Dakar: Alexandre Azinhais, à procura de um sonho.

Aquele que será o sonho de uma vida está prestes a começar para o piloto oriundo de Albufeira, piloto que teve um início tardio no mundo da competição, que passou inclusivamente pelo Campeonato Nacional de Velocidade, mas que encontrou o seu desígnio nas provas de TT e na sua paixão pelas competições onde se atingem os limites como é caso do Dakar. Alexandre é uma estreia no Dakar 2020 e um dos concorrentes que promete chegar ao fim, der por onde der.

Motojornal: Alexandre, sendo esta a tua primeira participação no Dakar o que representa para ti esta prova considerada a mais dura do mundo na modalidade Off- Road?

Alexandre Azinhais: A prova do Dakar representa dureza a todos os níveis, fisico, psicológico e também mecânico onde temos de gerir tudo para chegar ao fim. Por outro lado a alegria e liberdade porque quando estou montado na mota no meio do deserto sou simplesmente feliz. Adoro o que faço !

MJ: Para que possamos ficar a conhecer-te melhor podes dar a conhecer um pouco mais qual é o teu background no mundo do TT?

AA: O meu historial no mundo TT começa em 2011 como treino complementar à velocidade, onde fiz o campeonato nacional por três anos. Desde então fiz várias Bajas Nacionais , dois Rallyes de Merzouga em Marrocos , um Sahari Algérie Rally , um Intercontinental e uma Africa Ecorace.

MJ: Certamente que terás de ter reunido um conjunto de apoios vitais para estares presente na prova. Queres falar sobre esses apoios?

AA: Tenho o apoio logistico e de assistência do Club Aventura Toureg do qual faço parte da equipa, tenho apoio da RS Motos que foi quem fez a preparação da mota, tenho o apoio da Motoglobo com equipamento. Além disso toda a minha preparação física e fisioterapia foi feita no Sermais em Albufeira através de personal trainers e fisioterapeutas especializados em alta competição.

MJ: Em que consistiu a tua preparação para o Dakar? Tiveste ajuda de alguém com mais experiência na prova?

AA: Já comecei a minha preparação a sério desde Março. Infelizmente não deu para fazer provas este ano devido  à pandemia que vivemos. Treinei muito a condição fisica e andei muito de mota na serra Algarvia. Marrocos este ano esteve fora da equação. Treinei com a equipa Club Aventura Toureg em Espanha onde fiz o Hispânia Rally no mês de Outubro.

MJ: Quem é que serve de inspiração para estares a alinhar no Dakar? Tens algum piloto que te sirva de modelo?

AA: O Toby Price !!!  N° 1 tanto como piloto e como pessoa também. Por cá tenho um especial apreço pelo Bernardo Villar. Conheci o Bernardo no meu primeiro Merzouga Rally onde estávamos ambos com a assistência do Pedro Bianchi Prata. Dei uma queda onde desfiz a torre de navegação e a parte eléctrica da mesma. Consegui chegar a uma zona de neutralização onde estava o Bernardo com a sua mota avariada e fora de corrida. Comecei a tentar arranjar a mota . O Bernardo prontificou-se a ajudar quando a organização do evento disse que não poderia haver ajuda externa. Nisto vejo o Bernardo exaltado aos gritos com eles  : “Moi Pilote,  No Probleme” no qual os demoveu da sua decisão. Resolveu em 5 minutos o que eu faria numa hora . Quando acabou virou-se para mim e disse : vai andar de mota, diverte-te ! Passados 10 anos digo outra vez: obrigado Bernardo !

MJ: Que tipo de desafios esperas numa prova deste estilo e se te sentes totalmente preparado para os enfrentar?

AA: Sinto-me preparado. Tenho noção que é uma prova muito exigente mas como já disse gosto do que faço. Sou daqueles que levam tareia e acabam com um sorriso na cara. A mota foi toda preparada ao pormenor para minimizar avarias indesejáveis. Esperemos que corra tudo pelo melhor.

MJ: A pandemia também teve alguma influência na tua preparação? Tinhas planeado fazer algum Rally antes de alinhares?

AA: A pandemia obviamente teve uma grande influência na minha preparação . Não treinei em Marrocos como habitualmente faço. Faz sempre diferença antes de uma prova destas treinar  areia e dunas em puro deserto. Tive de compensar com o treino fisico e andar por cá o máximo possível. Planeava fazer o Morrocco Extreme mas não aconteceu.

MJ: Porque razão pensas que os pilotos portugueses se sentem tão à vontade neste tipo de provas?

AA: A nível de TT vivemos no paraíso. Podemos treinar de mota em qualquer lado desde que não seja vedado ou zona verde. Como sabemos no resto da Europa isso já não é possível. Marrocos está aqui ao lado, ideal para treinar no deserto, além disso o Tuga tem raça , não é ?

MJ: Qual é a tua experiência  com a  KTM Rally que vais levar ao Dakar?

AA: Esta moto já me acompanhou em várias aventuras: Africa Ecorace, Sahari Algerie e no Intercontinental. Já é conhecida, mas como é natural fêz-se a devida manutenção para evitar  possíveis problemas. Juntos chegaremos ao fim!

MJ: Sendo esta tua participação no Dakar um projecto de vida haverá certamente alguém a quem queiras agradecer?

AA: Queria agradecer especialmente à minha família, ao meu staff e aos meus amigos por todo o apoio que me deram, que em momentos de dúvida foram eles que me impulsionaram para a frente. Obrigado!!!