MotoGP 2022 – Um desporto de muitos milhões de euros!

Quanto custa uma queda em MotoGP 2022? Aqui fazemos algumas contas que mostram quantos milhões são gastos na categoria rainha.

A categoria rainha MotoGP 2022 é o topo do topo do motociclismo de competição. O nível de sofisticação e evolução tecnológica é apenas comparável com o que vemos na Fórmula 1.

Cada fabricante investe muitos milhões de euros no desenvolvimento dos seus projetos desportivos para MotoGP. Por exemplo, e acreditando nos rumores, diz-se que a KTM do Miguel Oliveira, investe cerca de 80 milhões de euros na categoria rainha!

E isso levou-nos a fazer algumas contas com a ajuda da calculadora para percebermos melhor o nível de investimento.

Infelizmente, as equipas não têm por hábito divulgar os valores certos que gastam nos seus protótipos e pilotos. Apenas temos uma ideia dos custos aproximados, embora existam alguns componentes que têm os seus preços tabelados, como por exemplo os sistemas de travagem, o que ajuda nos nossos cálculos.

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MotoGP 2022Já tem a calculadora na mão? Então vamos começar a somar!

O motor de um protótipo de MotoGP pode valer entre 200.000€ e os 250.000€. Porém, uma equipa satélite que compete em modo de “aluguer” da moto paga diretamente ao fabricante cerca de 2 milhões de euros por temporada. Isto é o valor por piloto! Ou seja, uma equipa satélite com dois pilotos sabe à partida que terá de ter orçamento de quatro milhões de euros.

Neste pacote de aluguer cada piloto satélite tem direito a duas motos, sendo que a equipa recebe do fabricante um conjunto de evoluções de componentes ao longo da temporada. Mas neste preço não estão incluídas peças ou outros componentes.

Mas estes 2 milhões das motos satélite ficam aquém dos 3 milhões (ou mais) em que estão avaliadas as motos das equipas de fábrica. Claro que isso tem um enorme impacto no orçamento da equipa e, claro, na quantidade de euros que são orientados para o desenvolvimento da moto. Estas motos de fábrica mais recentes e mais competitivas também são disponibilizadas a equipas satélite, embora isso dependa da relação da equipa com o fabricante.

Por exemplo, a Ducati Corse tem uma relação mais forte com a Pramac e assim tanto Jorge Martin como Johann Zarco contam com a mais atual Desmosedici GP22. Por outro lado, a Gresini Racing coloca à disposição de Enea Bastianini, atual líder de MotoGP antes do Grande Prémio da Argentina, uma Desmosedici GP21. Mas a equipa de Valentino Rossi, a Mooney VR46 tem um orçamento mais “forte” e consegue que Luca Marini tenha também uma GP22 enquanto Marco Bezzecchi tem uma GP21.

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MotoGP 2022A grandeza dos custos envolvidos em MotoGP pode ser também apreciada ao nível da eletrónica. Nenhum componente eletrónico custa menos de 1.000€. O conjunto de sensores, cablagem e painéis de uma MotoGP pode custar mais de 100.000€.

Os sistemas de travagem disponíveis em MotoGP são todos fornecidos, pelo menos na temporada 2022, apenas pela Brembo. A Dorna e a Federação Internacional de Motociclismo pretendem limitar um pouco os custos para as equipas e colocaram um limite máximo que a Brembo pode cobrar pelo pacote de travagem.

Neste momento esse valor limite é de 80.000€ em vez dos anteriores 70.000€, e existem duas opções. Na primeira opção a marca italiana entrega 3 pinças dianteiras (direita + esquerda), 3 bombas radiais, 10 discos de carbono e 28 pastilhas de travão. Na segunda opção criada para 2022, a Brembo entrega à equipa 2 pinças dianteiras (direita + esquerda), 3 bombas radiais, 10 discos de carbono e 32 pastilhas de travão.

Tudo o que for preciso a mais do que estes componentes incluídos no “pack” terá de ser adquirido à parte e com custos extra.

