Contacto Yamaha R1/R1M

A Yamaha enfrentou as limitações impostas pela norma Euro5 decidida a não sacrificar todo o património conquistado pela sua R1. Declinada como anteriormente em duas versões, o resultado ultrapassa as expetativas. É, seguramente, a melhor de sempre!   

Texto Alberto Pires • Fotos Yamaha

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Em pista

Num primeiro momento sobressaem as novas formas da carenagem, e é real a menor incidência do vento nas nossas pernas. O ecrã da carenagem, alguns centímetros mais alto no centro, proporciona também um ligeiro acréscimo de proteção, o suficiente para conseguirmos uma postura desportiva a alta velocidade sem esforçar demasiado o pescoço. Esse conforto ajuda à concentração, permitindo-nos um maior rigor no cálculo dos pontos de travagem, já que o objetivo é esticá-los a cada volta que passa. Curiosamente, estava a custar-me sentir a intervenção da electrónica, apenas o “lift control” se fazia sentir ao não permitir que a roda dianteira levantasse mais de 20 cm. O “quickshifter” fazia-se esquecer, perfeito tanto em aceleração como nas reduções, mas a roda traseira fazia questão de não dar de si, nem de se anunciar. Só após a segunda grande atravessadela é que percebi que, provavelmente, não fui eu que safei a situação mas sim o controlo de tracção, que na posição menos intrusiva estava demasiado optimista para o meu nível de condução.

Num dos intervalos da sessão, após conversar com o Alex Lowes, e dele me ter dito que o deslizar era muito “consistente”, é que percebi que para as minhas capacidades seria melhor mudar o controlo de tracção para um nível mais previdente! O melhor estava ainda para vir, com três sessões de 20 minutos na R1M. Se a versão base já me agradou, a versão M impressionou-me. A Yamaha fez questão de lhe montar os slicks Bridgestone Racing Battlax V02, e em boa hora o fez, pois se a ideia é mostrar o potencial, que seja tudo o que tem para dar.

Algumas das caraterísticas mantiveram-se, nomeadamente o comportamento do motor ou a forma como as contribuições electrónicas se faziam anunciar, mas foi para mim uma novidade perceber a diferença de funcionamento proporcionada pelas suspensões pressurizadas da Öhlins. Mesmo num piso recentemente asfaltado, e ainda particularmente macio, parece que o forraram a cetim, como se andássemos em cima de uma nuvem. A entrada em curva é mais precisa mas menos forçada, a traseira afunda em câmara lenta à saída das curvas em aceleração e apesar de achar que já estava a ir demasiado rápido nas curvas rápidas não obtive qualquer sinal de preocupação por parte dos diferentes sensores eletrónicos de falta de juízo. Gostaria ainda assim de ter menos assistência na travagem.

A potência máxima é conseguida apenas com dois dedos, sem grande esforço, mas se quisermos forçar um pouco mais não adianta espremer a manete, só nos estamos a cansar. Resumindo, estas R1 são muito mais que a resposta possível à Euro5. O motor é progressivo, cheio, entusiasmante, a ciclística é fluida e sem estados de alma, a electrónica é “à la carte” e está toda ela envolta em materiais nobres. Relativamente à sua eficácia, julgo que é esclarecedor dizer que baixei o meu tempo em dois segundos, apesar de estar alguns anos mais “experiente”!

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