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Ducati Riding Camp – Quando o saber não ocupa espaço

A Ducati aliou-se à MAC Escuela de Conducción de Miguel Ángel Castilla, antigo piloto do Mundial de Velocidade. Nasceu assim o projeto Ducati Riding Camp com apoio oficial da marca de Borgo Panigale que passou pelo Autódromo Internacional do Algarve. Um curso para todos os que querem aprender novas técnicas de condução com instrutores dedicados.

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Saber não ocupa espaço. Esta é uma daquelas expressões que todos nós já ouvimos em algum momento das nossas vidas. E o seu significado é bastante simples: aprender coisas novas não ocupa espaço na mente, nem vai deixar a mente mais cansada a ponto de não ‘caber’ mais nada. E se aplicarmos este provérbio à formação de motociclistas, então a relevância desta expressão sobe para patamares ainda mais elevados.

E foi com isto em mente que, a convite da Ducati Espanha e Portugal, fui até ao Autódromo Internacional do Algarve (AIA) para participar no novo projeto Ducati Riding Camp.

Trata-se de um projeto que a marca de Borgo Panigale criou em parceria com Miguel Ángel Castilla, antigo piloto do Mundial de Velocidade e que fundou a MAC Escuela de Conducción como forma de transmitir aos motociclistas espanhóis os conhecimentos e ferramentas para conduzirem melhor as suas motos, em estrada e na pista.

O Ducati Riding Camp surgiu este ano – saiba aqui todos os detalhes – como forma da marca reforçar a sua vontade de garantir que os motociclistas têm à sua disposição cursos de condução em pista que lhes passam novos conhecimentos.

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ducati riding camp

O calendário de cursos para 2026 inclui 6 eventos, a grande maioria em Espanha.

Porém, os portugueses não foram esquecidos e o Ducati Riding Camp visitou mesmo o AIA para uma primeira edição. E a resposta dos motociclistas ávidos de aprenderem novas técnicas de condução não podia ser melhor: esgotaram as inscrições! O que, neste caso, é o mesmo que dizer que tivemos 30 alunos nas boxes do circuito algarvio.

Um ponto importante a ter em conta nestes cursos é que, apesar de contarem com o apoio oficial da Ducati, que fornece as motos – Hypermotard SP, Panigale V4 R e V2, Streetfighter V2, Multistrada RS – à simpática equipa de instrutores do Ducati Riding Camp, qualquer moto é aceite nesta escola!

Entre os inscritos, claro, as Ducati, incluindo a minha Streetfighter V2 S disponibilizada pelo importador nacional, estavam em maioria. Mas encontrei aspirantes a pilotos profissionais montados em BMW, Yamaha ou até KTM.

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Da pista para a box, da prática para a teoria

Com uma organização impecável desde o momento em que confirmamos a nossa presença através da inscrição online, o Ducati Riding Camp passa para os inscritos uma sensação de estarmos em família.

Antes de partir para o AIA já tinha recebido todas as indicações relevantes, como os horários do curso, além das informações de segurança, como o tipo de equipamentos que são permitidos. Confesso que, apesar de já andar em pista há muitos anos, não conhecia nenhum dos membros da MAC Escuela de Conducción. E desde o primeiro contacto já na zona de receção dos inscritos no AIA, senti-me como parte da família.

O dia do Ducati Riding Camp é longo. E começa logo de manhã bem cedo com o obrigatório briefing de segurança e onde os detalhes das atividades em pista e nas boxes são transmitidos aos alunos. Os alunos são divididos por grupos de acordo com o seu nível de experiência, sendo que ao longo do dia existem momentos em que os experientes instrutores podem trocar um aluno de nível, caso necessário.

Estes ajustes aconteceram mais frequentemente do que eu vi acontecer noutros cursos deste tipo, o que ajudou a que as sessões em pista fossem mais fluidas e benéficas para todos.

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Por exemplo, no meu caso. Mesmo tendo eu deixado em aberto a hipótese de ficar inserido num grupo de andamento mais ‘calmo’, a organização, devido a eu já ter bastante experiência em pista e conhecimento do AIA, acabou por me incluir no grupo dos mais rápidos, onde figuravam superdesportivas de ‘grande calibre’ com bem mais de 200 cv.

A minha Streetfighter V2 S fez os possíveis e impossíveis para não me deixar mal visto, mas obrigou a andar sempre no limite, todas as voltas de cada sessão, para os conseguir acompanhar.

O andamento do grupo não era significativamente afetado na maior parte do tempo, mas na reta da meta, invariavelmente, eu ficava para trás. Após o almoço, depois de conversar com o Miguel Castilla, troquei para o nível abaixo. E todos ficámos mais tranquilos. Os rápidos porque puderam manter sempre o ritmo, e eu porque deixei de ser obrigado a rodar sempre no limite para acompanhar o grupo.