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MotoGP 2022Para as equipas de MotoGP uma queda não é nenhuma brincadeira. Daí que os pilotos que mais vezes “vão ao tapete” nos Grandes Prémios sejam um problema para os diretores das equipas.

Quando a moto cai de lado e vai a deslizar pelo asfalto define-se de queda “suave”. O deslizar por alguns metros tem custos que variam de 15.000€ a 20.000€ que servem para pagar manetes, poisa-pés ou algumas proteções e carenagens mais pequenas. Uma queda denominada de “dura” tem custos mais altos: cerca de 100.000€, pelo menos! Nestas quedas estamos a falar de jantes, discos de travão, suspensões ou radiador. Tudo elementos que se danificam quando a moto dá uma cambalhota.

Mas um impacto verdadeiramente forte ou quando a moto entra numa espiral de cambalhotas na gravilha pode custar cerca de meio milhão de euros! Depósito de combustível, quadro, braço oscilante, motor ou elementos críticos no interior da moto. Tudo isto tem um preço enorme.

Noutro nível encontramos as carenagens em fibra de carbono usadas numa MotoGP.

Este material exótico, altamente resistente e leve, é utilizado não apenas para fabricar carenagens, mas também outros componentes. O preço do total da fibra de carbono num protótipo da categoria rainha é de 2€ por cada 100 gramas deste material. E isto é sem contar com o obrigatório tratamento superficial que é necessário aplicar.

Um valor dez vezes superior ao aço – 0,20€/ 100 gramas – ou do plástico que é ainda mais baixo.

Outro material exótico também usado em MotoGP é o magnésio. Num protótipo este material é mais usado nas jantes de 17 polegadas. Cada jante custa pelo menos 4.000€. Os regulamentos não permitem que as jantes sejam fabricadas em fibra de carbono.

MotoGP 2022Mas uma temporada de MotoGP inclui ainda muitos outros custos que não estão diretamente relacionados com as motos.

Para além das motos, uma equipa de MotoGP tem de se preocupar em garantir um orçamento que permita enfrentar despesas correntes como viagens do pessoal técnico, organização de cada corrida, patrocinadores e colaboradores.

Os custos associados à viagem de cada um dos membros de uma equipa rondam os 1.200€ por Grande Prémio. Uma equipa terá 30 elementos. Logo, os custos por corrida são 36.000€ apenas para garantir o transporte do pessoal técnico de corrida em corrida. A temporada 2022 de MotoGP é a mais longa de sempre com 21 Grandes Prémios, o que significa que cada equipa gasta em média 756.000€ nas viagens. Mas isto não conta com as viagens dos pilotos, dos responsáveis máximos da equipa ou outras pessoas que sejam convidadas e viajam, claro, em maior comodidade em vez de viajar em turística como os restantes elementos do staff.

É necessário contar ainda com cerca de 600.000€ dedicados aos elementos da hospitality que se monta todos os GP no paddock do circuito e fornecedores, aos veículos usados pelos membros da equipa, e mais uma série de outras despesas de menor valor, mas que, tudo somado, ajudam a adicionar outros 2 milhões de euros ao orçamento anual de uma equipa de MotoGP.

Uma última nota que pode ser considerada interessante para estas contas multimilionárias de MotoGP, está relacionada com os pneus.

De acordo com a Michelin, fornecer os pneus para todos os pilotos da categoria rainha tem um custo de 1,2 milhões de euros por cada Grande Prémio. Estes são pneus específicos para cada fim de semana. Basta relembrar a polémica que foi a Michelin utilizar um pneu diferente no GP da Indonésia.

Este valor divulgado pela Michelin tem em conta o preço dos pneus em si e o respetivo transporte, como também inclui os custos relacionados com os seus técnicos que ajudam as equipas ao longo do fim de semana de corridas. Se tivermos em conta que são 21 corridas ao longo do ano, isto significa que a Michelin gasta mais de 25 milhões de euros por temporada.