A recuperação da KTM deixou de ser apenas uma promessa sustentada pelos planos de reestruturação. Os números definitivos divulgados pela Bajaj Mobility para o primeiro semestre de 2026 mostram uma inversão muito significativa da situação financeira e comercial do grupo austríaco, depois da profunda crise que levou a KTM AG a um processo de reestruturação.
Entre janeiro e junho, as marcas KTM, Husqvarna Motorcycles e GASGAS venderam 89.004 motociclos, um crescimento de 91,9% relativamente ao mesmo período de 2025. E quando se acrescentam as 58.568 motos comercializadas na Índia através da Bajaj Auto, o volume global chega às 147.572 unidades.
Mas o indicador talvez mais importante surge nas contas: no segundo trimestre, a Bajaj Mobility conseguiu apresentar EBIT positivo pela primeira vez desde a conclusão dos processos de reestruturação.
Receitas das motos mais do que duplicam
Os resultados publicados a 27 de agosto mostram uma recuperação muito forte da atividade. A faturação consolidada da Bajaj Mobility atingiu 701,4 milhões de euros no primeiro semestre, mais 65% do que os 425,2 milhões registados no período homólogo. No negócio específico dos motociclos KTM, Husqvarna e GASGAS, o crescimento foi ainda superior: +109,1%, para 579,6 milhões de euros.

Só no segundo trimestre foram vendidas 48.672 motos, mais 71% do que as 28.471 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. A faturação das marcas de motos atingiu 307,3 milhões de euros nesse trimestre, representando um crescimento de 117,5%.
São números particularmente relevantes porque a recuperação está a acontecer simultaneamente nas duas variáveis fundamentais: volume e receitas.
De perdas pesadas para EBIT positivo
Mas é na rentabilidade que encontramos o sinal mais importante. O EBITDA do segundo trimestre atingiu 32 milhões de euros, com uma margem de 8,7%. O EBIT melhorou em nada menos do que 166 milhões de euros relativamente ao segundo trimestre de 2025, regressando a terreno positivo.
No conjunto do primeiro semestre, o EBITDA chegou aos 37,6 milhões de euros, correspondendo a uma margem de 5,4%. Um ano antes, excluindo o efeito contabilístico associado à reestruturação, o EBITDA comparável era negativo em 183,3 milhões.
Não significa que todos os problemas estejam resolvidos, mas representa uma alteração substancial relativamente à situação que o grupo atravessava há pouco mais de um ano.

Cortar custos foi parte essencial da recuperação
O crescimento das vendas explica apenas uma parte desta viragem. A Bajaj Mobility afirma ter reduzido os custos fixos em 65,8 milhões de euros durante os primeiros seis meses do ano.
A reestruturação passou precisamente pela redução da estrutura operacional, reorganização das operações, controlo dos stocks e recuperação gradual dos níveis de produção.
Esse último ponto foi particularmente sensível durante a crise da KTM. A acumulação de motos na rede de distribuição tornou-se um dos símbolos dos problemas que antecederam a reestruturação, obrigando posteriormente o grupo a ajustar produção e inventários.
O objetivo passou a ser claro: produzir de acordo com a procura real, reduzir capital imobilizado e recuperar margem, em vez de continuar simplesmente a aumentar volumes.
Bajaj passou de parceiro a força central da KTM
Há ainda uma mudança estrutural impossível de separar destes resultados. A antiga Pierer Mobility é hoje Bajaj Mobility AG, depois de a Bajaj assumir o controlo da empresa. A holding continua sediada na Áustria e integra KTM, Husqvarna Motorcycles, GASGAS e WP, mas beneficia agora de uma ligação ainda mais profunda ao gigante industrial indiano.
A própria Bajaj Mobility destaca a combinação entre engenharia europeia e a capacidade tecnológica, industrial e comercial da Bajaj Auto como uma das bases da nova fase do grupo. É uma mudança muito maior do que uma simples alteração do nome da holding.
A KTM passou de uma empresa europeia com uma importante parceria industrial indiana para integrar uma estrutura em que a Bajaj ocupa uma posição determinante na estratégia futura.
KTM está, então, definitivamente recuperada?
Ainda será prematuro chegar a essa conclusão. Um trimestre positivo não elimina os efeitos de uma crise que obrigou a uma profunda reestruturação financeira e industrial. O verdadeiro teste será perceber se a KTM consegue manter vendas, rentabilidade e disciplina de produção durante vários trimestres consecutivos.
Mas os resultados agora publicados constituem provavelmente o sinal mais forte até ao momento de que a recuperação está realmente a acontecer. As vendas das marcas KTM, Husqvarna e GASGAS cresceram 91,9%, as receitas do negócio das motos aumentaram 109,1% e o segundo trimestre terminou com EBIT positivo.

Depois de uma crise em que muitas vezes se chegou a questionar o futuro da própria KTM, a situação começa assim a mudar, veremos até onde poderá chegar a recuperação sob o controlo da Bajaj.
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