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EWC 24 Horas Motos – Pedro Nuno fecha em 9º uma corrida caótica em Le Mans e YART vence

O Mundial de Resistência (EWC) arrancou com as 24 Horas Motos em Le Mans. Pedro Nuno fechou em 9º com o Team Bolliger e YART venceu.

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Se é verdade que por vezes as corridas mais longas de motos que dão ‘corpo’ ao Mundial de Resistência (EWC), campeonato organizado sob a égide da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), podem tornar-se menos interessantes de acompanhar devido às grandes diferenças entre as motos em pista, também não deixa de ser verdade que estas ‘intermináveis’ corridas de motos em circuitos icónicos têm também a capacidade de nos surpreender a qualquer momento e deixar-nos ‘agarrados’ ao que acontece em pista.

E foi precisamente isso que aconteceu este fim de semana na ronda de arranque da nova temporada do EWC, com as famosas 24 Horas Motos em Le Mans, prova que teve como cenário o circuito Bugatti, e contou com a presença do Pedro Nuno a integrar a equipa  Team Bolliger Switzerland #8.

Com o nível competitivo a estar bastante aproximado entre as equipas de topo, principalmente na classe principal EWC, mas também nas Superstock, esta 48ª edição das 24 Horas Motos em Le Mans colocou ainda em pista as motos do novo Troféu Mundial de Resistência (uma estreia absoluta) para motos de produção e custos mais contidos (apenas 3 inscritos), tal como foi estreia absoluta a nova Ducati Panigale V4 S (Team Aviobike WRS) entre as Superstock, e ainda a classe Experimental, onde se destaca a Metisse #45.

Em termos competitivos, e já depois da YART – Yamaha Austria Racing Team ter conseguido colocar a Yamaha YZF-R1 #7 na “pole position” depois de grande despique com os campeões Yoshimura SERT Motul, com a Suzuki GSX-R1000R #1, as 24 Horas Motos em Le Mans começaram com condições de pista bastante traiçoeiras e que levaram a inúmeras quedas.

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YART #7

A primeira de todas ainda na volta de formação da grelha de partida, sendo que quando a corrida propriamente dita começou, foi a equipa onde milita o Pedro Nuno, o Team Bolliger Switzerland #8, a ter a ‘honra’ de sofrer uma queda quando o espanhol Alex Toledo não conseguiu manter a Kawasaki Ninja ZX-10R #8 direita e caiu logo na chicane Dunlop, segundos depois da partida. A formação suíça caiu para a última posição (53º), realizando depois disso uma corrida sempre em modo recuperação.

As quedas foram-se sucedendo a um ritmo alucinante, e praticamente nenhuma equipa passou incólume ao caos em que se transformaram estas 24 Horas Motos em Le Mans.

Claro que as quedas sucessivas fizeram com que a classificação desta ronda de abertura do Mundial de Resistência se fosse alterando a todo o instante, lançando uma enorme ‘nuvem’ de incerteza sobre quem poderia levar a melhor, e os muitos milhares de fãs que marcaram presença no circuito Bugatti, e todos os que seguiram de perto o desenrolar da prova durante a transmissão na TV, tiveram assim mais motivos para estarem sempre atentos.

Como nota de destaque, 15 horas depois do arranque, a organização da prova contabilizava já mais de 100 quedas! E, naturalmente, diversos abandonos.

A YART foi a primeira das equipas candidatas ao título EWC a sofrer uma queda, quando procurava recuperar a liderança que perdeu no arranque para a Yoshimura SERT Motul. Marvin Fritz não evitou a queda e a R1 #7 deixou isolado Gregg Black aos comandos da GSX-R1000R #1, que, pouco depois também não evitava uma queda e a liderança ficou em causa.

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Kawasaki Webike Trickstar #11

À passagem das 8 horas de corrida o espanhol Roman Ramos, com uma performance impressionante, conseguiu colocar a Kawasaki Webike Trickstar #11 na primeira posição, trocando de posição com o estreante Jason O’Halloran que compete pela YART. A equipa austríaca não teve muito descanso e Marvin Fritz voltou a cair, obrigando a #7 a entrar na box para reparações e perdendo mais tempo para os líderes.

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As duas BMW Motorrad M 1000 RR, a #37 da equipa oficial e a #6 da regressada equipa ERC Endurance, discutiam entre si o terceiro lugar, e mais atrás era a Yoshimura SERT Motul, que devido a várias quedas se tinha atrasado, que procurava recuperar posições. Mas Gregg Black, Etienne Masson e Cocoro Atsumi estavam irremediavelmente fora da discussão pelo pódio, tendo, no entanto, conseguido recuperar até 6º.

O asfalto do traçado francês foi secando, mantendo-se sempre bastante frio, o que permitiu, ainda assim, que as prestações dos mais rápidos se fossem equivalendo ao nível dos tempos por volta.

