Nascido em 1993, daí o seu icónico #93 nas carenagens das suas motos ao longo dos anos, Marc Márquez, natural de Cervera, completou este domingo no circuito de Motegi um regresso inacreditável aos títulos mundiais de motociclismo de Velocidade. O piloto espanhol que chegou a ter a sua carreira em risco devido à lesão no braço direito, recuperou, arriscou numa mudança de fabricante e foi agora recompensado.
Campeão em 125 cc, campeão depois em Moto2 e em MotoGP, Marc Márquez é um daqueles pilotos que está, por mérito próprio, na história riquíssima do maior e melhor campeonato de motociclismo do Mundo.
O segundo lugar no Grande Prémio do Japão este domingo, 28 de setembro de 2025, permitiu-lhe adicionar mais um troféu – e logo o novo troféu dos campeões de MotoGP – à já sua vasta coleção de troféus que colecionou ao longo dos anos.
Marc Márquez é o novo campeão de MotoGP de 2025, conquistando assim o seu 7º título da categoria rainha e igualando os 9 títulos mundiais de Valentino Rossi. Vamos então contar-lhe a história de como surgiu este título e os números impressionantes com a assinatura do #93 da Ducati Lenovo Team.

Já depois de conquistar os títulos nas categorias 125 cc e Moto2, Marc Márquez subiu ao MotoGP em 2013. Iniciou aí o seu reinado com a Repsol Honda, um reinado coroado com sucessos e títulos. Tornou-se então no piloto mais jovem de sempre a conseguir sagrar-se campeão de MotoGP, sendo, em 35 anos, o primeiro piloto a conseguir o título enquanto piloto “rookie”.
Com um estilo de pilotagem muito agressivo e com os cotovelos sempre a deslizar no asfalto, Marc Márquez voltou a ser campeão da categoria rainha em 2014. No ano seguinte, no meio da enorme polémica do final de temporada, o espanhol viu Jorge Lorenzo ‘roubar-lhe’ a coroa.
Em 2016 e 2017 voltou a saborear as vitórias no que a títulos diz respeito. Mas seria em 2019 que o piloto (na altura) da Repsol Honda conseguiu impressionar tudo e todos: 12 vitórias em 19 corridas, 18 pódios em 19 possíveis, e um recorde de 420 pontos numa só temporada, antes do começo das corridas Sprint.
Depois chegou a temporada 2020 que colocou em causa a carreira de Marc Márquez.
No Grande Prémio que, por força das limitações impostas pelo Covid-19, disputou-se em Jerez e abriu a temporada, e num momento em que estava a realizar uma impressionante recuperação depois de uma saída de pista, Marc Márquez sofre uma queda que resultou na fratura do úmero do braço direito.
Tentou voltar à competição uma semana mais tarde, mas era demasiado cedo, colocando tudo em causa.

Foi operado ao braço direito três vezes em 2020, incluindo uma devido ao osso ter infetado e não permitir curar. No total foi operado por quatro vezes ao braço direito e uma vez ao ombro. O inverno foi passado a recuperar, e em 2021 regressou às vitórias, mas uma queda em treinos fez com que Marc Márquez voltasse a ter episódios de diplopia, uma condição visual que já o tinha afetado ao longo da sua carreira devido à lesão no nervo ótico. Não terminou a temporada.
Em 2022, e mesmo com alguns sinais positivos, o piloto espanhol decidiu submeter-se à derradeira operação ao seu braço direito. Viajou para os Estados Unidos, onde na operação os médicos voltaram a fraturar o osso, rodando-o em nada menos do que 30 graus! O objetivo era permitir que Marc deixasse de ter constrangimentos de movimentos, dores constantes e assim pudesse voltar a pilotar uma MotoGP.
Foi o momento decisivo e que, agora, podemos dizer que lhe permitiu preparar-se para um regresso incrível que culminou com o título de MotoGP em 2025.
A temporada 2023 foi extremamente complicada aos comandos de uma Honda RC213V que tinha ‘perdido o rumo’. A Honda tentou manter o seu campeão na equipa, oferecendo-lhe um contrato de muitas dezenas de milhões de euros. Mas Marc Márquez já tinha decidido: o seu futuro, se quisesse ser campeão, passava por uma mudança drástica!

Essa mudança, que o piloto definiu publicamente como “Eu tenho um plano!” ao responder em conferência de imprensa às dúvidas dos jornalistas e fãs, implicou a rescisão de contrato com a Honda e a assinatura de um contrato com a Gresini Racing de Nadia Padovani, e onde já estava o seu irmão Alex.
Saiu de uma equipa de fábrica, a única que conhecia, para arriscar numa equipa satélite. E fez isso prescindindo daquele que era o maior ordenado do MotoGP, passando a competir praticamente ‘de borla’.
Mas o plano que Marc Márquez tinha imaginado na sua cabeça acabou por resultar.
Em 2024, e mesmo com uma moto satélite abaixo das especificações das motos de fábrica, o espanhol voltou às vitórias e foi terceiro classificado no fim da temporada. As suas prestações despertaram o interesse da Ducati de Gigi Dall’Igna, que optou por contratar Marc Márquez para a equipa de fábrica em vez de Jorge Martín, que viria a sagrar-se campeão.
A temporada de 2025 está a ser impressionante. Vitórias, recordes de pontos, domínio avassalador em pista, e a conquista do título de campeão. Marc Márquez conseguiu concretizar o tão ambicionado regresso ao topo da categoria rainha. E a temporada ainda não terminou!

Os números de Marc Márquez
– Competiu por três equipas diferentes desde que foi campeão em 2019: Repsol Honda, Gresini Racing e Ducati Lenovo Team;
– Foi operado 5 vezes ao braço e ombro direito desde que foi campeão em 2019, e falhou 30 Grandes Prémios;
– Sofreu 108 quedas desde que foi campeão em 2019;
– Passaram 581 dias desde a sua última vitória em 2019 e a primeira após a lesão, o GP da Alemanha em 2021;
– Passaram outros 1043 dias desde a vitória na Alemanha em 2021 até voltar a vencer novamente em Aragão em 2024;
– É o piloto com a maior diferença temporal entre títulos conquistados: 6 anos. O segundo piloto é Casey Stoner campeão em 2007 e depois em 2011, primeiro com a Ducati e depois com a Honda;
– É o segundo piloto com maior número de vitórias em MotoGP. Tem 73 vitórias neste momento. Apenas Valentino Rossi com 89 vitórias está à sua frente;
– Com 541 pontos já passou o recorde de pontos numa só temporada desde o começo das Sprint. E ainda faltam 5 Grandes Prémios;
– É o piloto com maior número de dobradinhas (vitória na Sprint e GP). Conseguiu já 10 dobradinhas passando as 5 dobradinhas conseguidas por Francesco Bagnaia em 2024;
– É o sexto piloto na história a conseguir ser campeão por dois fabricantes diferentes;
– É o piloto com maior número de vitórias consecutivas com uma Ducati: 7 vitórias, de Aragão à Hungria;
– É o primeiro piloto a conseguir 7 dobradinhas consecutivas, também de Aragão à Hungria;
– Com a vitória em Misano igualou Andrea Dovizioso como o 3º piloto com mais vitórias numa Ducati;
– Com o título de 2025, iguala os 7 títulos de Valentino Rossi em MotoGP, e fica agora a apenas 1 título de Giacomo Agostini que tem 8 na categoria rainha.
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