Mesmo com o advento dos smartphones mais avançados e com mais funcionalidades, inclusivamente com acesso a aplicações de navegação, a verdade é que os convencionais sistemas de GPS (Global Positioning System) de moto continuam a apresentar diversas mais-valias para os motociclistas que procuram uma orientação perfeita até ao seu destino.
Existem sistemas de GPS para todos os gostos e feitios, mas também para todas as carteiras. Naturalmente, um GPS mais dispendioso será melhor, mas encontramos no mercado deste tipo de equipamentos um conjunto de opções mais acessíveis, mas que apresentam igualmente bons argumentos.
Como a quantidade de opções atualmente disponíveis no mercado é ‘interminável’, aqui na Revista Motojornal decidimos procurar ajudar.
Neste guia de GPS para motos encontra dicas, conselhos e até mesmo algumas opções que podem tornar-se no seu próximo ajudante para encontrar o caminho mais correto para o seu destino de moto.

Utilizar GPS na moto é legal? Pode mexer nele em andamento?
Sim, em Portugal é permitido utilizar um GPS na moto. Falamos de sistemas de GPS que não estão integrados no painel de instrumentos da moto, o que atualmente é cada vez mais comum.
No momento em que decidir instalar um sistema de GPS autónomo na sua moto, tenha em conta que deve ter alguns cuidados. O posicionamento do aparelho de GPS não deverá obstruir a visão do condutor da moto, nem dificultar o acesso aos comandos que controlam a moto.
Falamos nisto não apenas do ponto de vista da sua segurança, pois ter um objeto como um GPS no seu campo visual que impede a correta visualização da estrada ou do que está à sua volta é inseguro, mas também do ponto de vista de possíveis multas.
Os agentes da autoridade poderão considerar que a má colocação do GPS coloca em causa a segurança rodoviária, não apenas a sua, mas também a de outros condutores ou peões. E isso pode levar, em casos mais extremos, a multas.

E manusear o GPS com a moto em andamento?
Essa situação é completamente proibida!
De acordo com o Artigo 90º do Código da Estrada português, os condutores de motociclos não podem conduzir com as mãos fora dos punhos. O objetivo desta regra é garantir que o controlo da moto está sempre nas mãos do condutor. A exceção a esta regra é a sinalização de uma manobra. E mesmo nessa situação, as mãos devem estar fora dos punhos apenas o tempo necessário para sinalizar a manobra.
A coima aplicável a quem tirar as mãos dos punhos durante a condução varia entre os 60€ e os 300€.
Caso o GPS esteja integrado nos equipamentos da moto, o fabricante da moto inclui comandos específicos nos punhos que permitem o manuseamento do GPS, mesmo em andamento. Nesse caso, o condutor da moto não tem de tirar as mãos dos punhos, mantendo sempre o total controlo sobre a direção da moto.
Ainda assim, ao manusear o GPS da moto em andamento, tenha em atenção o espaço à sua volta, confirme se a estrada à sua frente permite desviar a sua atenção para o ecrã do GPS. Não desvie a sua atenção da estrada a não ser em casos necessários.
Em qualquer um destes casos, o nosso conselho é que pare a moto num local seguro. E então, com calma, manuseie o GPS para definir um novo destino, procurar locais de interesse na rota que o sistema lhe apresenta, etc.

Como escolher o melhor GPS para si: as características imprescindíveis
Felizmente, hoje em dia encontramos todo o tipo de sistemas com mais ou com menos funcionalidades e sempre adaptados ao uso em moto. Marcas como a Garmin ou a TomTom são das mais conhecidas. Mas há mais marcas que podem cumprir com as suas necessidades.
No momento em que estiver a escolher qual o GPS a comprar, tenha em conta a dimensão do ecrã. Porque, neste caso, o tamanho importa!
Ao contrário de um automóvel, onde os ocupantes usufruem de maior estabilidade, o que facilita a visualização de informações apresentadas nos ecrãs, numa moto o condutor sofre um pouco mais de instabilidade devido à dinâmica da moto em andamento. Considere como um bom ponto de partida um ecrã com uma dimensão de 4 polegadas. Isto equivale, sensivelmente, a pouco mais de 10 cm de diagonal de ecrã.
Um GPS com ecrã desta dimensão já permite uma boa visualização das informações, sem obrigar a desviar o olhar da estrada por muito tempo. Se for maior… melhor. Mas cuidado para não ser um ecrã tão grande que impeça a sua visão. Como já referimos, isso pode ser alvo da atenção indesejada das forças da autoridade.

Analisando as características técnicas do ecrã, confirme ainda que o GPS tem construção antirreflexo de forma a evitar melhor os reflexos em dias de maior intensidade de luz solar, bem como se o ecrã é HD (alta definição), o que garante uma maior qualidade de imagem e luminosidade que facilitam a leitura.
Caso o ecrã não seja antirreflexo, tenha em atenção que existem alguns acessórios que permitem reduzir os reflexos. Alguns são simples, como uma película protetora. Outros mais complexos e que obrigam à instalação de mais acessórios no próprio GPS ou no respetivo suporte.
E como estamos a falar de ecrãs, é imprescindível que o GPS que quer comprar tenha um ecrã sensível ao toque, ou ‘touchscreen’.
Nem todos os ecrãs sensíveis ao toque permitem o uso de luvas. Alguns obrigam a tirar as luvas para poderem ser utilizados. No entanto, existem luvas em que as pontas dos dedos indicadores são feitas de materiais especiais que permitem usar o ecrã sem as tirar. Mas um ecrã que funcione com qualquer tipo de luva será sempre melhor.

