InícioMotosContacto: Indian FTR1200/S

Contacto: Indian FTR1200/S

A espera terminou e finalmente podemos subir a bordo de uma das novidades mais aguardadas do ano, a Indian FTR1200. Uma agradável confirmação do que era esperado: uma moto muito divertida, com um motor muito disponível e uma ciclística muito válida.

-

Texto Domingos Janeiro • Fotos Félix Romero e Ula Serra

A Americana Mais Europeia

A Indian arrisca-se a ser um daqueles “case studies” apresentados em qualquer faculdade de marketing e Gestão, pelo trabalho feito na penetração da marca na Europa e pelo trabalho desenvolvido ao nível de novos modelos, que culmina agora com o lançamento da tão esperada FTR1200 que deixou de ser uma moto pensada para ser usada no mercado interno americano. Muito pelo contrário, o mais recente modelo da Indian, além de ampliar e diversificar a gama, pretende ajustar-se melhor aos parâmetros e exigências do mercado europeu, que em conjunto com o mercado do Médio Oriente e África (EMEA) representam o maior crescimento no volume de negócio da Indian, com um crescimento de 46%.

DESTAQUES
15 990€
1203 cc
123 cv
221 kg

 

A FTR1200 oferece exactamente o que o mercado europeu e global pede actualmente: estilo flat track (em plena força no que a moda e tendências diz respeito), boas sensações, polivalência e, acima de tudo, boas prestações, que permitam não só uma aprendizagem na condução, mas também a evolução das capacidades de cada utilizador, com uma moto simples e fácil de conduzir, mas com capacidades para levar os mais experientes a serem muito rápidos. Em termos de crescimento, a Indian actualmente apresenta um crescimento de 1% no mercado americano; 12% no Latino Americano; 34% no Internacional e 23% no Asiático.

Nasce uma estrela

Ou melhor, duas! Muito antes de 2016, ano em que Indian deu a conhecer ao mundo o seu regresso ao campeonato americano com a novíssima FTR750 desenvolvida em exclusivo para recuperar a equipa Wrecking Crew, já a marca americana preparava a sua jogada de mestre, antecipando o crescente aumento do interesse pelo flat track, principalmente fora da Europa, onde este estilo e disciplina não tinha tanta expressão. Assim, a par da 750 cc de competição, a marca nascida em Springfield revelou o modelo de produção, inspirada na FTR750 e que pretendia colocar, acessível ao mercado todo o espírito e herança da marca no que a este segmento diz respeito. E fê-lo agora de forma muito própria, dando assim início a um segmento praticamente novo e desconhecido. O desejo demonstrado pelo público por este modelo de produção, a FTR1200 foi imediato e quando foi mostrada, nesse ano, no salão de Milão, a marca ficou com bons indícios de que aqui poderia estar um novo “ovo de Colombo”.

- PUBLICIDADE -

Nos anos seguintes, o público continuou a demonstrar grande interesse e vontade de ver nova 1200 ao vivo e a cores, com a lista de interessados em fazer test drives a engrossar de dia para dia. Na competição, a estreia da equipa americana Wrecking Crew no campeonato americano de flat track não poderia ter corrido melhor, uma vez que se sagraram campeões. Em 2018, o sucesso foi ainda maior, com a Indian a vencer 17 das 18 corridas feitas nas ovais dos EUA. Só faltava mesmo a versão de produção definitiva! Ei-la aqui! Na verdade, o nosso colaborador Alan Cathcart já a havia testado em 2018 e cujo teste publicámos na edição 1444 de 23 de Novembro de 2018, como modelo de pré-produção, mas agora, tivemos a oportunidade de testar a versão final. Embora chegada aos concessionários só esteja agendada para o final do mês de Maio, no início do ano, os concessionários tiveram a oportunidade de mostrar ao vivo a nova FTR1200.