E isto aconteceu porque eu pedi. Mas caso os instrutores detetem que os alunos estão a sentir dificuldades em acompanhar o ritmo de um grupo mais rápido, ou caso os alunos apresentem andamento para subir na hierarquia, também farão as suas sugestões de forma a equilibrar ao máximo os andamentos de cada grupo. O que, invariavelmente, torna toda a experiência bem mais aprazível e eficaz do ponto de vista da aprendizagem.

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O Ducati Riding Camp está dividido em sessões em pista e sessões teóricas nas boxes. São muitas sessões e com pouco tempo entre elas, o que nos obrigou a correr de um lado para o outro para podermos participar em todas as aulas.

Uma das situações que podem e devem ser revistas são os horários, para permitir aos alunos algum tempo para descansar e assimilar tudo o que está a acontecer.

Na pista, tudo decorre de forma controlada, com os alunos a circularem atrás do instrutor, rodando entre si cada vez que passamos na reta da meta. Assim, todos têm a oportunidade de rodar atrás do instrutor, tentando replicar os seus movimentos e trajetórias.

Esta fórmula apenas se altera nas sessões de gravação de vídeo, quando, à vez, um aluno de cada grupo assume a liderança e o instrutor se posiciona atrás a gravar a volta.

No que às sessões em pista diz respeito, de uma forma geral, tudo decorre normalmente.

Mas surgem alguns problemas, pois todos os níveis de andamento, desde os mais lentos aos mais rápidos, rodam em simultâneo. Isto provoca que os mais rápidos tenham sido obrigados a dobrar os mais lentos várias vezes, causando momentos de maior stress, pois há sempre alunos que saem da trajetória.

Situação que seria evitada se cada nível de andamento tivesse a sua sessão em pista.

Mas fora da pista também temos muito para aprender. Após cada sessão prática no ondulante traçado algarvio, os alunos juntam-se aos respetivos instrutores de forma a passar pela formação teórica. É aqui que ‘bebemos’ toda a experiência dos 30 anos de existência da MAC Escuela de Conducción. Técnicas de travagem, posicionamento na moto, como preparar uma curva ou a saída de curva.

Há inclusivamente sessões dedicadas exclusivamente aos travões e tecnologias associadas a este elemento de segurança, bem como uma sessão dedicada à aprendizagem das trajetórias ideais para uma volta rápida ao AIA. Diria que, a este nível, faltou apenas passar para os alunos outras ideias, como pontos de referência no circuito, fundamentais para quem anda de moto em pista, para se poder relacionar com a própria pista e saber onde travar ou entrar em curva.

Tudo isto é transmitido aos alunos de forma clara, mesmo que a língua ‘oficial’ do Ducati Riding Camp seja basicamente o castelhano, com algum português à mistura, cortesia do aluno / tradutor Nelson Costa, um algarvio que já há muito faz parte da família da MAC.

No final das atividades em pista, a box principal do Ducati Riding Camp torna-se num palco onde os alunos recebem, orgulhosamente, os seus diplomas que comprovam a participação com sucesso no curso. Os sorrisos dizem tudo. E, para aqueles alunos que mais se destacam, existem inclusivamente alguns troféus para levar para casa!

Com um preço de inscrição que varia entre os 235€ e os 445€ (mais seguro e serviço de fotos é extra), alimentação incluída para recuperar energias à hora de almoço, bem como muitos snacks e bebidas espalhadas pelas boxes, diria que o Ducati Riding Camp é uma ‘ferramenta’ útil e valiosa para aumentar os nossos conhecimentos técnicos.

Particularmente no caso dos motociclistas menos experientes. E a promessa que me foi feita pelo Miguel Ángel Castilla é de que para o ano voltam ao AIA… e talvez com mais do que apenas uma data.

Entrevista Miguel Ángel Castilla: O líder da família MAC / Ducati Riding Camp

Aproveitando a nossa participação no primeiro Ducati Riding Camp no Autódromo Internacional do Algarve, não podíamos regressar a casa sem antes falar com Miguel Ángel Castilla.

Para os mais novos, este nome não será propriamente conhecido. Mas para os motociclistas apaixonados pelo Mundial de Velocidade nos anos 90, Miguel Ángel Castilla será um nome conhecido.

Nascido em 1969 e natural de Jerez de la Frontera, em plena Andaluzia, Miguel Ángel Castilla decidiu seguir a sua paixão até que atingiu o auge ao competir na categoria 250 cc do Mundial de Velocidade entre 1993 e 1995. Uma lesão no antebraço direito ditou o fim da sua carreira mundialista com apenas 25 anos de idade. Mas a sua paixão pelas motos acabaria por levar este espanhol a dedicar-se ao ensino de outros motociclistas.

Iniciou a sua escola MAC numa altura em que os motociclistas não tinham ferramentas profissionais para aprimorarem as técnicas de condução de moto. Aos poucos, a escola foi crescendo, evoluindo na forma de ensinar, sendo que atualmente organiza cursos em parceria com a Ducati. Os denominados Ducati Riding Camp.

Mais do que um instrutor ou antigo piloto do mundial, Miguel Ángel Castilla é o líder da família MAC e do Ducati Riding Camp.

