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Harley-Davidson prepara o regresso às Café Racer? RMCR recupera o espírito da XLCR 50 anos depois

Quase meio século depois da radical XLCR 1000, a Harley-Davidson volta a olhar para um dos capítulos mais invulgares da sua história. A RMCR combina a estética da Café Racer de Willie G. Davidson com o moderno Revolution Max 1250 e poderá ser muito mais do que um simples exercício de estilo.

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Quando pensamos em Harley-Davidson, pensamos inevitavelmente em cruisers, grandes V-Twin, estradas intermináveis e numa filosofia de condução muito própria. Café Racer? Nem por isso.

Mas a história da marca norte-americana tem algumas exceções fascinantes. E uma das mais interessantes chama-se XLCR 1000, a Café Racer lançada no final dos anos 70 e que, quase 50 anos depois, parece voltar a inspirar os designers de Milwaukee.

A protagonista é a Harley-Davidson RMCR – Revolution Max Café Racer, um protótipo desenvolvido pela própria equipa de design da marca e apresentado inicialmente no Mama Tried Motorcycle Show, em Milwaukee.

Não existe, por enquanto, confirmação de que venha a chegar à produção. Mas a atenção que a Harley-Davidson continua a dar ao projeto e a reação provocada pela moto tornam particularmente interessante a possibilidade de estarmos perante uma antecipação de um futuro modelo de série.

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RMCR: uma Harley muito diferente

A designação explica imediatamente aquilo que está em causa: Revolution Max Café Racer.

A base mecânica é precisamente a moderna família Revolution Max, utilizada pela Harley-Davidson nas atuais Sportster, Nightster e Pan America. No conceito RMCR surge o V-Twin Revolution Max 1250, numa arquitetura muito mais moderna do que os tradicionais motores refrigerados a ar que continuam a definir grande parte da identidade Harley.

E esta escolha é importante.

Mais do que criar uma moto retro para celebrar a XLCR, a Harley quis demonstrar aquilo que a plataforma Revolution Max pode fazer quando aplicada a uma moto de orientação verdadeiramente desportiva.

O diretor de design da Harley-Davidson, Bjorn Shuster, explicou que o projeto foi criado precisamente para celebrar o potencial de performance da plataforma Rev Max e, simultaneamente, recuperar elementos visuais da XLCR original concebida por Willie G. Davidson.

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A inspiração: Harley-Davidson XLCR 1000

Para perceber a RMCR é preciso regressar a 1977.

Foi nesse ano que a Harley-Davidson colocou à venda a XLCR, uma máquina que parecia quase saída de outra marca.

Desenhada sob a direção de Willie G. Davidson, utilizava um V-Twin de 1.000 cc derivado da Sportster, mas envolvido numa configuração muito mais desportiva: pequena carenagem frontal, depósito alongado, guiador baixo, banco monoposto e uma imagem integralmente negra.

Era uma Harley que queria enfrentar diretamente as motos desportivas que chegavam do Japão.

O problema é que o mercado não estava preparado, ou a própria moto não estava suficientemente preparada para o mercado.

A XLCR não conseguiu acompanhar as japonesas em performance e refinamento, mantendo características como vibrações fortes e uma caixa de apenas quatro velocidades. Comercialmente esteve longe de ser um sucesso e acabou por desaparecer rapidamente.

Ironia do destino: aquilo que na altura poucos queriam comprar tornou-se posteriormente uma das Harley-Davidson mais invulgares e colecionáveis da sua geração.

Quase 50 anos depois, a ideia faz muito mais sentido

É precisamente aqui que a RMCR se torna interessante.

Em 1977, transformar uma Sportster numa Café Racer obrigava a Harley a trabalhar com uma base mecânica que não tinha sido concebida especificamente para esse tipo de utilização.

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Harley-Davidson XLCR 1000

Hoje existe o Revolution Max, um V-Twin moderno, refrigerado por líquido, compacto e desenvolvido desde a origem para oferecer níveis de performance muito superiores aos tradicionais motores Harley.

A versão de 1.250 cc utilizada como base do conceito é associada a valores na ordem dos 150 cv, colocando imediatamente a RMCR num universo completamente diferente daquele da sua antecessora dos anos 70.

