FMP publica relatório de sinistralidade e análise de mercado

A FMP - Federação de Motociclismo de Portugal acaba de divulgar o seu relatório de sinistralidade e análise de mercado reportado ao ano de 2019.

A Comissão de Mobilidade da Federação de Motociclismo de Portugal acaba de divulgar o seu relatório de sinistralidade e análise de mercado, reportado ao ano de 2019 – o derradeiro ano em que não houve “perturbação de dados” devido à pandemia que, entretanto, em futuras análises, deverão justificar flutuações substanciais nos números em vários dos indicadores apreciados.

A FMP procura através da compilação de dados de diversas entidades (ANSR, ASF e ACAP) esclarecer, no que concerne às motos, qual o panorama da sinistralidade rodoviária nacional e a evolução do mercado português. Sendo a FMP um órgão que a ANSR tem vindo a consultar nos tempos mais recentes, a Comissão de Mobilidade elaborou também um parecer para essa entidade pública, onde procura contribuir para o seu “Plano Estratégico de Segurança Rodoviária 2021-2030” e que pode ser consultado aqui.

O mais recente Dossier de Mobilidade da FMP refere-se ao ano de 2019, visto ter havido, entretanto, em 2020, alterações na ANSR com vista a reformulação da divulgação desses dados no seu site – algo que aliado à pandemia – poderá interromper uma verdadeira leitura evolutiva da sinistralidade em duas rodas em Portugal.

Depois da apresentação de vários indicadores e respetiva evolução ao longo dos últimos anos, a FMP produziu neste seu relatório um conjunto de recomendações que procuram clarificar o contexto da recolha de dados e aponta algumas fragilidades externas aos números que podem enviesar os registos de sinistralidade rodoviária no caso particular das duas rodas: “As metas impostas para o número de vítimas na estrada e a analise da sua evolução devem sempre acompanhar a evolução do universo em que estas ocorrem. Não devem ser ignorados os fatores causais. Medidas preventivas devem centrar-se ao nível dos ingredientes causais. A identificação e o estudo dos fatores que potenciam a probabilidade de ocorrência de sinistros são cruciais para a sua compreensão e prevenção. A redução da sinistralidade obtém-se com a implementação de medidas centradas nos ingredientes causais. A identificação dos ingredientes causais passa pelo registo, sinistro a sinistro, das respetivas causas e não apenas das suas características. Todos os sinistros são reportados, assim como o número de vítimas, mas as suas causas não. Assim já mais poderemos ter um programa de prevenção sério e capaz de dar resposta às necessidades da implementação de medidas preventivas eficazes. É crucial termos acesso às causas dos sinistros, a não divulgação das causas concretas dos sinistros dá lugar a todo o tipo de especulações e implementação de medidas desajustadas geradoras de injustiça. Um exemplo de uma medida concreta de combate à sinistralidade rodoviária é o incentivo à circulação em estradas mais seguras. Algo difícil de acontecer com os elevados preços praticados nas portagens e com a alternativa dada aos condutores: seguir por estradas secundárias com elevados índices de sinistralidade.”

O dossier completo pode ser consultado aqui.