseira — com pré-visualização no TFT e gravação automática em memória interna de 128 GB. Tudo acessível via app dedicada. Conta ainda com três tomadas USB duplas (tipo A e C), distribuídas entre o TFT, o assento e o porta-luvas.

O assento, a 770 mm do solo, é algo rijo e não permite colocar os dois pés completamente assentes no chão com facilidade, mas a posição de condução, tipo trail, é envolvente e confortável.

Em andamento, a 368G convence: o motor é suave e a resposta ao acelerador direta, facilitando manobras em meio urbano. A largura do guiador exige alguma atenção entre o trânsito, mas a ciclística é precisa e permite atacar com confiança trajetos sinuosos. A suspensão, ajustável em pré-carga e extensão, é eficaz em curva, ainda que algo seca em mau piso.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Com dois modos de condução — Eco e Sport —, a scooter adapta-se a diferentes contextos e muda automaticamente para Sport acima das 7.000 rpm, garantindo disponibilidade para ultrapassagens. A travagem está bem dimensionada, com manetes ajustáveis, e a segurança é reforçada com controlo de tração (desligável) e ABS com opção de desativação na roda traseira.

Os pousa-pés adicionais têm uma função prática: oferecem uma posição de condução em pé, ideal para percursos fora de estrada, mais uma prova da versatilidade do modelo.

Em resumo, a Zontes 368G é uma scooter surpreendentemente completa, com vocação aventureira, bom desempenho e um nível de equipamento que envergonha muitas propostas acima do seu preço.

Pelo preço a que é proposta, é difícil encontrar melhor relação equipamento/preço no segmento.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Conclusão – Scooters de aventura

Num segmento cada vez mais competitivo, as scooters médias com aspirações aventureiras conquistam o interesse de quem procura versatilidade, conforto e um toque de irreverência na mobilidade diária.

Entre as opções mais marcantes destacam-se quatro propostas com personalidades distintas: BMW C 400 X, Honda ADV350, Zontes 368G e SYM ADXTG 400. Cada uma com argumentos sólidos, orientadas para perfis diferentes de utilizador.

A Zontes 368G é a surpresa do grupo. Apresenta-se com um conjunto de equipamento absolutamente invulgar no segmento: câmaras dianteira e traseira integradas, painel TFT com app dedicada, iluminação total em LED, vidro ajustável em altura, três pares de tomadas USB e proteções laterais metálicas.

Mas não é apenas um caso de forma sobre substância. O motor monocilíndrico de 368 cc oferece 38,7 cv e 40 Nm de binário, respondendo com suavidade e força suficiente para utilização urbana, extra-urbana e até autoestrada. A ciclística e travagem acompanham bem o ritmo, e a posição de condução, elevada e larga, aproxima-se de uma moto trail.

A única nota menos positiva reside nas suspensões algo secas e na dificuldade de apoio total dos pés no solo para condutores mais baixos. Ainda assim, pelo preço e pela dotação tecnológica, é a proposta com melhor relação equipamento/preço.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Já a SYM ADXTG 400 é talvez a proposta mais equilibrada e polivalente. Esteticamente robusta e bem proporcionada, destaca-se pela inclusão do sistema Hyper-VVS, um controlo de válvulas de abertura variável que adapta o motor às necessidades do condutor: comportamento dócil abaixo das 5.000 rpm e mais agressivo acima disso. O motor de 399 cc entrega 35 cv e 37 Nm de forma suave, sem vibrações, graças aos dois veios de equilíbrio.

A ciclística é bem estudada, com suspensões que conciliam conforto e controlo, mesmo em condução mais exigente. O controlo de tração e o ABS são parcialmente desligáveis, o que reforça a vocação aventureira. A posição de condução é confortável, tanto sentado como de pé, embora a largura do túnel central possa dificultar o apoio total ao solo em condutores de menor estatura. A ADXTG 400 não brilha por excentricidade, mas destaca-se pelo compromisso ideal entre performance, conforto, tecnologia e capacidade mista.

A Honda ADV350 continua a ser a escolha racional e refinada do segmento. Fiável, bem construída e com uma imagem moderna, oferece um equilíbrio notável entre conforto, ciclística e resposta do motor. Com 29 cv, o monocilíndrico da ADV 350 revela-se suficiente para a maioria dos cenários, com resposta progressiva e comportamento previsível. A suspensão de curso aumentado e a geometria bem afinada tornam-na competente tanto em piso urbano como em escapadelas por caminhos de terra.

Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

O controlo de tração e o ABS funcionam de forma eficaz e discreta. O único “mas” poderá ser o seu preço, um pouco mais elevado, e o facto de não ter o mesmo grau de equipamento que a Zontes ou a SYM. No entanto, continua a ser uma aposta segura para quem procura fiabilidade, conforto e um comportamento irrepreensível.

