Depois de três meses afastado da competição devido a lesão, Ruben Ferreira voltou a colocar o capacete, alinhou na primeira prova do Campeonato Nacional de Enduro Sprint – Moto Espinha 2026 e terminou exatamente onde tinha ficado na temporada passada: no primeiro lugar.
Mas esteve longe de ser uma vitória tranquila. O piloto da KTM teve em Diogo Ventura, aos comandos de uma Beta, um adversário à altura durante a estreia de Paranhos da Beira no calendário nacional.
No final, depois de um dia disputado debaixo de temperaturas elevadas, apenas 2,6 segundos separaram os dois primeiros classificados da Elite. Um início de campeonato que deixa desde já boas indicações para aquilo que poderá acontecer nas próximas jornadas.
Paranhos da Beira estreia-se com quase 120 pilotos
A temporada de 2026 começou num cenário novo. Paranhos da Beira, no concelho de Seia, recebeu pela primeira vez o Enduro Sprint nacional, numa organização da associação Talentos Objetivos.

A direção da prova ficou entregue a Mário Patrão, que desta vez desempenhou também o papel de anfitrião, recebendo a caravana da modalidade na sua terra. E a estreia teve adesão significativa, com quase 120 pilotos presentes.
O forte calor tornou a jornada ainda mais exigente, num percurso caracterizado pelo piso duro e por zonas entre olivais e vinhedos. Foi neste cenário que Ruben Ferreira iniciou a defesa do título conquistado em 2025.
Ruben Ferreira regressa e ganha imediatamente
Depois de uma paragem forçada de três meses, havia naturalmente alguma expectativa sobre o nível competitivo que Ruben Ferreira conseguiria apresentar no regresso. A resposta foi dada pelo cronómetro. O piloto da KTM foi o mais rápido da classe Elite, mas teve de lutar até ao fim com Diogo Ventura.

Ferreira terminou com apenas 2,6 segundos de vantagem sobre o piloto da Beta, uma diferença mínima que mostra como foi apertada a disputa pela primeira vitória da temporada.O regresso acontece também numa fase importante da preparação de “Rubito”.
O campeão nacional tem prevista ainda durante setembro uma participação numa ronda do Campeonato Europeu de Enduro, procurando ganhar ritmo competitivo tendo em vista a sua preparação para os próximos International Six Days of Enduro (ISDE). E começar com uma vitória é certamente uma boa forma de recuperar esse ritmo.
Renato Silva coloca a Triumph no pódio logo na estreia
Uma das grandes curiosidades da jornada estava alguns lugares atrás. Renato Silva estreou-se em competição aos comandos da Triumph e conseguiu imediatamente terminar no pódio da Elite. O piloto terminou no terceiro lugar, dando um primeiro resultado de destaque à nova ligação à marca britânica.
Luís Oliveira, em Yamaha, esteve igualmente na discussão pelo pódio e chegou a ocupar o terceiro posto, mas uma penalização de um minuto acabou por relegá-lo para a quarta posição. Carlos Moreiras, aos comandos de uma KTM, completou os cinco primeiros da Elite.
O arranque deixa assim vários nomes fortes já próximos no topo da principal categoria, prometendo uma interessante disputa ao longo da temporada.
Joana Gonçalves começa a defesa do título com vitória
Na classe de Senhoras, a campeã também começou 2026 da mesma forma que terminou a época anterior. Joana Gonçalves, em Husqvarna, venceu a prova inaugural e assumiu desde já a liderança na defesa do título.

A diferença para a segunda classificada foi, neste caso, bastante mais expressiva. Joana terminou com 1m35s de vantagem sobre Rita Vieira, aos comandos de uma Yamaha. Francisca Duarte, em Honda, completou o pódio. Outro dos destaques foi o regresso de Mariana Afonso. A antiga campeã nacional voltou à competição após uma longa ausência e terminou na quarta posição com a KTM.
Paulo Felícia também quer mandar no Enduro Sprint
Na categoria de Veteranos, Paulo Felícia parece disposto a transportar para o Enduro Sprint o momento de forma que tem demonstrado no Motocross. O piloto da TM, que lidera invicto a respetiva classe no Campeonato Nacional de Motocross, venceu igualmente em Paranhos da Beira.

E fê-lo com margem. Felícia terminou com 56 segundos de vantagem sobre Manuel Moura, em Yamaha, enquanto Carlos Pedrosa ocupou o terceiro lugar. Um começo dominador para um piloto que está, assim, a conseguir conciliar duas disciplinas bastante diferentes com resultados igualmente positivos.
Aos 63 anos, Paulo Marques continua a acelerar
Se há nomes que dispensam grandes apresentações no todo-o-terreno português, Paulo Marques é seguramente um deles. Aos 63 anos, um dos pilotos mais marcantes da história portuguesa do Enduro e Todo-o-Terreno voltou a entrar em ação, desta vez na categoria de Super Veteranos.

E não foi apenas para participar. Paulo Marques, em Husqvarna, terminou no segundo lugar, atrás de Cláudio Belchior, que levou a KTM à vitória e prolongou o bom momento que já trazia do Campeonato Nacional de Enduro.
Para Marques, esta participação funcionou também como preparação para o FIM Enduro Vintage Trophy, que se disputa no final de setembro, na Alemanha. O veterano português integrará a Seleção Nacional juntamente com António Lopes e António Silva. Mais de seis décadas de vida e a competição internacional continua no calendário.
Stark estreia-se a vencer nas Elétricas
Também houve motivos de interesse nas restantes categorias. Nos Verdes, Luís Brandão, em KTM, venceu a classe 1, enquanto Diogo Nogueira, aos comandos de uma Beta, foi o mais rápido na classe 2.

Nas Elétricas, destaque para Gonçalo Alexandre, que conseguiu a primeira vitória aos comandos de uma Stark. A categoria continua a proporcionar um interessante ponto de comparação entre as novas tecnologias de propulsão elétrica e o ambiente particularmente exigente das competições de Enduro.
Finalmente, na classe Promoção, Robi Tikkanen não poderia ter pedido melhor estreia no Enduro Sprint: o piloto da GasGas venceu logo na sua primeira participação.

Barcelos é a próxima paragem
Com Paranhos da Beira concluído, o Campeonato Nacional de Enduro Sprint – Moto Espinha 2026 segue agora para a segunda ronda. A próxima prova está marcada para 27 de setembro, em Barcelos.
Ruben Ferreira chegará como vencedor da abertura, mas os 2,6 segundos que o separaram de Diogo Ventura deixam uma mensagem clara: apesar dos três meses afastado e de ter regressado imediatamente às vitórias, o campeão não terá necessariamente uma defesa tranquila.
E há ainda outra história para acompanhar. Depois do terceiro lugar de Renato Silva logo na estreia, a nova Triumph já mostrou que quer intrometer-se na luta da Elite. Se Paranhos da Beira serviu de amostra, há bons motivos para acompanhar de perto o Enduro Sprint nacional em 2026.

Fotos: Pedro Meira
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