Interpretação própria

Naturalmente que um modelo com estas características e qualidade anunciada, foi de imediato alvo de comparações com outros modelos, de outras marcas, mas a verdade é que a nova FTR1200 criou o seu próprio espaço, sem “boleias” ou “cobiças”. O estilo flat track era praticamente desconhecido e uma “não” aposta por parte das marcas, com excepção para a eterna rival da Indian, a Harley- Davidson, através da XR1200, embora com características e especificações muito longe do que é esta FTR. Assim, a Indian começou a traçar o seu próprio caminho e para isso desenvolveu uma moto de raiz, com um motor totalmente novo e uma base ciclística que pode da origem a muitos e variados modelos, como aliás os representantes da marca fizeram questão de referir nesta apresentação mundial, que nos levou a atravessar o Oceano Atlântico, até Los Angeles.

Com vista a colocar a FTR acessível a todos os potenciais clientes e mercados, a Indian desenvolveu uma série de versões e níveis de equipamento que os clientes podem optar aquando da compra da FTR (ver caixa). No comum, todas as versões apresentam uma qualidade de componentes que fazem inveja, que tradicionalmente podemos encontrar nos modelos japoneses e europeus.

Qualidade

Basta olharmos para a FTR1200 para nos apercebermos de que tudo foi pensado ao pormenor e que nada aqui está fora do lugar ou menos conseguido. Tudo encaixa na perfeição, as linhas são modernas, desportivas e diferentes, com todos os elementos a encaixarem na perfeição e a complementarem-se, criando um todo e não diversas chamadas de atenção. Não é uma moto em que nos perdemos a contemplar os detalhes, apreciamos o todo, o que quer dizer que tudo está interligado, e bem! Das diversas versões que estavam à disposição dos jornalistas, tivemos a sorte de nos calhar a versão de topo, a FTR1200 S Race Replica, com todo o equipamento que é possível montarmos deste modelo de série, incluindo o escape Akrapovič.

A qualidade está igualmente espelhada nos elementos que compõem a ciclística, desde logo a forquilha invertida de Ø43 mm, totalmente ajustável e dourada (na versão base não tem ajustes e está pintada de negro), amortecedor traseiro também totalmente ajustável (só ajustável na pré-carga, na versão base); quadro em treliça em tubos de aço, nesta versão pintado de vermelho, assim como o braço oscilante, também ele desenhado com tubos de aço e na mesma cor. Nesta Race Replica, encontramos ainda a decoração a reproduzir a das motos campeãs americanas. Com excepção feita para a FTR1200 base, a S disponibiliza um painel de instrumentos LCD de 4.3”, com ecrã táctil; três modos de condução e controlo de tracção. No que diz repeito à travagem, contamos com dois discos de 320 mm, com pinças radiais da Brembo, com quatro êmbolos e tubos em malha de aço e um disco traseiro de 260 mm, da mesma marca, com pinça de dois êmbolos, com ABS desligável, em conjunto com o controlo de tracção. Para uma distribuição de peso mais equilibrada, o depósito de combustível estende-se para baixo do assento, deixando a frente liberta e com mais espaço para a caixa do filtro de ar, cujas entradas se encontram imediatamente à frente.

- PUBLICIDADE -

No que respeita a rodas e pneus, a nova flat tracker conta com jante de 19″ à frente e 18″ atrás, calçadas com pneus Dunlop DT3R, desenvolvidos em específico para a Indian. No painel de instrumentos, podemos encontrar uma tomada USB e nos comandos, encontramos, por exemplo, o cruise control, que vem de série.

Estreia do V2

Ou é, ou não é! Moto que é nova, não aproveita o que já está feito, e, especialmente neste caso, em que são esperadas prestações mais desportivas em relação ao que já existia na gama da Indian. Assim sendo, os americanos desenvolveram este bloco de dois cilindros em V a 60°, refrigerado a líquido, com 1203 cc e uma potência de 123 cv, empurrados por 120 Nm de binário. Injecção de combustível com sistema rideby- wire, embraiagem deslizante e caixa de seis velocidades.

Ready! Set! Go!