A Kawasaki Webike Trickstar foi conseguindo que a sua tripla de pilotos – Roman Ramos, Mike di Meglio e Grégory Leblanc – revelasse um ritmo constante, enquanto a tripla da YART – Marvin Fritz, Karel Hanika e Jason O’Halloran – iam fazendo os possíveis para se manter dentro de uma diferença que lhes permitisse ainda sonhar com a vitória. Uma queda da #11, que levou mesmo à substituição de todo o conjunto do avanço direito numa paragem mais prolongada, viria a reaproximar as duas primeiras classificadas, mas sempre com a Kawasaki em vantagem.

Porém, a última hora de corrida viria a ser fatal para as aspirações da equipa oficial da marca de Akashi.

Numa altura em que a chuva apareceu com maior intensidade molhando o asfalto, causando incerteza do ponto de vista da aderência disponível no circuito Bugatti, seria Roman Ramos, que até então tinha estado num patamar de consistência assinalável, a cair com a Ninja ZX-10R #11 no Raccordement. Precisamente a mesma curva onde a YART tinha caído no início da corrida.

Ramos levou a danificada Kawasaki #11 para a box onde foi preciso permanecer durante vários minutos, e, claro, a YART não desaproveitou a ‘oferta’ para assumir a liderança destas 24 Horas Motos em Le Mans.

Com a carenagem frontal da Yamaha YZF-R1 #7 meio solta devido às inúmeras quedas sofridas ao longo da prova, e mesmo com Karel Hanika a ter de parar devido a problema com o seu capacete (embaciamento), numa troca de pilotos algo desorganizada, seria mesmo a equipa liderada por Mandy Kainz a cruzar a meta na primeira posição.

A Kawasaki Webike Trickstar foi segunda classificada, e a ERC Endurance com os pilotos David Checa, Kenny Foray e Illya Mykhalchyk fechou as contas do pódio. Entre as Superstock a melhor moto foi a da National Motos Honda FMA (#55), e o estreante Troféu Resistência teve como vencedora a equipa Team Supermoto Racing (#222).

Team Bolliger Switzerland #8

 

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Quanto ao piloto português Pedro Nuno, que dividiu o esforço de competir nestas 24 Horas Motos em Le Mans com os pilotos Alex Toledo e Nico Thoni, a verdade é que a prova do Team Bolliger Switzerland #8 viria a ficar comprometida, conforme referimos, logo no momento do arranque.

Alex Toledo, que até tinha conseguido um bom arranque a partir de 13º na grelha de partida, sofreu a primeira queda da equipa suíça. Adotando inicialmente uma estratégia de dois ‘stints’ consecutivos por piloto enquanto a pista estava molhada, a Kawasaki #8 voltou a ter problemas devido a queda de Nico Thoni, que depois passou a moto para as mãos de Pedro Nuno.

Com a entrada em cena do piloto português, e pese embora a Ninja ZX-10R tenha denotado depois ao longo da corrida alguns problemas, a recuperação da #8 foi notória. Depois de chegarem a rodar em último nesta ronda de abertura do EWC, os três pilotos conseguiram superar as dificuldades e ascender na classificação.

Uma recuperação mais notória quando o Pedro Nuno optou por colocar pneus intermédios Pirelli em vez dos slick, e que nas condições de pista que se faziam sentir permitiram ganhar mais posições com o piloto português a revelar-se como um dos destaques da corrida, tendo mesmo sido ele a realizar as melhores voltas da equipa.

O Team Bolliger Switzerland #8, uma das equipas históricas do Mundial de Resistência, regressou ao Top 10 já durante a madrugada de domingo e com os primeiros raios de sol a espreitarem por entre as nuvens que pairaram sobre o circuito Bugatti.

A posição final viria a ficar definida quando a Dafy-RAC 41 Honda (#41), segundos classificados das Superstock, tiveram uma queda e com isso a equipa de Pedro Nuno assegurou então em definitivo o 9º lugar à Geral, sendo 8º classificados entre as motos da classe principal EWC.

Seria mesmo o Pedro Nuno a ser o escolhido pelo diretor da equipa, Kevin Bolliger, para levar a moto até ao fim. Missão que foi cumprida com sucesso, e o momento da celebração pode ver em vídeo abaixo.

Com estes resultados, e recordando que ao longo das corridas de 24 horas são distribuídos diversos pontos, para além dos pontos distribuídos pelos resultados da qualificação, temos a YART a liderar o EWC com 63 pontos, Kawasaki Webike Trickstar em segundo com 53 pontos e a ERC Endurance em terceiro com 43 pontos. O Team Bolliger Switzerland #8 ocupa a oitava posição com 22 pontos.

A próxima ronda do EWC serão as 8 Horas de Spa, a disputar a 7 de junho.

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