Por fim, a BMW C 400 X posiciona-se como a opção mais urbana e premium. A estética agressiva e o painel TFT (opcional) com conectividade total dão-lhe um ar tecnológico e sofisticado. O motor de 350 cc debita 34 cv e garante boas prestações, enquanto a ciclística sólida e a travagem potente asseguram confiança no trânsito citadino e em deslocações rápidas. Contudo, o espaço debaixo do assento é algo limitado (sem o sistema Flexcase) e as suspensões firmes comprometem o conforto em pisos irregulares.

Além disso, para se tirar o máximo partido da C 400 X, é necessário investir nos opcionais, o que pode tornar o preço final consideravelmente mais elevado. A C 400 X é, assim, a scooter ideal para quem valoriza imagem premium, comportamento desportivo e tecnologia de ponta, mesmo que à custa de alguma versatilidade.

Texto: Marcos Leal
Este comparativo foi originalmente publicado na Revista Motojornal #1584

Ficha Técnica – BMW Motorrad C 400 X Rugged
PREÇO: 8931 € (7582 € p. base)
MOTOR TIPO: monocilíndrico, 4T, 4 válvulas, refrigeração por líquido
CILINDRADA: 350 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 34 cv / 7500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 35 Nm / 6000 rpm
EMBRAIAGEM: automática centrífuga
CAIXA: variador contínuo
FINAL: por correia
QUADRO: tubular em aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha telescópica de 35 mm, com 110 mm curso
SUSPENSÃO TRASEIRA: dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola, 112 mm
TRAVÃO DIANTEIRO: dois discos de 265 mm, pinças de 4 pistões, ABS
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 265 mm, pinça de pistão simples, ABS
PNEU DIANTEIRO: 120/70 – 15”
PNEU TRASEIRO: 150/70 – 14”
COMPRIMENTO MÁXIMO: 2200 mm
LARGURA MÁXIMA: 837 mm
ALTURA DO ASSENTO: 775 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1560 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 12,8 litros
PESO: 193 kg (208 kg a cheio)
IMPORTADOR: BMW Motorrad Portugal

Ficha Técnica – Honda ADV350
PREÇO: 6740 €
MOTOR TIPO: monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido
CILINDRADA: 330 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 29 cv / 7500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 31,5 Nm / 5250 rpm
EMBRAIAGEM: centrífuga
CAIXA: variador contínuo
FINAL: por correia
QUADRO: tubular em aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha invertida de 37 mm, com 125 mm de curso
SUSPENSÃO TRASEIRA: dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola e 130 mm de curso
TRAVÃO DIANTEIRO: disco de 256 mm, pinça Nissin de duplo pistão, ABS
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 240 mm, ABS
PNEU DIANTEIRO: 120/70 – 15”
PNEU TRASEIRO: 140/70 – 14”
COMPRIMENTO MÁXIMO: 2200 mm
LARGURA MÁXIMA: 895 mm
ALTURA DO ASSENTO: 795 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1520 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 11,7 litros
PESO A CHEIO: 186 kg
IMPORTADOR: Honda Portugal Motos

Ficha Técnica – SYM ADXTG 400
PREÇO: 7999 €
MOTOR TIPO: monocilíndrico, 4T, 4 válvulas, distribuição de comando variável e refrigeração por líquido
CILINDRADA: 399 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 35 cv / 7000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 37 Nm / 5500 rpm
EMBRAIAGEM: centrífuga
CAIXA: variador contínuo
FINAL: por corrente
QUADRO: tubular em aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha telescópica invertida de 41 mm, 140 mm de curso
SUSPENSÃO TRASEIRA: monoamortecedor, com sistema progressivo, 115 mm de curso
TRAVÃO DIANTEIRO: disco de 275 mm, pinça de 4 pistões, ABS desconectável
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 233 mm, pinça de 2 pistões, ABS desconectável
PNEU DIANTEIRO: 120/70 – 14”
PNEU TRASEIRO: 150/70 – 14”
COMPRIMENTO MÁXIMO: 2166 mm
LARGURA MÁXIMA: 920 mm
ALTURA DO ASSENTO: 790 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1535 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 13 litros
PESO: 213 kg
IMPORTADOR: Moteo

Ficha Técnica – Zontes 368G
PREÇO: 5890 €
MOTOR TIPO: monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido
CILINDRADA: 368 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 38 cv / 7500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 40 Nm / 6000 rpm
EMBRAIAGEM: centrífuga
CAIXA: variador contínuo
FINAL: por correia
QUADRO: tubular em aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha telescópica invertida de 41 mm, 152 mm de curso, ajustável em compressão e extensão de hidráulico
SUSPENSÃO TRASEIRA: dois amortecedores, 114 mm de curso, ajustáveis em pré-carga da mola
TRAVÃO DIANTEIRO: disco de 300 mm, pinça de 4 pistões ABS
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 240 mm, pinça de pistão simples
PNEU DIANTEIRO: 110/70 – 17”
PNEU TRASEIRO: 170/70 – 14’’
COMPRIMENTO MÁXIMO: 2230 mm
LARGURA MÁXIMA: 925 mm
ALTURA DO ASSENTO: 770 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1560 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 17,5 litros
PESO A CHEIO: 203 kg
IMPORTADOR: Terra Bastos

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