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Crónica de Rodrigo Ribeiro sobre a escolha e veículos elétricos

Rodrigo Ribeiro, advogado, ex-deputado e motociclista inveterado fala sobre motos elétricas e principalmente sobre liberdades: de escolha, de opção, de vida.

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Os veículos elétricos vs combustão, é um tema atual que as agendas políticas e mediáticas tentam empurrar constantemente em todos os que precisam de uma solução de mobilidade pessoal. O nosso amigo e cronista Rodrigo Ribeiro, advogado e defensor da causa motociclística desde há muitos anos, assina mais uma crónica “A Voz do Rodrigo”, publicada na Revista Motojornal #1590, já nas bancas e online em Fast-Lane.pt , que fala sobre a liberdade de escolha (na compra e produção) que deveria ser sempre o tema a discutir, nunca a imposição.

RODRIGO RIBEIROVEÍCULOS ELÉCTRICOS?! TALVEZ, OBRIGADO

O título desta crónica encerra na sua pontuação, naquela simples vírgula, todo o seu sentido.

Reparem que eu poderia antes ter escrito “VEÍCULOS ELÉCTRICOS?! TALVEZ OBRIGADO”, significando que talvez “obrigado por Lei” eu venha a ter que usar veículos eléctricos. Preferi contudo colocar uma vírgula, significando que talvez eu possa vir a usar um veículo eléctrico e que até agradeço essa POSSIBILIDADE, não a IMPOSIÇÃO.

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Só guardo a minha memória para coisas MUITO importantes e posso dizer-vos que até me recordo vividamente do exacto momento em que, pela primeira vez na minha vida, ouvi uma Ducati 916 a (en)cantar-me os tímpanos, lá para 1995, em plena marginal no Estoril. Eu estava numa esplanada que se silenciou só para ouvir aquele “som do demo” a aproximar-se e a passar por nós trovejando decibéis de um par de Termignoni e perfume de octanas.

Ou seja, “NÃO HÁ AMOR COMO O PRIMEIRO” e os motores de combustão interna “normais” serão sempre os meus preferidos. Dito isto, sempre acreditei que os MEUS GOSTOS PESSOAIS não devem obrigar ou condicionar seja quem for nas suas liberdades individuais. Ou seja, o facto de eu gostar de motores a gasolina, ser omnívoro ou ser heterosexual NÃO ME IMPEDE de defender a liberdade de qualquer outro que prefira motores alternativos, ser vegetariano ou ser homosexual.

Respeito as opções dos outros EXIGINDO que também respeitem as minhas. Na actualidade política, há diversos tipos de combustíveis já à nossa disposição para escolhermos: Gasolina, gasóleo, GPL, etanol, electricidade, etc… (Coloco de parte, para já, o hidrogénio por ainda não ter distribuição nem produção em escala). Ou seja, no momento político actual, é a electricidade que se coloca como a OPÇÃO mais “alternativa”.

Portugal não produz crude mas produz electricidade. Todavia, recordo que o facto dos utilizadores de veículos eléctricos invocarem serem mais baratos na COMPRA e na UTILIZAÇÃO se deve muito a opções políticas ao nível de impostos, taxas e benefícios (estacionamento, por exemplo) e não por serem, em si, mais baratos. De igual forma, a questão do impacto ambiental é ainda muito discutida, consoante a poluição produzida seja analisada na construção das baterias e produção da energia ou apenas na utilização do veículo em si.

Por tudo o acima exposto, acredito piamente que um Estado democrático e verdadeiramente livre não deve retirar uma liberdade de escolha aos seus cidadãos apenas por “opção ideológica” ainda não devidamente fundamentada.

Todos os combustíveis já em utilização, acrescendo o hidrogénio a médio prazo, PODEM E DEVEM COEXISTIR. Qualquer imposição de transição energética feita sem contemplar os vários tipos de combustíveis, os vários tipos de veículos já circulantes e os vários tipos de possibilidades económicas dos condutores prejudicaria bem mais do que beneficiaria a curto prazo.

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EM CONCLUSÃO: A estrada pode e deve continuar aberta a TODOS, respeitando e fazendo respeitar a livre opção de cada um. Basta haver bom senso, dizendo não ao fundamentalismo.

Rodrigo Ribeiro, autor da crónica A Voz do Rodrigo na Revista Motojornal

#PostScript: Há ainda, infelizmente, uma grande confusão entre o impacto ecológico dos motores eléctricos e o impacto ecológico das baterias que os costumam acompanhar. Talvez um dia vejamos veículos eléctricos a consumir a sua energia por indução da própria estrada, dispensando as tão criticadas baterias. Mas isso é um “sonho louco meu” que reservarei para uma crónica futura.

 

 

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