Foi, a todos os títulos, um domingo caótico para a categoria MotoGP. O Grande Prémio da Catalunha prometia elevar as emoções dos pilotos, equipas e fãs para um novo patamar, mas dificilmente seria possível imaginar o caos a que assistimos nesta corrida catalã da categoria rainha.
De tal forma caótica que a corrida do GP da Catalunha contou com nada menos do que três arranques, que foram reduzindo a distância a percorrer em cada recomeço. Um domingo repleto de bandeiras vermelhas, problemas técnicos, quedas dramáticas, momentos de tensão e frustração no pit lane, penalizações por manobras que resultaram em quedas e ainda temos de contar com possíveis penalizações a diversos pilotos devido à pressão dos pneus.
Dividindo a corrida do Grande Prémio da Catalunha em três partes, tivemos sempre um denominador comum em todas elas no que à liderança diz respeito: Pedro Acosta.
O piloto da Red Bull KTM Factory foi conseguindo arrancar da ‘pole position’ defendendo de forma exímia a sua liderança enquanto via os seus rivais mais diretos a discutirem as posições seguintes.

Tudo parecia estar a correr bem para Pedro Acosta quando, à volta 12 das 24 previstas, na passagem na reta oposta que liga as curvas 9 e 10, a KTM RC16 do piloto espanhol sofreu uma falha eletrónica – refira-se que na formação da grelha de partida já Brad Binder tinha sofrido um problema na sua KTM e não arrancou do seu lugar. ‘El Tiburón’, ao aperceber-se, manteve-se no lado esquerdo da reta, procurou avisar os outros pilotos que havia um problema, levantou a mão, mas nesse preciso momento tinha Alex Márquez (BK8 Gresini Racing) colado na sua traseira.
O então segundo classificado não conseguiu evitar o embate na traseira da KTM de Acosta, sendo que o espanhol da KTM não chegou a cair. Infelizmente, o mesmo não podemos dizer de Alex Márquez.
O espanhol da Gresini Racing acabou por ser ‘empurrado’ para a gravilha no lado direito da pista a alta velocidade, e acabou por perder o controlo da moto num ressalto, e a queda aparatosa foi inevitável. A Ducati #73 desfez-se por completo e algumas das suas peças, nomeadamente a roda dianteira e forquilha, acabaram por voltar para a pista tendo batido em Fabio di Giannantonio (Pertamina Enduro V46) que acabou por cair.
A Gresini Racing já informou que Alex Márquez está no hospital, estava consciente enquanto era assistido em pista, e aguardam-se novidades sobre o seu estado clínico, sendo que algumas informações apontam para que o piloto espanhol estava a queixar-se bastante da zona lombar.
Tudo o que aconteceu naturalmente obrigou a bandeiras vermelhas e à primeira interrupção da corrida.

Após alguns minutos, a Direção de Corrida anunciou o recomeço da corrida do Grande Prémio da Catalunha de MotoGP, com uma distância de 13 voltas. Todos os pilotos à exceção de Alex Márquez e Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3), que, entretanto, tinha abandonado por falha na sua moto, puderam recomeçar a nova corrida.
No recomeço, novamente Pedro Acosta conseguiu manter a liderança e com Joan Mir (Honda HRC Castrol) a saltar de forma surpreendente para a segunda posição. Mais atrás, na travagem para a curva 1… novamente o caos!
Johann Zarco (Castrol Honda LCR) entrou na travagem com a sua moto descompensada. Os toques foram inevitáveis. O francês tocou em Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team) e no incidente tivemos também o envolvimento de Luca Marini (Honda HRC Castrol). Para os dois últimos, as consequências não foram graves. Mas, infelizmente, o mesmo não se pode dizer de Johann Zarco.
O experiente piloto francês, ao cair, acabou por ficar com o corpo preso entre a roda traseira da Ducati de Bagnaia e a traseira da moto italiana. Na gravilha da escapatória, a moto #63 começou a rebolar, quase como numa máquina de lavar, com Zarco preso e impotente para se proteger de toda a violência dos vários impactos. Um acidente verdadeiramente assustador.
A Direção de Corrida deu por interrompida a corrida de imediato com bandeiras vermelhas. Francesco Bagnaia e Luca Marini saíram do acidente praticamente incólumes, pelo seu próprio pé. Johann Zarco teve de ser assistido pelos médicos de MotoGP ainda na gravilha, consciente, mas com suspeitas de lesões graves.
Felizmente, de acordo com as primeiras informações oficiais divulgadas pela equipa LCR, Zarco, que inicialmente foi visto no Centro Médico do circuito e depois transportado para um hospital local, apenas se queixou inicialmente de dores no peito e na perna, especificamente na zona do joelho. O fato do piloto francês foi cortado para o poder despir, mas do que se depreende das informações da LCR, parecem estar afastadas lesões mais graves do que inicialmente se antecipou, tendo em conta a violência do acidente.

