Naquele que foi, em termos de resultado final, o seu melhor fim de semana da temporada ao ser 12º classificado na corrida principal do Grande Prémio da Hungria, Miguel Oliveira tornou-se num dos nomes em maior destaque no paddock de MotoGP pois é um dos pilotos que continua sem ter o seu futuro definido.
Já se sabe, há várias semanas, que a Yamaha Racing e a Prima Pramac estão a analisar qual dos atuais pilotos da equipa satélite pode ficar como companheiro de equipa de Toprak Razgatlioglu a partir de 2026. A própria marca japonesa definiu o prazo para anunciar a decisão: após o Grande Prémio da Hungria. E a Prima Pramac, pela voz do seu diretor desportivo Gino Borsoi, confirmou isso mesmo, garantindo que esta semana teremos comunicados oficiais a anunciar a decisão final.
Toda esta indefinição no que à decisão diz respeito levou mesmo Jack Miller a lançar publicamente um ‘ultimato’ à Yamaha: têm de se decidir rapidamente de forma ao australiano poder, eventualmente, seguir novo caminho para a sua carreira.
As palavras de Miller antes mesmo do começo do Grande Prémio da Hungria causaram bastante impacto, quer no paddock, quer também na própria Yamaha. E, apesar de ainda nada ser oficial, tudo indica que a marca japonesa ‘cedeu à pressão’ e terá optado por manter Jack Miller na Prima Pramac Yamaha em 2026, ao lado de Toprak Razgatlioglu.

Tal decisão, a confirmar-se, deixa Miguel Oliveira com o seu futuro totalmente em aberto. Mas o #88 tem-se mostrado publicamente imperturbável, trabalhando em pista todos os fins de semana procurando superar os problemas que a YZR-M1 vai revelando.
Mas também o português sabe que o momento para definir o futuro da sua carreira como piloto profissional está a ‘apertar’.
Nesse sentido, existem diversas opções que podemos apontar como caminho a seguir para o ainda piloto da Prima Pramac Yamaha. Recordamos que Miguel Oliveira tem um contrato do tipo 1+1 com a marca japonesa, sendo que existem cláusulas de performance que podem ser acionadas de forma a que a Yamaha possa rescindir o contrato do português já no final de 2025.
Miguel Oliveira: Que futuro? Aqui ficam algumas possibilidades
Há alguns rumores que referem Miguel Oliveira como possível substituto de Alex Rins na equipa de fábrica Monster Energy Yamaha.
É verdade que em pista temos visto o #88 conseguir melhores posições em corrida comparando com o #42 da equipa de fábrica. Mas o espanhol tem contrato, e mesmo tendo em conta as suas más performances nesta temporada, Paolo Pavesio, diretor da Yamaha Racing e uma das pessoas que terá maior ‘peso’ na decisão, já admitiu publicamente que Alex Rins é para ficar. E por isso esta opção será a que menos força tem.
Em sentido contrário, a opção que mais força tem vindo a ganhar nas últimas horas mantém Miguel Oliveira no paddock de MotoGP. Falamos de um possível regresso à Aprilia, mas neste caso como piloto de testes. A marca italiana tem um único piloto de testes sob contrato, Lorenzo Savadori, mas estará à procura de um segundo piloto para dar um salto qualitativo no que ao desenvolvimento da RS-GP diz respeito.
Contratar para piloto de testes Miguel Oliveira seria o ideal para a Aprilia. Não só o português já conhece o projeto de Noale ao ter competido duas temporadas inserido na equipa satélite, como é um piloto com maior capacidade de levar ao limite a RS-GP em comparação com Savadori, e assim encontrar os pontos da moto italiana que precisam de ser trabalhados para elevar a performance.

