Competir em MotoGP quando tudo está perfeito, já é uma missão muito complicada. O nível altíssimo de competitividade entre os diferentes fabricantes obriga a que os protótipos estejam sempre a 100% das suas capacidades. Mas, quando alguma coisa falha, por mais insignificante que seja, vencer ou ficar nos lugares de topo torna-se numa missão quase impossível. E a KTM descobriu isso mesmo nesta temporada 2026 da categoria rainha.
O problema?
A falta de fiabilidade do motor V4 que está instalado nas quatro RC16 utilizadas por Pedro Acosta, Brad Binder, Enea Bastianini e Maverick Viñales (ou outro piloto que substitua o espanhol que tem estado lesionado).
Após o grave incidente ocorrido durante o Grande Prémio da Catalunha, que resultou numa aparatosa queda de Alex Márquez (BK8 Gresini Racing) que não evitou o embate na moto de Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory) após o motor V4 da moto austríaca se ‘calar’ em plena aceleração e perder muita velocidade, mas também diversos outros incidentes técnicos que aconteceram nas restantes RC16 antes disso, a marca de Mattighofen rapidamente acabou por descobrir a causa dos problemas: uma peça defeituosa, fabricada por um fornecedor externo sem cumprir com os parâmetros definidos pela KTM.

O resultado deste problema foi que as RC16 tiveram de competir em MotoGP durante várias rondas com os seus motores V4 limitados em termos de rotações máximas que podiam atingir. Para além de outras medidas que foram adotadas pela KTM.
O objetivo passou de vencer corridas a ser garantir que as motos eram capazes de simplesmente terminar as corridas.
A solução: abrir motores. O problema: a autorização da MSMA
Com o problema claramente identificado, e tal como foi inicialmente reportado pelo portal Speedweek, a KTM passou ao passo seguinte: resolver o problema.
Porém, a solução, abrir os motores e substituir componentes, tendo em conta os regulamentos de MotoGP que proíbem a abertura e modificação das especificações dos motores após o arranque da temporada, obrigava a que a KTM pedisse autorização à MSMA, a associação de fabricantes que junta a marca austríaca, a Aprilia, a Ducati, a Honda e ainda a Yamaha.
A autorização teria de ser obrigatoriamente dada para se poder abrir os motores. E a decisão da MSMA teria de ser unânime. Existe, no entanto, uma exceção em relação à unanimidade necessária: caso seja demonstrado que o problema detetado coloca em causa a segurança dos pilotos em pista (sejam da marca afetada, sejam dos outros), não seria necessária a ‘luz verde’ por parte de todos os fabricantes da MSMA.
Para a KTM, a boa notícia foi que não foi necessário recorrer a essa derradeira ‘cartada’, a da segurança para os pilotos. A MSMA decidiu dar autorização à KTM para abrir os motores e substituir o componente defeituoso por um novo componente, que mantém as especificações originais inicialmente apresentadas na homologação do motor V4 antes deste ser selado.
A operação de reparação dos motores já foi concluída com êxito, sendo que todas as KTM RC16 que forem utilizadas a partir de agora em MotoGP no que falta disputar do calendário, começando já no próximo Grande Prémio de Aragão, dentro de uma semana, estarão novamente no seu modo de máxima performance, ou seja, em modo ‘full power’.
Importa referir que a operação de reparação foi realizada em condições altamente controladas.
O objetivo foi garantir que a KTM não iria instalar um componente que pudesse alterar para melhor as especificações de performance originais do motor V4 da RC16, definidas na homologação que foi apresentada ao Diretor Técnico de MotoGP em 2025 (recordamos que os motores de 2026 são os mesmos de 2025, estando as especificações ‘congeladas’, à exceção da Yamaha).

GP de Aragão é o recomeço para a KTM
Problemas de fiabilidade resolvidos, a partir de agora, mais especificamente a partir do Grande Prémio de Aragão de MotoGP, teremos os quatro pilotos da KTM a poderem pilotar sem receios e com a certeza de que os motores estarão a ser utilizados na sua máxima performance, sem quaisquer restrições de rotações.
Numa temporada em que temos visto resultados discretos por parte dos protótipos ‘laranja’, ainda que Pedro Acosta tenha já conseguido vencer uma corrida Sprint (na Tailândia) e estado no pódio, a notícia de que os motores estão agora de volta ao modo ‘full power’ deverá, tudo indica, devolver alguma competitividade às RC16.
E se tivermos em conta que Pol Espargaró, que competiu no lugar de Viñales, foi o piloto que atingiu a maior velocidade máxima no GP da Grã-Bretanha, 341,7 km/h, mas também Brad Binder e Enea Bastianini com velocidades muito perto dos 340 km/h estiveram entre os mais velozes em Silverstone, será interessante perceber como se vão comportar as KTM em Motorland Aragón, um traçado com uma longa reta posterior onde os motores são levados ao limite da sua rotação para atingirem a velocidade máxima bem acima dos 300 km/h.
O próximo evento do calendário de MotoGP será, por isso, um verdadeiro recomeço da temporada da KTM.
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