A Scrambler foi desenhada a pedido dos irmão Berliner, importadores da Ducati para os Estados Unidos nos anos sessenta. Queriam uma moto que se adaptasse aos gostos muito particulares dos motociclistas americanos. O contacto inicial foi estabelecido por Giorgio Monetti – famoso pela sua volta ao mundo na companhia de Leopoldo Tartarini – que nesse momento passou a chefe de vendas da Ducati. Ficou acordado que a moto teria de ser prática, tendo sido confiado a Renzo Neri o trabalho de a desenhar. Neri, além de ser chefe do departamento técnico, era também conhecido por ter um traço fácil e as linhas do depósito, assento e guarda-lamas são de sua autoria. A primeira Scrambler entrou em produção em 1962 e não parou de evoluir até 1968, quando foi lançada a Scrambler definitiva com carter grande seguida das versões de 250, 350 e 450.

A primeira série Scrambler incluía algumas motos com distribuição desmodrómica e foram objecto de evoluções técnicas constantes até ao final da sua produção em 1975. Por muitas razões a Scrambler fio um grande sucesso. Primeiro por que encarnava o espírito rebelde e nada convencional dessa altura. Também no seu tempo contava com um quadro excepcional, de tal maneira que era bom para ser usado em competição. Também contava com um motor desenvolvido especificamente para seu uso de grande rendimento e a posição de condução central, converteu-a numa das motos mais agradáveis de utilizar. Por último mas não menos importante a sua imagem era genial: as linhas arredondadas de estilo clássico e moderno, misturavam-se na perfeição com as cores berrantes e os muitos cromados.

O primeiro modelo da Scrambler é por vezes entendido, no mundo motociclístico, como o ponto de encontro entre as escolas de desenho europeia e americana. Foi uma moto que definiu uma era e garantiu uma grande visibilidade à Ducati nessa era. É algo que volta a repetir-se nesta segunda década do século XXI. O grande alcance que a Ducati está a conseguir com esta nova Scrambler é a repetição de uma história de sucesso.