Foi então necessário um novo recomeço. Desta feita a Direção de Corrida indicou que a corrida do Grande Prémio da Catalunha passaria a ter apenas 12 voltas. O mesmo número de voltas da corrida Sprint, e por isso alguns pilotos optaram por trocar pneus para composto macio.
No terceiro arranque deste domingo, Pedro Acosta voltou a ser o mais forte e manteve a liderança da corrida mesmo sob forte pressão de Joan Mir. Logo atrás, na curva 5, Raul Fernández (Trackhouse Racing) tentou uma manobra mais ‘apertada’ sobre Jorge Martín (Aprilia Racing), sendo que os dois acabaram por se tocar e sair pela gravilha. Raul não chegou a cair, mas Martín não evitou mesmo a queda. Regressaram à corrida já na cauda do pelotão.
Ao mesmo tempo, no pit lane vimos Massimo Rivola (CEO da Aprilia Racing) a dirigir-se à box da Trackhouse Racing onde dirigiu, com ar de poucos amigos, algumas palavras a Davide Brivio, o ainda diretor da equipa satélite da marca italiana, que ouviu e voltou para box enquanto Rivola se afastou novamente para a box da equipa de fábrica.
Na pista, Joan Mir tentou passar por Pedro Acosta por diversas vezes, mas o piloto da KTM foi travando sempre no limite dos limites, agarrando-se à liderança e já sonhava então com aquela que seria a sua primeira vitória ao domingo em MotoGP.
Mas Fabio di Giannanontio não estava de todo com vontade de deixar Acosta e Mir ficarem à sua frente. O italiano não esperou muito para lançar um ataque bem sucedido a Joan Mir. Pouco depois era a vez de replicar a manobra sobre Pedro Acosta, que desta feita não teve argumentos para defender a posição e perdeu então a liderança para Fabio di Giannantonio que de imediato abriu uma margem de segurança para os perseguidores.
O italiano fugiu então e só parou quando foi o primeiro a receber a bandeira de xadrez neste Grande Prémio da Catalunha. Foi a segunda vitória para este piloto na categoria rainha e com isto coloca-se em 3º no campeonato, atrás de Marco Bezzecchi e Jorge Martín, os pilotos Aprilia Racing que tiveram um domingo muito complicado.
Bezzecchi foi 5º e Martín não se classificou na corrida, tendo regressado à box da Aprilia Racing visivelmente frustrado com tudo o que aconteceu.

Com Di Giannantonio inalcançável, vimos também Joan Mir a superar, finalmente, Pedro Acosta a duas voltas do fim, sendo que vindo de trás, Fermín Aldeguer (BK8 Gresini Racing) também surpreendeu o espanhol da KTM para reclamar para si o derradeiro degrau do pódio.
A situação de sonho de Pedro Acosta rapidamente se transformou num pesadelo, pois já na última curva foi tocado por Ai Ogura (Trackhouse Racing). Acosta acabou na gravilha e Ogura cortou a meta em 4º. Mas seria rapidamente penalizado com 3 segundos adicionados ao seu tempo final, o que fez com que o piloto japonês terminasse afinal em 9º.
E no meio deste caos, a Direção de Corrida anunciou que vários pilotos estão sob investigação devido à regra da pressão dos pneus: Joan Mir, Toprak Razgatlioglu, Raul Fernández, Alex Rins, Jack Miller e Francesco Bagnaia. Todos eles podem ainda vir a ser penalizados e por isso a classificação final do Grande Prémio da Catalunha não está, para já, fechada.
No que às contas do campeonato diz respeito, e num fim de semana particularmente complicado, temos Marco Bezzecchi a aumentar a vantagem para Jorge Martín, com os dois pilotos agora separados por 12 pontos, 139 vs 126, sendo que Fabio di Giannantonio com 116 pontos também consegue aqui uma boa operação para o campeonato e está agora claramente na discussão pelo título de MotoGP.

Atualização
Tal como se previa, o aviso de que alguns pilotos de MotoGP estavam sob investigação devido à pressão dos pneus resultou em penalizações. Mais concretamente em penalização, pois apenas Joan Mir (Honda HRC Castrol) foi apanhado com pressão demasiado baixa.
O piloto espanhol foi o único a ser penalizado e com isso perdeu o seu 2º lugar na corrida do Grande Prémio da Catalunha. Joan Mir regressou ao pódio após uma longa ausência, um resultado surpreendente. Porém, foi penalizado com a adição de 16 segundos ao seu tempo final, o que significa que desce de 2º para 13º. Dos 20 pontos que inicialmente tinha conquistado, Mir acaba o fim de semana a somar 3 pontos.
Isto significa que uma série de pilotos sobem uma posição, com particular foco para Fermín Aldeguer que subiu de 3º para 2º, enquanto Francesco Bagnaia acaba mesmo por conseguir terminar no pódio ao subir de 4º para 3º.
Isto significa que temos algumas atualizações à classificação de MotoGP.
Assim, com o resultado final homologado, temos o Top 10 de MotoGP assim ordenado:
1 – Marco Bezzecchi – 142 pontos
2 – Jorge Martín – 127 pontos
3 – Fabio di Giannantonio – 116 pontos
4 – Pedro Acosta – 92 pontos
5 – Ai Ogura – 77 pontos
6 – Raul Fernández – 68 pontos
7 – Alex Márquez – 67 pontos
8 – Francesco Bagnaia – 63 pontos
9 – Marc Márquez – 57 pontos
10 – Fermín Aldeguer – 47 pontos
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