Editorial #1460: O espectáculo vai começar!

Leia o Editorial de Domingos Janeiro, jornalista e Diretor da Revista Motojornal para a edição Nº1460 - 5 julho de 2019

Editorial Revista Motojornal Nº1460

Domingos Janeiro | Director

Depois de tudo o que aconteceu, com o grande revés que a recém criada Taça do Mundo FIM MotoE sofreu com o incêndio em Jerez, em Março passado, tudo parece estar a postos para a primeira corrida, que tem lugar já no próximo fim-de-semana de 5 a 7 de Julho, no traçado alemão de Sachsenring. Todos parecem ter ficado “encantados” com a primeira simulação de corrida feita em Valência, pelo que é com natural expectativa que é esperado este arranque de temporada e de uma nova competição. Também para nós, público, este início de MotoE é aguardado com grande ânsia, principalmente para vermos e ouvirmos as sensações do futuro, sem praticamente ruido em pista. Esse é o grande tema de debate e de divisão de opiniões! Naturalmente que o barulho das motos tradicionais é um dos principais factores de entusiasmo dos aficionados e mesmo quando estamos a chegar perto de um circuito e começamos a ouvir ao longe as motos, começamos logo a ficar com um nervoso miudinho. Isso perde-se, inevitavelmente, mas podemos ganhar outras coisas, outros “jogos” como assistimos na Formula E, onde toda a envolvência e abordagem que a FIA tem dado à classe parece estar a resultar. Vamos esperar para ver como vai ser na MotoE. No entanto, o caso muda de figura para os pilotos, que saem, quase todos, agradados pela experiência, pois têm sensações que quem está de fora jamais terá e se acabam com o barulho, fica mais difícil para quem vê. Que comece o espectáculo!

Notícias de acidentes são sempre de lamentar, e quando envolvem finais trágicos, abalam-nos de forma avassaladora e implacável! A Ducati, considerada uma das rainhas da famosa “rampa” americana Pikes Peak, atravessava um momento de alegria e motivação, aproveitando a ocasião para apresentar em grande a nova V4 Streetfighter, com o carismático e quatro vezes vencedor desta competição, Carlin Dunne, aos seus comandos. A ideia era apresentar a nova Ducati, com uma vitória avassaladora em Pikes Peak, mas quis o destino, cruel, deixar este momento de festa e histórico na história da Ducati manchado de sangue! Depois de três subidas aos comandos da nova V4 Streetfighter, na derradeira subida, Dunne despistou-se a pouco mais de 400 m da chegada ao topo da montanha, num acidente que acabou por ter consequências trágicas para o piloto de 36 anos. Esta foi, lamentavelmente, a primeira morte em 97 anos de história de Pikes Peak, entre os pilotos de moto, que abre de imediato o debate sobre as questões de segurança nesta prova, que antes se disputava em terra batida e cujo traçado evoluiu para o alcatrão. Um abre olhos, que volta a mostra o quão frágeis somos…

 

 

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