Gregório Lavilla fala do WorldSBK e da sua carreira

Gregório Lavilla é o director do Mundial de Superbike e nesta entrevista dada ao serviço de comunicação de uma das suas antigas equipas, fala do campeonato e da sua carreira de piloto.

Gregório Lavilla, agora com 46 anos de idade, foi piloto dos mundiais de Velocidade e Superbike e foi campeão britânico. No Mundial de SBK, onde passou a maior parte da sua carreira, alcançou pódios com três motos diferentes, incluíndo uma Ducati privada, em 1997.

Passou três anos – de 1998 a 2001 – Kawasaki Racing Team, e foi ao departamento de comunicação da equipa japonesa que o espanhol deu esta entrevista, como Director Executivo do Mundial de Superbike. Mas para além de ter falado no actual cenário paragem forçada do campeonato, Lavilla fala também da sua carreira como piloto.

Alcançaste muito na tua carreira na competição e correste em muitos campeonatos. De todos eles e de todas as motos que pilotaste, qual foi a experiência preferida, e porquê?

«Bom, é uma pergunta difícil, mas creio que o maior desafio foi em 1998. Pilotei uma Ducati privada, eramos uma equipa muito pequena e conseguimos alguns pódios e primeiras linhas da gelha, na frente de pilotos e equipas muito maiores, incluíndo equipas com apoio de fábrica. Foi uma experência espectacular para todos os envolvidos.»

A Kawasaki Ninja ZX-7RR foi uma máquina icónica, mas com 750 cc tinha que trabalhar duro contra motos de maior cilindrada [as Ducati, que por serem bicilíndricas, o regulamento permitia uma cilindrada maior]. Quais eram as vantagens da ZX-7RR, e o que fazia dela uma máquina tão boa?

«Essa ZX-7RR era um bocado manhosa em termos de entrega de potência. Nessa altura, muitas das motos contra as quais corri tinham motores maiores e mais potência. No entanto tinha um bom chassis e boa maneabilidade, especialmente em pistas sinuosas.»

Lavilla esteve três anos na equipa oficial Kawasaki no Mundial de Superbike

Lavilla, campeão britânico

Pilotaste para KRT entre 1999 e 2001. Qual foi a tua pista favorita nessa altura e qual a corrida mais memorável com a ZX-7RR?

«Adorava Phillip Island, e nessa altura fazíamos a maior parte dos testes de Inverno ali e em Eastern Creek, e até na Indonésia. Como para muitos, muitos outros pilotos, Phillip Island permanece como uma das minhas melhores memórias.»
«Para mim o tempo mais difícil desse período foi o regresso depois de ter perdido algumas rondas devido a uma lesão na anca que sofri em Monza. Ter conseguido regressar num curto período e ter sido capaz de alcançar bons resultados em Brands Hatch e depois terminar no pódio em Orchersleben foi uma experiência muito enriquecedora. Especialmente porque nessa altura a Kawasaki Racing Team era gerida por Harald Eckl, um alemão, com muitos elementos alemães na equipa.»

Foste para o Reino Unido e venceste o campeonato britânico de Superbike em 2005, sem antes teres rodado em muitas daquelas pistas; qual foi o segredo do sucesso, como conseguiste uma temporada tão impressionante?

«Bom, é importante considerar dois pontos. Foi no auge da minha carreira, mas devido a algumas circunstâncias alheias na verdade eu não tinha trabalho. Fui contratado pela Suzuki para o Mundial de Superbike em 2003. Depois eles decidiram não correr em 2004 nas Superbike e passei a ser piloto de testes de MotoGP para eles. O meu conhecimento foi importante para a britânica Airwaves GSE Team em 2005 no campeonato britânico. Não apenas em termos da afinação da moto, mas também no meu desejo de continuar a fazer algo que eu adorava e a colocar de lado algumas preocupações que outros pudessem ter sobre a minha primeira vez nalgumas das pistas. Por último, a equipa para qual pilotei era muito profisisonal e com bom material.»

Gregorio Lavilla foi campeão britânico de SBK em 2005 com a Ducati da Airwaves GSE

Temporada equilibrada

Todos os construtores foram muito competitivos este a no na primeira ronda, na Austrália. Quanto disso se deve às regras estabilizadas este Inverno por contraste com todas as alterações de anos anteriores?

«Bem, mudámos quando foi necessário, mas não este ano. Concordámos num caminho com a FIM, os construtores e equipas e este é o resultado. Eu compreendo que por vezes é difícil aceitar as mudanças, especialmente quando estamos do lado favorável. No final, acho que vale a pena para todos nós envolvidos dneste desporto, e o sucesso é partilhado entre todas as partes, pelo menos do meu lado é o que penso.»

Quais foram os desafios para a Dorna quando se tornou claro que Losail e Jerez, e depois Assen, não poderiam avançar como planeado? Achas que a Dorna vai dar algum apoio às equipas nestes tempos difíceis?

«Temos uma situação difícil em todo o mundo, por isso assim que percebemos que a nossa actividade estava em suspenso, delineámos um plano, embora estes possam mudar rapidamente. Trabalhámos naquele que poderia ser o pior cenário e minimizámos os efeitos colaterais para todos, e não apenas para as equipas, já que isto afecta a todos.
«Infelizmente não há vencedores nesta situação e a minha esperança e maior desejo é que toda a gente esteja segura e de boa saúde. Depois disto, regressar à actividade normal o mais depressa possível, ver a nossa família do paddock e continuar a dar um grande espectáculo para o público, como vimos na Austrália.»

Mais do que três corridas por ronda?

Assumindo que vamos ter que perder mais rondas esta temporada, que plano de contingência existe para ter uma temporada completa com menos rondas na segunda metade do ano? Por exemplo, poderemos fazer mais do que três corridas por fim-de-semana, se necessário?

«Bem, tudo depende de quando começarmos, mas mesmo que precisemos de perder uma ou duas rondas (embora não seja esse o plano), penso que especialmente para as Superbike não seria necessário, na minha opinião, acrescentar mais corridas, já que a quantidade de pontos é enorme. De qualquer modo, estas coisas podem ser discutidas mais tarde. O mais importante em termos de competição é recomeçar a temporada, quando quer que seja.»

Fogarty/Russell/Edwards/Bayliss? Achas que o actual campeonato está ao nível do passado, ou não pensas nesses termos?

«Na verdade, eu estava no campeonato nessa altura e muitas coisas mudaram no desporto motorizado desde então. Honestamente, o que me impressionou mais enquanto piloto privado na minha primeira temporada de Mundial de SBK foi a quantidade de dinheiro e apoio e ainda o nível de suporte das equipas de fábrica. Se agora valorizo o campeonato nesses termos, então estamos muito semelhantes; claro, com grandes ambições de exceder esse nível de compromisso.»

Evolução: a competição tem que olhar sempre para a frente. Como achas que o WorldSBK vai evoluir nos próximos 5 anos? Ou como gostarias de o ver evoluir?
«Hum, interessante. Diria algo como ‘já platámos a relva, vamos ver como cresce’. Para além de algumas pequenas e compreensíveis alterações, se as coisas forem necessárias, acontecerão.

«Estamos no caminho certo, a não ser que uma situação inesperada aconteça, ou todos os nossos parceiros achem que é necessária uma mudança; se não for esse o cenário e a evolução do WorldSBK for boa, então, ‘Let the good times roll’, por agora.»