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Dakar 2026 13ª Etapa – Final de loucos dá vitória a Luciano Benavides e KTM… por apenas 2 segundos!

Ricky Brabec deitou tudo a perder nos últimos quilómetros e vê Luciano Benavides vencer o Rali Dakar por apenas 2 segundos! Martim Ventura foi o melhor português.

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Mais de 4700 km disputados contra o cronómetro. Um total de quase 8000 km percorridos por terras da Arábia Saudita. E no final a vitória na 48ª edição do Rali Dakar ficou decidida por 2 segundos!

Um cenário que nem mesmo os mais audaciosos no que a previsões diz respeito arriscariam avançar quando na 12ª Etapa tínhamos Ricky Brabec (Monster Energy Honda HRC) a assumir a liderança, com uma estratégia brilhante, partindo para os últimos 105 km de especial da prova com uma vantagem de 3m20s para Luciano Benavides (Red Bull KTM Factory).

Porém, o Rali Dakar voltou a mostrar que uma corrida só termina quando se cruza a meta e que nesta prova em particular, a maior e mais dura prova de todo-o-terreno no mundo, qualquer erro é severamente penalizado.

E Ricky Brabec aprendeu essa lição da pior forma possível.

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Ricky Brabec

Tudo estava encaminhado para que o piloto americano da Honda tivesse um dia descansado e de absoluta consagração, o que seria a sua terceira vitória no Rali Dakar depois de ter conquistado vitórias em 2020 e 2024. Brabec partiu para a 13ª Etapa e última deste ano com uma boa margem para o seu maior rival.

Luciano Benavides teria de conseguir uma etapa perfeita e esperar por algum azar do seu adversário. O argentino tinha prometido, nas suas declarações no final do dia anterior, que não iria desistir e iria acelerar a fundo com a sua KTM 450 Rally até à meta, posicionada bem no coração do bivouac em Yanbu.

Com apenas 105 km por disputar neste último dia, Brabec arrancou confiante e Benavides sob maior pressão. Tudo parecia estar a correr normalmente, Brabec saiu 3 minutos antes de Benavides e começou a acumular os bónus de tempo que são dados ao piloto que abre pista. Benavides acabaria por apanhar o americano na sua Honda, que ainda assim não seria problema, ainda mais tendo em conta os bónus que acumulou.

Até aos derradeiros 19 km de especial desta 13ª Etapa tudo estava bem encaminhado para Ricky Brabec. Porém, um erro de navegação por parte do piloto da Honda acabou por alterar por completo a história deste Rali Dakar!

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Luciano Benavides

Luciano Benavides consegue ser o primeiro a chegar à meta, com Ricky Brabec a fazer o mesmo, mas 1m44s mais tarde. Isto significou que Benavides e a KTM ganharam, em termos brutos, 4m44s a Brabec e à sua Honda ao longo dos 105 km da especial da 13ª Etapa. Foi depois descontado o tempo de bónus que o americano acumulou (1m22s). Feitas as contas, Luciano Benavides ganhou 3m22s a Ricky Brabec.

Confirmados os resultados, isto significa que Luciano Benavides foi mesmo coroado campeão e vencedor do Rali Dakar 2026… por apenas 2 segundos!

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Esta é a vitória mais curta de sempre em toda a história do Rali Dakar, com Luciano Benavides a dar por completo a volta a uma história que já parecia estar escrita quando Ricky Brabec e a Honda colocaram em prática uma estratégia que parecia ser a vencedora. E teria sido, não fosse o erro de navegação do piloto americano que assim deixou escapar a terceira vitória no Dakar, enquanto a KTM consegue vencer pelo segundo ano consecutivo.

Para Luciano Benavides esta é a estreia no degrau mais alto do pódio. O argentino replica o feito do seu irmão, Kevin, que venceu há três anos.

Luciano Benavides

Luciano Benavides, Red Bull KTM Factory, vencedor do Rali Dakar 2026

“Ainda não consigo acreditar. Nunca deixei de sonhar. Acordei hoje cheio de energia e motivação, a pensar no que eu podia fazer e confiante, e essa foi a chave para este Dakar. Fiz isso por mim, e esta sensação é surreal. Vencer por apenas dois segundos é inacreditável. Cheguei a errar as duas últimas curvas e quase caí, por isso foi no limite, mas valeu a pena. Sinceramente, não consigo descrever este momento. Este é o meu nono Dakar e mostra que se uma pessoa nunca parar de sonhar, nunca parar de acreditar e continuar a lutar pelos seus objetivos, tudo é possível. Eu nunca desisti. Mesmo hoje, quando estava a perder tempo e vi o Ricky a forçar o ritmo, continuei a dizer para mim que não tinha acabado até o último quilómetro. No final, ele cometeu um pequeno erro e eu consegui. É simplesmente surreal. Vamos Argentina! Agora é hora de comemorar com a minha família, os meus amigos, os meus patrocinadores e todos os que me apoiaram durante todos estes anos para realizar este sonho”.

Ricky Brabec fica então com o 2º lugar, sendo que a Monster Energy Honda HRC vê ainda Tosha Schareina fechar o pódio do Rali Dakar à Geral.

Quanto à 13ª Etapa, Edgar Canet (Red Bull KTM Factory) foi o mais rápido nos 105 km da especial, batendo Luciano Benavides e Tosha Schareina. O primeiro por 6 segundos e o segundo por 47 segundos.

Canet, que começou a prova em grande com duas vitórias, não teve sorte durante a primeira etapa maratona e com isso viu a sua prova comprometida quando estava a discutir as primeiras posições. O jovem espanhol fecha o Rali Dakar em 32º e com três vitórias em etapas em 2026.

