Os pilotos de motociclismo são, definitivamente, feitos de outra fibra! E Martim Ventura deu mais um exemplo disso mesmo na derradeira etapa do Rali dos Sertões. Um dia que tinha tudo para ser tranquilo, acabou por terminar com o piloto português da Monster Energy Honda HRC a servir de pronto-socorro do seu rival na luta pela vitória à geral, Bruno Crivilin.
A oitava e derradeira etapa do Rali dos Sertões, disputada no passado domingo, dia 30 de agosto, levou os concorrentes de Goianésia de regresso até Goiânia, num total de 286 km, dos quais 127 km foram disputados contra o cronómetro.
Martim Ventura, que brilhou ao mais alto nível na sua estreia na prova brasileira, passou grande parte do Rali dos Sertões nos lugares de pódio. Mas uma vitória à geral parecia estar totalmente afastada da equação.
Primeiro foi o seu companheiro de equipa Tosha Schareina a liderar e depois foi Bruno Crivilin (Honda Racing) a assumir a liderança sensivelmente a meio da prova. O piloto português, que competiu em Moto 2 em vez de Moto 1 como os seus rivais mais diretos, fez o que podia para dar luta aos mais experientes na prova.

Com a desistência devido a queda de Tosha Schareina, Martim Ventura passou a ser o único que poderia roubar a vitória final a Bruno Crivilin. Mas a diferença de tempo entre ambos na classificação geral, ao que se juntaram alguns problemas técnicos na Honda CRF450RX Rally #84, tornaram a vitória do português numa miragem.
Porém, na derradeira etapa do Rali dos Sertões tudo podia ter mudado. E a vitória passou de miragem a uma real possibilidade.
Isto porque Bruno Crivilin, quando tentou desviar-se de uma vaca que apareceu à sua frente no percurso, acabou por embater numa árvore. A sua Honda CRF450RX ficou danificada e impossibilitada de seguir até à meta final em Goiânia pelos seus próprios meios.
No entanto, atrás de Crivilin no percurso vinha Martim Ventura. O português da equipa oficial da Honda, ao ver a situação do seu rival, optou por abdicar de terminar a etapa isolado e ganhar muito tempo ao seu rival, o que lhe daria a vitória absoluta e também na classe Moto 2. Ventura não deixou Crivilin sozinho e rebocou o companheiro de marca até ao fim da 8ª etapa.

Colocando os interesses da Honda à frente dos seus próprios interesses, Martim Ventura mostrou fibra de campeão e deixou neste Rali dos Sertões mais uma demonstração do seu talento, mas também da sua humanidade. Uma atitude que não deixou ninguém indiferente. Martim Ventura fechou então o Rali dos Sertões em 2º na geral, 1º em Moto 2, enquanto Bruno Crivilin, salvo pelo português na última etapa, celebrou a vitória final na chegada a Goiânia.
No final da sua estreia no Rali dos Sertões, Martim Ventura explicou como se sente:
“Este era o objetivo desde o início do rali: levar a Honda à vitória. Vim para dar o meu melhor, mas o foco sempre foi a Honda vencer. Foi um rali longo onde o Bruno esteve sempre um nível acima. Ele merecia a vitória mais do que qualquer outro. Eu até poderia ter triunfado, mas quando o vi com problemas, só pensei em ajudá-lo. Esse era o meu papel. Aprendi muito neste Sertões, evoluí em cima da moto, descobri novas técnicas e melhorei a condução nos diferentes terrenos. Também aprendi que, no fim, tudo dá certo. Para mim, e acredito que para muita gente, este rali foi uma grande lição”.
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