As motos podem ser muito mais do que um simples meio de transporte. E nem a chuva serve de desculpa para deixar de andar de moto! O nosso amigo e cronista Rodrigo Ribeiro, advogado e defensor da causa motociclística desde há muitos anos, assina mais uma crónica “A Voz do Rodrigo”, publicada na Revista Motojornal #1589, já nas bancas e online em Fast-Lane.pt , que também fala sobre os motociclistas que são embaixadores das suas terras e de Portugal.
Rodrigo Ribeiro – Quem anda à chuva… sorri
Escrevo estas linhas enquanto ainda estou a escorrer água da chuvada que apanhei para ir “ver as motos” a Borba. A data já estava fixada há muito tempo e a única surpresa foi mesmo a “TEMPESTADE CLÁUDIA” que se abateu sobre o país.
Sempre acreditei na célebre máxima que reza assim: “NÃO HÁ MAUS DIAS PARA ANDAR DE MOTO”. Ou seja, podemos andar de moto durante todo o ano e, diga-se de passagem, Portugal é bem capaz de ser o país europeu com melhor clima para as duas rodas. Não há pluviosidade forte durante quase nove meses por ano e também não costuma haver vagas de frio polar ártico, rajadas demoníacas ou relâmpagos com pontaria contra motociclistas.
Dito isto, só não anda de moto todo o ano… QUEM NÃO QUER. Estão no seu perfeito direito, mas escusam de falar como se não tivessem outra alternativa a não ser enfiarem-se num claustrofóbico carro ou transporte público… e chegar ao emprego com um guarda-chuva mais amassado e ensopado do que se tivessem continuado a fazer as suas vidas de moto DESDE QUE COM O EQUIPAMENTO ADEQUADO.
De igual forma, só não participa no “ASSOCIATIVISMO MOTOCICLÍSTICO” quem não quer. Estão no seu perfeito direito, mas escusam de falar como se não tivessem outra alternativa a não ser esquecer quem faz, quem tenta fazer, quem divulga o motociclismo, as suas terras, as suas causas.
Ao longo das últimas décadas, várias vezes elogiei o papel de “embaixadores” que os motociclistas têm. As nossas causas são reconhecidas por toda a Europa e, não raras vezes, algumas cidades têm nos seus grupos e moto clubes os melhores “embaixadores volantes” que poderiam desejar, sempre com o nome das suas terras nos dorsais. Há estrangeiros que só conhecem Portugal graças ao Moto Clube de Faro.
Há portugueses que só conhecem Góis graças ao Moto Clube local. E há centenas de sítios que muitos de nós, EU INCLUÍDO, só visitamos graças ao trabalho de motociclistas como nós, como tu ou eu, como qualquer um que dá o seu melhor.

Hoje, por exemplo, fiz 300 quilómetros de chuva com a “Tempestade Cláudia” à pendura NÃO pelo passeio, NÃO por um qualquer evento, NÃO pelo convite de qualquer Câmara Municipal… mas “apenas” para honrar a minha palavra e “dizer presente”, MAIS UM ANO, ao magnífico encontro de motos que a Manuela Ganga tem o cuidado de organizar na SUA terra, a alentejana cidade de Borba, sítio de BOM VINHO & BOA GENTE.
Portugal está cheio de motociclistas que dão o seu melhor, que investem o seu tempo, que gastam o seu dinheiro, que queimam pestanas e horas de sono “apenas” para tentarem deixar as suas terras um pouquinho melhor do que as encontraram. Por isso mesmo, sempre que eu encontro um Presidente de Câmara (seja de que terra for), um deputado (seja de que cor política for), um empresário local (seja de que atividade for), gosto sempre de enfiar em conversa: “O QUE É QUE TEM FEITO PELOS SEUS MOTOCICLISTAS”.
Ajudar iniciativas locais não é nenhum favor. É sim AGRADECER o trabalho que têm todo o ano e todos os anos. Não sei com quantos mais executivos camarários, deputados ou membros do Governo falarei durante os próximos tempos… mas já sei que voltarei a Borba no próximo ano.
Haja chuva ou haja sol, haja mais ou menos apoios, haja mais ou menos motociclistas, lá estarei apenas para dizer: “TENHO MUITO ORGULHO NO VOSSO TRABALHO”.
#PostScript: As “pessoas das motos” serão SEMPRE o mais importante para nós. Hoje, tagarelei sobre tudo e mais alguma coisa com a Manuela, a Tuxa e a Mara e, ao chegarmos a Borba e ao vermos já estacionada uma brutal Honda Goldwing amarela, o nosso primeiro instinto foi igualzinho. Todos pensámos “O XICO JÁ CHEGOU”. Infelizmente, é claro que não era a dele, mas é sempre dele que nos lembramos quando vemos um “avião amarelo de duas rodas”.
A razão é simples… PARA NÓS, UMA MOTO SERÁ SEMPRE MUITO MAIS DO QUE UMA MOTO.
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