E aqui estamos nós, aos comandos de uma das motos mais esperadas por nós e pelo mercado para 2019! Esquecemos tudo o resto e focamo-nos apenas em desfrutar o máximo possível da FTR1200 e esperar que as estradas ao redor de Malibu cumpram com as promessas de grande diversão. Assim que nos sentamos notamos que não é uma moto baixa, como, efectivamente os 840 mm de altura ao solo deixavam antever e a jante de 19” instalada na frente. O arco das pernas também não ajuda, pois é largo, beneficiando o conforto oferecido pelo assento e devido ao próprio desenho do quadro que também não permitiria que fosse mais estreita neste ponto, em particular.

O centro de gravidade não é baixo, mas nota-se equilibrada, seja a baixas ou elevadas velocidades, fazendo aqui valer os 221 kg de peso a seco e a colocação peculiar do depósito de combustível, embora sacrifique a autonomia, pois os 13 litros de capacidade do depósito pouco nos darão para superar os 200 km, atendendo a que o consumo expectável rondará os 6 litros, que teremos que confirmar oportunamente num teste mais aprofundado quando tivermos a FTR1200 em Portugal. Mas como não é uma moto com grandes ambições turísticas, não será de todo um impedimento, muito pelo contrário, este novo modelo promete ser um autêntico sucesso de vendas, assim se materializem as intenções dos muitos interessados.

Posição de condução natural e descontraída, mais descaídos sobre a frente, com os pousa-pés a apresentarem uma colocação um pouco recuada mas sem causar qualquer desconforto ou “estranheza”. Engrenamos a primeira e notamos de imediato que a caixa de seis velocidades é um “mimo”, muito suave, precisa e tolerante, uma vez que mesmo quando abusamos, nunca reclama e cumpre de forma competente. O bloco surpreende pela disponibilidade e músculo que apresenta desde baixa rotação, apontando para as 5900 rpm o pico de binário. Depois de um dia aos seus comandos a fazer diversas experiências, notamos que o bloco dá preferência aos baixos e médios regimes, necessitando de recuperar fôlego, por breves instantes, nas recuperações desde baixa rotação. Também notámos que nas passagens rápidas de caixa, a injecção acusa essa rapidez. À medida que ganhamos confiança, notamos que afinal as primeiras três velocidades até são curtas, beneficiando assim os percursos urbanos e as estradas com curvas mais fechadas.

Por falar em curvas, sejam elas abertas e rápidas, lentas e fechadas, nunca reclama nem compromete, ao contrário do que esperávamos dos pneus flat track que a Dunlop desenvolveu em exclusivo para este modelo. E quando estão perto de atingir o limite, avisam! Devido à arquitectura do bloco, temos um cilindro colocado por baixo do assento e sentimos um pouco de calor, assim como na perna direita devido à proximidade da perna com o colector de escape, sem que no entanto se sinta exagerado ou desconfortável. Isso aplica-se também às vibrações, que se sentem, mas não incomodam. A capacidade de aceleração, na mudança correcta, é tão forte, que nas estradas mais reviradas damos por nós a sair de curva com a roda dianteira a querer descolar do chão.  

Directa e eficaz

É uma moto que não complica, tudo é fácil e intuitivo e a diversão é garantida, um motor poderoso mais fácil de dosear e com três modos de entrega de potência para ajudar, ABS e controlo de tracção desligáveis (em conjunto, pois não permite desligar estes sistemas em separado) e sistema de medição de inércia em seis eixos (IMU) com sistema anti-cavalinho e “cornering ABS”. A entrada em curva obriga-nos a ter que forçar um pouco a FTR a deitar, mostra-se um pouco lenta nas inserções em curva e nas transições de curva para curva, mas a partir dai, é desfrutar e desejar que as curvas não acabem. Travagem forte e fácil de dosear, com o ABS mais interventivo na roda traseira, onde temos menos tacto e por isso, mais expostos a exageros.

