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Contacto Aprilia Tuono V4 1100 Factory

A Tuono é uma desportiva despida. Bem neste caso, apenas em topless. A poderosa V4 parece assumir várias formas e personalidades e, como máquina demoníaca que é, está sempre a tentar levar o mais regrado dos meninos do coro para maus caminhos. Por alguma razão só existe uma escadaria para o céu, mas para o inferno existe uma auto-estrada… e esta moto não sobe escadas.

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TEXTO VITOR MARTINS • FOTOS MOTOJORNAL

Pecaminosa

Desde que em 2002 a Aprilia tirou algumas carenagens à sua superbike bicilíndrica RSV Mille e lhe colocou um guiador em vez de avanços, a Tuono começou a deixar a sua marca na história das naked desportivas. Dez anos depois recebeu o motor V4 da RSV4, bastante mais evoluído, e já carregado de electrónica, com a implementação do APRC (Aprilia Performance Ride Control). Ficou mais, potente, e mais refi nada, uma verdadeira superbike com guiador ligeiramente mais alto. Em 2015 o motor viu a sua cilindrada aumentar para os actuais 1077 cc, e este ano a versão Factory recebe o conjunto de suspensões electrónicas semi-activas Öhlins Smart EC 2.0.

Genes apurados

Esteticamente a Tuono não é muito diferente da RSV4, faltam-lhe apenas alguns paineis laterais da carenagem, e em vez de avanços tem um guiador que lhe proporciona uma posição de condução mais racional e confortável para o dia-a-dia. Ao contrário de uma verdadeira naked, a Tuono oferece protecção aerodinâmica que a torna mais confortável em auto-estrada. De resto é mesmo uma desportiva: modos de condução Sport, Track e Race, lap timer, limitador de pit lane, launch control, e uma personalidade irrequieta a que até o mais atinado escuteiro tem dificuldade em resistir.

Apesar da maior cilindrada, a Tuono tem menos 26 cv que a RSV4, mas isso não a impede de ser muito eficaz em circuito, ou que seja menos entusiasmante. Ao mesmo tempo, o comum dos mortais pode ir calmamente com ela ao pão. Porque apesar de estar sempre a soprar-nos ao ouvido ‘mais, mais!’, se resistirmos à tentação de cair em pecado, a Tuono deixa-se levar calma e docilmente até à missa de domingo, sem dramas.

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É como aquela(e) amiga(o) discretamente deslumbrante, cozinha bem, inteligente, com um nível de cultura geral invejável, ar misterioso, e que está sempre a tentar fazer-nos cair em tentação. E se não resistirmos é o deboche total. Isto porque o motor V4 é impressionante, não apenas nas prestações, mas nas sensações que transmite. Roda sem reclamação a baixas rotações, mas quando rodamos o acelerador, nossa senhora… o empurrão e a sonoridade são o tal suspiro ‘mais, mais!’ e valha-nos o wheelie control, o controlo de tracção e restantes santinhos electrónicos.

O quickshift torna as passagens de caixa limpas e rápidas à medida que o risco de perda de pontos na carta aumenta vertiginosamente, quando começamos a ver as chamas do inferno cada vez mais perto. Fazê-la gritar até as luzes no painel de instrumentos pedirem para engrenar a mudança seguinte torna-se viciante, e queremos mais. Get a room… ou melhor, uma pista, porque são coisas que não se devem fazer na via pública. É surpreendente como uma moto que se mostra tão dócil como um anjinho numa calma condução urbana, se transforma numa superbike demoníaca quando surge a oportunidade. E não só por causa do motor.

Dinâmica ímpar

A ciclística da Tuono é exemplar, pela estabilidade e maneabilidade que confere, e as suspensões semi-activas são uma mais-valia. Existem três mapas pré-configurados para as suspensões (Road, Sport e Track) e que podem ser personalizados. Se no modo manual a suspensão funciona como uma convencional – com a diferença que os ajustes são feitos electronicamente e não fisicamente – e são excelentes, mas é o modo semi-activo que é a estrela da companhia na principal novidade da Tuono V4 1100 Factory

A Aprilia trabalhou com a Öhlins no desenvolvimento do algoritmo da Smart EC 2.0, que tão facilmente digere as irregularidades da rua da cidade em baixa velocidade, como fornece firmeza e estabilidade a ritmo desportivo, transmitindo uma sensação de grande confiança em qualquer tipo de situação, à medida que vai fazendo a leitura de vários factores, incluíndo o tipo de piso e o modo de condução escolhido.