Porém, ser piloto de testes não parece estar nas cogitações de Miguel Oliveira. O português por diversas vezes fez notar que sente ter capacidade e qualidades para continuar a competir como piloto a tempo inteiro.
Mas, estando todos os lugares como piloto a tempo inteiro ocupados, ser piloto de testes pode ser a solução para o futuro do #88 que, aliás, ao longo da sua carreira tem sido elogiado por ser um atleta com uma capacidade extra para ajudar ao desenvolvimento das motos que pilotou ao dar às equipas um “feedback” bastante valioso.
Outro ponto positivo desta opção seria poder realizar algumas corridas como “wildcard” em 2026, sem esquecer que ficaria ligado ao campeonato num ano que antecede o começo de uma nova era do campeonato, e que depois vários pilotos estarão a negociar contrato.
Mas ser piloto de testes não satisfaz os desejos e ambição de Miguel Oliveira. Embora mantenha todas as possibilidades em aberto, nas suas referências ao futuro, o piloto português parece afastar-se dessa possibilidade. E aí, uma mudança de campeonato talvez se torne mais apelativa. Nomeadamente para o Mundial Superbike.
Neste caso, o português foi associado com bastante ‘força’ nas últimas semanas ao lugar que ainda estava livre na equipa de fábrica Aruba.it Ducati. Teria como companheiro de equipa Nicolò Bulega e estaria sentado aos comandos da novíssima Panigale V4 R, uma moto que está a terminar o seu desenvolvimento e fará a estreia no próximo ano no Mundial Superbike.

Porém, essa ‘porta’ fechou-se já esta segunda-feira. A Aruba.it Ducati anunciou a contratação de Iker Lecuona, que sai da Honda HRC.
Mas enquanto uma porta se fecha, outra porta abre.
Sempre tendo em conta que estamos no campo das meras possibilidades à falta de confirmação oficial, e no seguimento de Jonathan Rea anunciar que se vai reformar no final do ano, talvez Miguel Oliveira pudesse ser seduzido pela Yamaha para ocupar a posição do norte-irlandês na equipa oficial Pata Maxus Yamaha e assim procurar levar a YZF-R1 novamente ao topo do campeonato.
Diga-se que, na verdade, o plantel de Superbike ainda apresenta muitos lugares livres, pelo que as hipóteses no caso de mudança para esse campeonato são muitas.
Inclusive para a BMW Motorrad, que viu sair Toprak Razgatlioglu para a Prima Pramac Yamaha em MotoGP e que não deverá ficar com o neerlandês Michael van der Mark como companheiro de equipa de Danilo Petrucci, a mais recente contratação da marca alemã.
Esta será uma opção muito forte a ter em conta, pois a BMW Motorrad tem a capacidade financeira para corresponder às ambições de Miguel Oliveira. Um contrato milionário para o piloto português poderá estar em cima da mesa à espera da assinatura do #88.
Sabemos que a marca alemã pretende um piloto com experiência de MotoGP (inclusivamente muito se falou de ‘pescar’ na categoria intermédia Moto2), e nesse sentido a contratação de Miguel Oliveira traria para a formação germânica essa experiência, inclusive contratando um piloto com 5 vitórias em MotoGP e que já passou por fabricantes como KTM, Aprilia ou Yamaha.
Neste cenário da BMW Motorrad contratar Miguel Oliveira, um cenário que ‘passou despercebido’ a muita gente, mas que aqui na Revista Motojornal não descartamos de todo, podemos ainda fazer a ligação com a intenção da marca de entrar no MotoGP. Markus Flasch, presidente da BMW Motorrad, referiu que entrar em 2027, no início das novas regras e motores 850 cc, não será viável. Mas o apelo de competir em MotoGP existe e a entrada não está afastada. E para esse projeto, a experiência de Miguel Oliveira pode ser vital.
Seja qual for o futuro de Miguel Oliveira, esta semana teremos todas as confirmações oficiais. E o piloto afirmou mesmo em declarações à Sport TV que “Tenho bem definido o que vou fazer no futuro”.
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