Fácil é também o manuseamento do painel de instrumentos, com 18 idiomas à escolha, entre eles o português, que pode ser operado através de toque no ecrã ou ainda através de dois comandos integrados nos punhos. Ópticas em LED com as luzes de presença na frente e atrás a fazerem um efeito muito elegante e moderno. Para o passageiro, o assento mostra-se um pouco curto, mas sufi ciente com pegas laterais para segurança. Nota ainda para os painéis laterais do falso depósito de combustível que podem ser substituídos para personalizar a FTR. Esta americana, convertida em europeia tem chegada prevista ao nosso mercado para o final de Maio e promete agitar as águas.

- PUBLICIDADE -

No que diz respeito a preços, a FTR1200 fixa-se nos 14 690€, a FTR 1200 S, nos 15 990€ e a FTR 1200 S Race Replica apresenta um preço de 16 590€.

Modelos, Versões e Pacotes

A Indian faz “all in” com a FTR1200, disponibilizando, logo à parti da três versões da  nova flat tracker. A versão base, a FTR1200, vem equipada com suspensões não  ajustáveis, apenas podemos alterar a pré-carga da mola, quadro pintado de negro,  painel de instrumentos pequeno, redondo e digital com ficha USB, óptica dianteira  sem moldura e escape com dois silenciadores de maiores dimensões.

A FTR1200 S já  monta o ecrã tácti l de 4.3” com possibilidade de sincronizar o telemóvel e a nossa música,  tomada USB; três mapas de potência, controlo de tracção e ABS desligável; suspensões  totalmente ajustáveis com forquilha pintada de dourado, pintura premium e  para-lamas e moldura da óptica pintada à cor do depósito. Por fim, a FTR1200 S Race  Replica, apenas acrescenta a pintura réplica da moto campeã americana de flat track,  quadro e braço oscilante pintados de vermelho e escape Akrapovič.

Além disso, a Indian coloca à disposição quatro colecções de acessórios: a Tracker (escape  Akrapovič de montagem alta; placa porta números lateral; assento tracker e tampa  do assento traseiro; punhos em borracha cinzentos estilo waffle; piscas com vidro  branco; pousa-pés rally e placa de matrícula elevada); Rally (escape e porta matrícula  de montagem elevada, assento aviador, tampas do depósito, pequeno ecrã deflector  na óptica dianteira, para-lamas dianteiro e traseiro, pousa-pés rally e jantes de raios);  Sport (Akrapovič lateral baixo, tampa do assento traseiro, tampas do depósito e paralamas  em carbono) e Tour (mala lateral, grelha de carga traseira, assento aviator, saco  de depósito e para-brisas).

Ficha Técnica

INDIAN FTR 1200/S/RACE REPLICA

 

PREÇO  14 690€/15 990€/16 590€
MOTOR TIPO  dois cilindros em V a 60°, refrigeração por líquido
DISTRIBUIÇÃO  duas árvores de cames à cabeça, 4 válvulas
DIÂMETRO X CURSO  102 x 73.6 mm
CILINDRADA  1203 cc
POTÊNCIA MÁXIMA  123 cv/8250 rpm
BINÁRIO MÁXIMO  120 Nm/5900 rpm
EMBRAIAGEM  multidisco em banho de óleo, deslizante
CAIXA  seis velocidades
FINAL  por corrente
QUADRO  treliça em tubos de aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA  forquilha invertida Ø43 mm, curso de 150 mm
SUSPENSÃO TRASEIRA  monoamortecedor, curso de 150 mm
TRAVÃO DIANTEIRO  dois discos Brembo de 320 mm, pinças radiais com quatro êmbolos, ABS
TRAVÃO TRASEIRO  disco Brembo de 265 mm, pinça de dois êmbolos
PNEU DIANTEIRO  120/70-19”
PNEU TRASEIRO  150/80-18”
COMPRIMENTO MÁXIMO  2287 mm
LARGURA MÁXIMA  n.d.
ALTURA DO ASSENTO  840 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS  1524 mm
GEOMETRIA DE DIRECÇÃO  26.3°/130 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO  13 litros
PESO (A SECO)  221 kg
CORES  preto (FTR1200); vermelho e preto (S); vermelho/branco (Race Replica)
GARANTIA  2 anos
IMPORTADOR  Polaris Spain
- PUBLICIDADE -