Ajustar cada parâmetro das inúmeras afinações possíveis, seja da electrónica do motor – APRC: efeito de travão motor, controlo de tracção, anti-cavalinho, launch control, quickshift, limitador do pit lane (que pode funcionar na cidade), cruise control – seja das suspensões é relativamente intuitivo através do menu do painel TFT colorido de 4,3 polegadas (não nos importávamos que fosse um pouco maior) e através do joystick e outros botões com funcionalidade específica ou com dupla funcionalidade: por exemplo, o botão do motor de arranque, quando o motor está em funcionamento, altera os modos de condução.

As possibilidades de ajustes são infindáveis, e permitem ao seu proprietário tirar o melhor partido do conjunto, seja em estrada, no dia-a-dia, seja em circuito.

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Surpreende

A Tuono é uma moto surpreendente e apelativa, especialmente por causa das sensações, incluíndo a confiança. Reforça-nos o gosto por andar de moto ao apelar a algo de primordial que vive dentro de nós e que é despertado por esta cumplicidade que é imediatamente gerada após os primeiros quilómetros, porque não há caprichos com que lidar nem hesitações para contornar. Simples e directa, compreensiva sem ser submissa. E tudo isto em grande conforto, e até protecção aerodinâmica proporcionada pela pequena carenagem frontal.

A posição de condução é bastante racional, e o assento bastante confortável, ao contrário do que é norma no segmento. Não há motos perfeitas, mas esta tem quase todos os requisitos para o ser. E se julgam que gostámos de tudo, fiquem-se com o seu grande defeito: não tem indicador de nível de combustível. E agora, Aprilia? Colocaram a fasquia tão alta, que arranjaram um problema para a sucessão desta geração da Tuono…

Ficha Técnica

APRILIA TUONO V4 1100 FACTORY
PREÇO 19 500 €
MOTOR  Quatro cilindros em V a 65°, 4T, refrigeração por líquido
DISTRIBUIÇÃO  Duas árvores de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro
DIÂMETRO X CURSO  81 x 52,3 mm
CILINDRADA  1077 cc
POTÊNCIA MÁXIMA  175 cv/11 000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO  121 Nm/11 000 rpm
EMBRAIAGEM  Multidisco em banho de óleo, deslizante
CAIXA  Seis velocidades
FINAL  Por corrente
QUADRO  Dupla trave em alumínio
SUSPENSÃO DIANTEIRA  Forquilha telescópica Öhlins Nix, Ø43 mm, curso 120 mm, electrónica semi-activa Smart EC 2.0
SUSPENSÃO TRASEIRA  Sistema monoamortecedor, amortecedor Öhlins, curso 120 mm, electrónica semiactiva Smart EC 2.0
TRAVÃO DIANTEIRO  Dois discos de Ø320 mm, pinças Brembo M50 monobloco de 4 êmbolos de montagem radial, Cornering ABS
TRAVÃO TRASEIRO  Disco de Ø220 mm, pinça Brembo de 2 êmbolos, Cornering ABS
PNEU DIANTEIRO  120/70 x 17
PNEU TRASEIRO  200/55 x 17
COMPRIMENTO MÁXIMO  2070 mm
LARGURA MÁXIMA  810 mm
ALTURA DO ASSENTO  825 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS  1450 mm
GEOMETRIA DE DIRECÇÃO  24,7º/99,7 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO  18,5 litros
PESO (EM ORDEM DE MARCHA)  209 kg
CORES  Prata/vermelho/preto, cinza/preto
GARANTIA  2 anos
IMPORTADOR  C. Machado, Lda.
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