No passado dia 18 de setembro foi requerida uma providência cautelar para tentar travar as obras de 96 milhões de dólares australianos (cerca de 60 milhões de euros) do circuito de Adelaide.
A transferência do Grande Prémio da Austrália de MotoGP de Phillip Island para Adelaide a partir de 2027 está envolta em polémica desde que foi anunciada a decisão. O abate de árvores, a utilização de terreno sagrado para os aborígenes e a disrupção que o grande prémio pode causar aos moradores da cidade tem levado a protestos e petições contra os planos para as Park Lands de Adelaide.
Agora as coisas parecem complicar-se um pouco com a providência cautelar apresentada por Joshua Hogan, junto do Tribunal Federal de Queensland.
Ninguém conhece o autor do requerimento!
Quem é o autor do requerimento, Joshua Hogan? Segundo a Australian Motorcycle News, é um anónimo que ninguém conhece, nem se sabe a sua relação com o projeto. Nem outros opositores às obras ouviram alguma vez o seu nome.
Citado pelo canal ABC News, Kyam Maher, Procurador-Geral, diz que “O governo da Austrália do Sul está ciente do requerimento no Tribunal Federal que procura uma providência cautelar relacionada com os trabalhos associados ao MotoGP. O Gabinete do Procurador da Coroa está a analisar o pedido, as medidas solicitadas e os seus fundamentos”.
Se concluir que há matéria suficiente e prosseguir com um deferimento, as obras do circuito de Adelaide poderão não arrancar. O seu início está previsto para dezembro.
Este é o segundo caso que chegou recentemente ao tribunal relativamente a projetos para grandes eventos em Adelaide.
O primeiro foi o do campo de golfe planeado para o norte de Adelaide. Os seus oponentes reivindicam um estudo de impacto ambiental que assegure que o projeto está de acordo com a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade da Commonwealth de 1999.
Circuito será adaptado do que ficou da F1
As obras do circuito de Adelaide, que aproveitará partes do circuito que recebeu a Fórmula 1 entre 1985 e 1995, preveem abater quase 400 árvores e a relocalização de cerca de outras 90. Para compensar, o governo da Austrália do Sul promete plantar 3770 árvores como parte do plano de alteração do parque e do circuito.
Recorde-se que foi no final do ano passado que ficámos a saber que Phillip Island estava em risco de perder o GP da Austrália de MotoGP. Os proprietários do circuito teimavam em não investir na renovação do circuito – essencialmente infra-estruturas – e, apesar do governo de Victória ter prometido aumentar o investimento se Phillip Island permanecesse no calendário, o MotoGP Sports Entertainment Group foi bater a outra porta.
Phillip Island é um dos mais emblemáticos circuitos do campeonato, e os fãs choram a sua perda, ainda por cima trocado por um circuito ‘citadino’. Que, na verdade, não percorre as ruas da cidade, já que o circuito está desenhado num dos parques de Adelaide.
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