E a competição já demonstrou que existe potencial desportivo nesta arquitetura. Preparações baseadas no Revolution Max têm sido utilizadas nas competições norte-americanas de Super Hooligan, mostrando que este motor pode servir para muito mais do que alimentar uma Adventure ou uma Sportster.

Uma XLCR moderna sem cair na simples nostalgia

Visualmente, a ligação à antecessora é evidente, mas a RMCR não procura ser uma reprodução da XLCR.

A pequena carenagem frontal, o depósito, a traseira elevada e minimalista e, sobretudo, a predominância do preto remetem imediatamente para 1977.

Mas as proporções são contemporâneas.

O resultado aproxima-se mais daquilo que poderíamos chamar uma Neo Café Racer, utilizando elementos históricos sem esconder a tecnologia moderna que está por baixo.

E talvez seja precisamente isso que torna o projeto tão interessante.

A Harley-Davidson tem um catálogo histórico gigantesco que pode explorar, mas simplesmente recriar motos antigas dificilmente será suficiente para conquistar motociclistas mais jovens ou clientes provenientes de outras marcas.

Uma RMCR de produção permitiria fazer algo diferente: usar a história para criar uma Harley moderna e verdadeiramente desportiva.

Será mesmo produzida?

Esta é, naturalmente, a pergunta de um milhão de dólares.

Neste momento, a Harley-Davidson não confirmou uma versão de produção da RMCR. O que existe é um conceito oficial desenvolvido pela equipa de design e utilizado para explorar o potencial desportivo da plataforma Revolution Max.

Portanto, qualquer referência a uma chegada aos concessionários deve ser encarada, por enquanto, como especulação.

Mas há razões para acompanhar o projeto com atenção.

A Harley-Davidson encontra-se numa fase de redefinição da sua estratégia e prepara já novidades importantes para 2027, incluindo modelos destinados a alargar novamente a sua base de clientes.

Nesse contexto, uma Café Racer baseada numa plataforma já existente poderia representar uma forma relativamente lógica de criar uma moto de imagem completamente diferente sem desenvolver uma arquitetura mecânica de raiz.

E há ainda o fantasma da Bronx…

Os seguidores da Harley-Davidson certamente se recordarão de outro projeto.

Harley-Davidson Bronx

A Bronx deveria ter sido a grande naked desportiva moderna da marca, aproveitando precisamente a nova geração Revolution Max. O projeto despertou enorme interesse, mas acabou por não chegar aos concessionários.

É precisamente por isso que convém alguma prudência perante a RMCR.

A Harley já mostrou que consegue desenvolver motos muito diferentes da sua oferta tradicional. Transformar esses conceitos em modelos de produção é outra questão.

Mas desta vez existe um argumento adicional particularmente forte: 2027 assinalará 50 anos sobre o aparecimento da XLCR original.

E dificilmente existiria melhor momento para recuperar aquela ideia.

A Café Racer que chegou 50 anos demasiado cedo?

Talvez a XLCR tenha simplesmente aparecido na altura errada.

Em 1977, os clientes tradicionais da Harley-Davidson não procuravam necessariamente uma Café Racer, enquanto quem queria uma verdadeira desportiva encontrava alternativas japonesas mais rápidas e sofisticadas.

Meio século depois, o mercado é muito diferente.

As motos retro e neo-retro conquistaram um espaço próprio, as Café Racer continuam a exercer enorme atração e a Harley-Davidson dispõe finalmente de uma plataforma mecânica moderna capaz de sustentar as ambições desportivas que a XLCR nunca conseguiu concretizar plenamente.

Por enquanto, a RMCR continua oficialmente a ser um conceito.

Mas se Milwaukee decidir celebrar os 50 anos da XLCR colocando esta Revolution Max Café Racer em produção, poderá recuperar uma das ideias mais ousadas da sua história precisamente no momento em que ela finalmente faz sentido.

E há qualquer coisa de irresistível numa Harley-Davidson que, em vez de pedir uma estrada americana interminável, parece estar a pedir uma boa estrada de curvas.

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