Martim Ventura

No que às cores nacionais diz respeito, Martim Ventura confirmou o seu 11º lugar à Geral e 3º lugar entre as motos da classe Rally2. O piloto de Cascais voltou a terminar uma etapa no Top 10, foi precisamente o 9º classificado na 13ª Etapa que se disputou inteiramente em Yanbu, e com isto consolidou-se entre a elite do rali raid e do Rali Dakar.

Ainda com uma grande margem de progressão no que a este tipo de provas diz respeito, Martim Ventura foi o segundo melhor ‘rookie’ do ano, apenas batido pelo seu companheiro de equipa Preston Campbell. Olhando para a história dos pilotos portugueses no Rali Dakar, vemos que apenas Hélder Rodrigues conseguiu ser melhor na sua estreia (9º em 2006). O que deixa excelentes indicações para o futuro do português que utiliza o #84 na sua Honda.

Refira-se ainda que neste ano de estreia tivemos Martim Ventura no Top 10 à Geral por 5 vezes, conquistou duas vitórias em Rally2, a primeira delas foi a primeira da história da Honda nesta classe, e o seu melhor resultado foi o 6º lugar na 2ª Etapa. Uma estreia que deixa ‘água na boca’.

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As cores nacionais estiveram ainda representadas por mais pilotos neste Rali Dakar.

Bruno Santos

O segundo melhor luso foi Bruno Santos. O piloto de Torres Vedras da equipa BS – Frutas Patrícia Pilar, com apoio da MomentoTT, fechou a 13ª Etapa com o 29º tempo. Este foi mesmo o seu pior resultado num dia do Dakar 2026, uma edição em que Bruno Santos voltou a mostrar que ser regular acaba por recompensar.

Aos comandos da sua Husqvarna 450 Rally, o #35 teve como melhor resultado o 19º lugar na 11ª Etapa. No final do seu terceiro Rali Dakar, Bruno Santos encerra a sua participação com o 17º lugar na classificação Geral e o 7º entre os pilotos da classe Rally2. O seu melhor resultado global nesta prova até à data.

Nestas contas finais do Rali Dakar 2026 temos ainda Nuno Silva. O piloto da Old Friends Rally Team foi fustigado com penalizações ao longo da prova. Uma delas de 35 horas! Naturalmente que o seu resultado final não estava em causa tendo em conta essas circunstâncias, mas Nuno Silva e a sua KTM 450 Rally Replica foram superando de forma heroica e com muita resiliência os obstáculos que foi apanhando nesta sua estreia.

Ao fim das 13 etapas temos Nuno Silva a fechar a sua participação com o 74º lugar na etapa. Na classificação final o piloto do #74 ocupa a 85ª posição.

Nota ainda para o domínio da KTM nas diferentes classes em competição.

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A marca austríaca venceu à Geral e em RallyGP por Luciano Benavides, venceu nas Rally2 por intermédio de Toni Mulec (BAS World KTM Team), na classe Original by Motul por Benjamin Melot (Esprit KTM), no troféu Júnior foi Konrad Dabrowski (Duust Rally Team), no troféu Veteranos por David Pabiska (SP Moto Bohemia Racing Team).

Só perdeu na classificação dos Rookies para a Honda, que venceu por Preston Campbell na frente de Martim Ventura e Khaliunbold Erdenebileg (BAS World KTM) colocou uma moto austríaca no pódio.

No que às vitórias em etapas diz respeito, o equilíbrio foi a nota predominante. KTM e Honda dividiram entre si as vitórias no Prólogo e nas 13 Etapas. Foram 7 vitórias para cada marca. Nenhum outro fabricante logrou ameaçar a KTM ou a Honda.

E, por fim, o piloto com maior número de vitórias. Para além das vitórias únicas de pilotos como Daniel Sanders (Red Bull KTM Factory), um verdadeiro resistente ao permanecer em competição mesmo tendo fraturado a clavícula e o esterno, Adrien van Beveren e Skyler Howes (ambos da Honda oficial), ou as duas vitórias de Ricky Brabec, temos três pilotos com 3 vitórias cada: Edgar Canet, Tosha Schareina e Luciano Benavides.

Daniel Sanders

Resultados do Rali Dakar – 13ª Etapa
1 – Edgar Canet (KTM) – 49m03s
2 – Luciano Benavides (KTM) +6 seg
3 – Tosha Schareina (Honda) +47 seg
4 – Michael Docherty (KTM) +50 seg
5 – Adrien van Beveren (Honda) +1m15s
6 – Skyler Howes (Honda) +1m46s
7 – Bradley Cox (Sherco) +2m49s
8 – Ignacio Cornejo (Hero) +3m11s
9 – Martim Ventura (Honda) +3m18s
10 – Ricky Brabec (Honda) +3m28s
29 – Bruno Santos (Husqvarna) +10m20s
74 – Nuno Silva (KTM) +29m42s

Rali Dakar – Classificação final
1 – Luciano Benavides (KTM) – 49H00m41s
2 – Ricky Brabec (Honda) +2 seg
3 – Tosha Schareina (Honda) +25m12s
4 – Skyler Howes (Honda) +56m41s
5 – Daniel Sanders (KTM) +1h03m15s
6 – Adrien van Beveren (Honda) +1H04m46s
7 – Ignacio Cornejo (Hero) +1H39m50s
8 – Ross Branch (Hero) +2H49m15s
9 – Toni Mulec (KTM) +2H57m18s
10 – Preston Campbell (Honda) +3h01m55s
11 – Martim Ventura (Honda) +4h34m33s
17 – Bruno Santos (Husqvarna) +6H22m34s
85 – Nuno Silva (KTM) +74H18m59s

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