Outra característica a ter em conta é que um GPS para moto não é construído da mesma forma que um GPS para ser usado num automóvel!
Ao contrário dos dispositivos desenvolvidos para uso em automóveis, os GPS para motos devem ser estanques e estar preparados para suportar, sem problemas, condições meteorológicas adversas – como chuva, neve e granizo -, além de funcionarem perfeitamente em temperaturas extremas e longos períodos de exposição ao sol.
E como estamos a falar de resistência, confirme que o GPS que pretende comprar para a sua moto está preparado para suportar impactos e vibrações, algo inevitável na prática de off-road, por exemplo.
Portanto, a classificação IPX7 deve constar na denominação ou na referência do modelo de GPS escolhido. Ela indica elevados níveis de proteção, resistência e estanquidade contra corpos sólidos e líquidos, como água e poeira.
Caso esteja a perguntar-se sobre o que significa a sigla IPX7, aqui fica a explicação:
IP significa “Ingress Protection” (proteção contra intrusão) e é uma norma internacional que um GPS para moto deve cumprir. Por outro lado, o nível “7” garante estanquidade contra água até um metro de profundidade durante 30 minutos, o que é considerado mais do que suficiente para um dispositivo deste tipo.
Mas temos ainda uma derradeira característica que você deve ter em atenção, especialmente se utilizar um sistema de intercomunicador no seu capacete.
É de vital importância que o GPS tenha capacidade de ligação por tecnologia Bluetooth. Através de uma ligação Bluetooth, as instruções e todo o tipo de indicações sonoras podem ser enviadas diretamente para o intercomunicador instalado no seu capacete. Assim, nem precisa de tirar os olhos da estrada, pois irá estar a ouvir as indicações sobre onde virar, perigos na estrada à sua frente, etc. Hoje em dia, quase todas as marcas homologadas são compatíveis entre si, o que nos permite conectar o GPS facilmente com intercomunicadores ou com os nossos smartphones.

Suportes de GPS para moto: qual escolher?
É fundamental que um sistema de GPS para moto venha acompanhado de um suporte com sistema antivibração. Além disso, juntamente com o manual de instruções (físico ou digital), deve incluir três cabos de alimentação: um para conexão à tomada da moto (12 V), outro para alimentação numa tomada doméstica e um terceiro cabo para transferência de dados e atualização de mapas.
Há GPS de moto que permitem atualizações de software ou de mapas recorrendo a tecnologia OTA (Over-the-Air), sem cabos. Apenas uma ligação à internet ou a uma aplicação específica instalada no smartphone do motociclista.
Também são indispensáveis outros aspetos, como compatibilidade (o mesmo suporte permitir a instalação de vários modelos de GPS), robustez do material, tipo e opções de fixação, qualidade dos materiais, rotação e possibilidades de ajustes (preferencialmente de 360º) e posicionamento na moto: deve ser instalado na parte dianteira, em local de fácil acesso e com boa visibilidade.

GPS para moto em 2026: veja estas opções mais caras e mais baratas
Agora que já abordámos os aspetos legais, técnicos e também os suportes para o seu GPS, falta mostrar-lhe algumas opções que podem cumprir com os seus requisitos ou necessidades.
A Garmin e a TomTom são as marcas mais populares em sistemas de navegação e as que oferecem produtos de maior qualidade. Claro que o preço de aquisição também é superior.
A Garmin conta com os modelos Zumo XT e Zumo XT2 — o primeiro com ecrã de 5,5 polegadas e o segundo de 6 polegadas —, cujos preços são de 409,99€ e 499,99€, respetivamente. O XT2 pode vir acompanhado da antena “Group Ride Tracker”, que permite conectar até 20 motos diferentes. Nesse caso, o preço do kit completo sobe para os 899,96€.
No caso da marca TomTom, também encontramos dois modelos disponíveis para moto: o Rider 500 e o Rider 550 Premium Pack, com preços de 399,95€ e 499,95€, respetivamente. Ambos possuem ecrãs de 4,3 polegadas e características semelhantes, mas o segundo vem acompanhado de um suporte para moto e de uma capa para melhor proteção e transporte.
Para uso fora de estrada, há o TwoNav GPS Aventura 2 Plus Motor, um navegador muito compacto para motos trail, com ecrã de 3,7 polegadas, que tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos nesse segmento e custa desde 559,73€.

É claro que existem outros GPS para moto no mercado que são mais simples e mais baratos.
A opção mais simples são os dispositivos popularmente conhecidos como “de setas”. Estes dispositivos são muito pequenos e, ao serem conectados ao smartphone, indicam o caminho até o destino escolhido por meio de uma seta e uma indicação numérica. Entre eles, o Beeline Moto II é dos mais procurados, podendo ser adquirido a partir de 199,99€.
Para uso esporádico, o DrakoTek Terrain 4, com ecrã de 4,3 polegadas, é uma opção a ser considerada, custando apenas 153,30€.
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