 

Revista Motojornal – Foste piloto de motos profissional. O que te fez passar de piloto a instrutor?

Miguel Ángel Castilla – Quando terminei a minha carreira desportiva, em 1995, no Mundial de Velocidade, sofri uma lesão num braço e queria continuar a competir com motos, mas não o conseguia fazer a um nível competitivo. Nesse momento tinha o interesse em partilhar a experiência que adquiri com outros motociclistas. É preciso recordar que naquela altura, em 95, não havia formas de aprender a conduzir moto. Os motociclistas tinham de ser autodidatas. Foi então que decidi partilhar a minha forma de ver a condução de uma moto com outros motociclistas, através dos cursos de condução. Sentia-me altamente recompensado por fazer este trabalho. Pouco a pouco, aprendi a ensinar, aliás, cada dia aprendo a ensinar, e dei-me conta que é uma forma diferente de desfrutar das motos e dá-me muita satisfação.

Revista Motojornal – Do ponto de vista do ensino, gostas mais de ensinar os menos experientes ou os mais experientes?

Miguel Ángel Castilla – Gosto de ensinar pessoas com pouca experiência. São mais agradecidas. Pessoas que não sabem, aparecem muitas vezes com medo, mas com muita paixão pelas motos e ao mesmo tempo com medo. Então, quando lhes ensinas alguma coisa, mesmo que seja uma coisa pequenina ou insignificante, ficam logo com uma cara de felicidade e começam a conduzir com segurança e a desfrutar da moto de uma forma como sempre sonharam, mas que não conseguiam. Estas pessoas são aquelas que me transmitem um nível de satisfação muito maior e é com elas que mais gosto de trabalhar.

Revista Motojornal – Quais são as maiores dificuldades nos motociclistas que se inscrevem nos teus cursos e no Ducati Riding Camp?

Miguel Ángel Castilla – Há vários níveis. Mas no nível mais básico, quando uma pessoa sente medo perante alguma situação e entra numa situação de bloqueio. Dar-lhe a conhecer a forma de enfrentar essa situação e ver como são capazes de eliminar esses medos e começam a conduzir, é uma das primeiras coisas que encontramos na nossa escola de condução.

Revista Motojornal – Nem sempre tiveste a Ducati como parceira nos teus cursos. O que é que tens agora a mais, que antigamente não tinhas?

Miguel Ángel Castilla – A Ducati trouxe-nos segurança e facilidades. Neste momento temos o apoio a 100% da Ducati. Enviam-nos as motos novas, de última geração, com todas as ajudas eletrónicas e que nos deixam trabalhar com muita facilidade. Por outro lado, temos um produto de uma enorme fiabilidade e muito fácil de conduzir. Por isso estamos muito contentes. Além disso, este projeto é muito importante para a Ducati e isso dá-nos ânimo para continuar a procurar chegar a novos locais, como aconteceu este ano que viemos até Portimão pela primeira vez. A Ducati tem um enorme interesse em permitir que os motociclistas de Portugal também possam desfrutar desta experiência. Fizeram uma aposta muito grande para estarmos aqui (no AIA).

Revista Motojornal – Vamos ter mais cursos aqui em Portimão?

Miguel Ángel Castilla – Este ano de 2026 não. Viemos aqui pela primeira vez, tivemos de superar muitas coisas para chegar aqui. A minha equipa veio aqui antes para treinar, preparar tudo o que fazemos no curso, como o material didático, os vídeos, etc. Eu penso que o nível de satisfação das pessoas foi muito bom, a equipa também está contente e acredito que a Ducati também está satisfeita. Por isso, acredito que no próximo ano poderemos voltar a estar aqui em Portimão e a desfrutar do curso de condução como é o Ducati Riding Camp.

Revista Motojornal – O facto do Ducati Riding Camp ser um evento aberto a proprietários de motos de outras marcas que não a Ducati, do teu ponto de vista isto é bom?

Miguel Ángel Castilla – Sim, penso que isto é perfeito. É preciso entender que no motociclismo somos uma família, não somos uma marca. Somos uma família. A Ducati foi a marca que disse que era preciso apostar na segurança, ajudar os motociclistas a entenderem como é que funciona uma moto através desta ferramenta. Na verdade, isto não é para ajudar apenas os Ducatistas, é ajudar quem anda de moto. A Ducati é uma marca que está a fabricar motos há 100 anos. Nestes anos todos apaixonaram muitos motociclistas. Esta paixão é a de trazer algo de positivo ao mundo das motos, não só aos Ducatistas, mas também ao mundo das motos de uma forma geral. Esta escola, o Ducati Riding Camp, é uma oportunidade para qualquer pessoa que ande de moto. Não tem de ser, necessariamente, numa moto Ducati. Qualquer pessoa com qualquer moto pode aparecer nesta escola e aprender como desfrutar da moto.

Galeria de fotos Ducati Riding Camp @ Autódromo Internacional do Algarve

Texto: Bruno Gomes
Fotos: Sensa Photo

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