A Honda Monkey 125 sempre foi terreno fértil para preparadores. Pequena, simples e imediatamente reconhecível, a descendente da mini-moto criada pela Honda no início dos anos 60 tornou-se quase numa tela em branco para todo o tipo de personalizações.
A própria Honda continua a apresentá-la como uma moto construída sobretudo em torno da diversão e da facilidade de utilização.Mas esta provavelmente não estava nos planos dos engenheiros japoneses.
A taiwanesa REZ Industries pegou numa Monkey 125 de 2024 e decidiu responder a uma pergunta improvável: será possível transformar uma das motos mais pequenas da Honda numa verdadeira chopper old school? A resposta está à vista.
GeeGee Chop: uma chopper em escala reduzida
O projeto nasceu para um cliente da REZ Industries e recebeu o nome GeeGee Chop. O objetivo não passava simplesmente por colocar um motor Honda dentro de um pequeno quadro hardtail.

A oficina queria que, apesar da transformação radical, continuássemos imediatamente a reconhecer uma Monkey. Por isso, alguns elementos fundamentais permaneceram.
O depósito é o original e, mais importante, foram conservados o quadro e os dois amortecedores traseiros. A opção poderá parecer pouco ortodoxa numa chopper, mas permite manter grande parte da silhueta original e, simultaneamente, não sacrificar o conforto apenas em nome da estética. Daí para a frente, porém, praticamente tudo mudou.
Adeus forquilha invertida. Olá, Springer!
A transformação mais evidente encontra-se no eixo dianteiro. A Monkey convencional utiliza forquilha invertida e rodas de 12 polegadas. A REZ eliminou todo esse conjunto e instalou uma espetacular forquilha Springer alongada, seguindo a receita das choppers norte-americanas clássicas.
A roda dianteira também cresceu. Em vez das pequenas jantes de liga leve de 12 polegadas da Honda encontramos agora uma roda de raios de 14 polegadas, relativamente pequena para qualquer moto convencional, mas enorme quando integrada nas proporções de uma Monkey.
O conjunto é completado por novas mesas de direção, guiador ape-hanger e dois pequenos faróis dianteiros. Vista de perfil, a transformação é surpreendente. A pequena distância entre eixos e o motor compacto continuam a denunciar as origens, mas a frente elevada e projetada para diante altera completamente a atitude da Monkey.

Chopper, sim. Mas para andar na estrada
Há, porém, um detalhe particularmente interessante nesta preparação. A GeeGee Chop não foi criada exclusivamente para ficar parada numa exposição. O proprietário pretendia realmente utilizá-la no trânsito de Taiwan, pelo que a REZ não sacrificou totalmente a funcionalidade à imagem.
E isso nota-se particularmente na travagem. Enquanto algumas preparações chopper mais radicais chegam a prescindir do travão dianteiro por razões puramente estéticas, a REZ seguiu precisamente o caminho oposto.
A Monkey recebeu pinças Crab e discos flutuantes, enquanto atrás foi instalado um disco sobredimensionado com acabamento espelhado. Manter os dois amortecedores traseiros segue a mesma filosofia. A estética pode ser radical, mas a moto deve continuar a funcionar como uma moto.
Um King & Queen… para uma pessoa
Na traseira encontramos outra pequena provocação visual. A REZ criou um banco artesanal inspirado nos clássicos King & Queen utilizadas nas choppers, caracterizadas pela zona posterior fortemente elevada.
Só existe um problema: a moto continua a ser uma Monkey. Por isso, apesar da aparência, o banco foi concebido para um único ocupante. O pequeno sissy bar traseiro foi igualmente fabricado especificamente para o projeto, tal como os guarda-lamas e vários outros componentes.
E depois temos o escape. Nada de uma ponteira discreta escondida junto ao motor. A GeeGee Chop recebe um escape artesanal em forma de trompete, acrescentando mais uma peça ao pequeno puzzle chopper.
Glitter, chamas e zero discrição
Se alguém ainda tivesse dúvidas sobre a inspiração desta Monkey, a pintura resolve definitivamente o assunto. O depósito original recebeu uma base prateada glitter, sobre a qual surgem as inevitáveis chamas associadas à cultura custom norte-americana.
O grafismo prolonga-se pelos painéis laterais e guarda-lamas traseiro, chegando inclusivamente ao banco através das respetivas costuras.
Discreta não é. Mas também dificilmente alguém transformaria uma Honda Monkey numa chopper com forquilha Springer para passar despercebido?

E o motor? Continua praticamente uma Monkey
Curiosamente, depois de tantas alterações, a mecânica é provavelmente a parte menos exótica desta preparação. O pequeno monocilíndrico de 124 cc, refrigerado por ar e associado a uma caixa de cinco velocidades, permanece essencialmente fiel à receita da Monkey. Na configuração de série, a Honda declara atualmente 9,4 cv e 10,7 Nm.
Não são propriamente números capazes de assustar uma Harley-Davidson, nem sequer era essa a intenção. O que interessa aqui é a simplicidade e personalidade daquele pequeno monocilíndrico dentro de uma moto que pesa pouco mais de uma centena de quilos.
A GeeGee Chop é apresentada com 9,4 cv e 104 kg, números que colocam esta chopper num universo muito diferente das grandes custom de centenas de quilos que inspiraram a sua aparência.
Uma Monkey que se recusou a deixar de ser Monkey
É provavelmente este o detalhe mais conseguido de toda a preparação. A REZ Industries poderia ter construído um pequeno quadro rígido, colocado lá dentro o motor da Honda e criado simplesmente uma mini-chopper. Mas nesse caso teríamos deixado de ter uma verdadeira Monkey.
Ao conservar depósito, quadro, suspensão traseira e proporções fundamentais, a oficina conseguiu algo bastante mais interessante: olhar para a GeeGee Chop e reconhecer simultaneamente dois universos aparentemente incompatíveis.
De um lado temos uma das pequenas motos japonesas mais divertidas e irreverentes de sempre. Do outro, todos os clichés deliciosamente exagerados de uma chopper clássica: Springer alongada, ape-hanger, roda de raios, King & Queen, sissy bar, escape em trompete, glitter e chamas.
E talvez seja precisamente por isso que funciona tão bem. A Honda descreve a Monkey como uma moto feita para provocar sorrisos e esta consegue fazê-lo antes sequer de ligarmos o motor.
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