O regulamento oficial do Mundial de Velocidade está em constante adaptação. E mais ainda quando o campeonato se prepara para uma mudança de regulamentos que será a mais radical dos últimos anos: a era das 850 cc em MotoGP. Por isso a Comissão de Grandes Prémios decidiu anunciar várias novidades ao regulamento oficial.
Depois de finalizadas várias reuniões que decorreram ao longo dos meses de março e abril, a Comissão de Grandes Prémios decidiu alterar o regulamento de MotoGP. Algumas das novidades são para serem aplicadas apenas em 2027, enquanto outras são para serem aplicadas com efeito imediato.
A novidade agora anunciada e que é, sem dúvida, a mais importante (e a que mais discussão irá gerar) é a que diz respeito ao fim dos famosos ‘wildcards’.
Muitos pilotos ao longo dos anos foram competindo em MotoGP, ou na classe rainha 500 cc, como convidados de fabricantes ou equipas. E alguns deles obtiveram resultados bastante relevantes. Basta recordar quando Troy Bayliss foi convidado pela Ducati para competir no Grande Prémio da Comunidade Valenciana, em 2006, tendo vencido categoricamente e batendo os pilotos a tempo inteiro.
A partir de 2027 os ‘wildcards’ não serão permitidos em MotoGP. A decisão da Comissão de Grandes Prémios refere também que esta novidade regulamentar é válida para todos os fabricantes, independentemente do patamar de concessões em que se encontrem.
Como se sabe, atualmente os fabricantes podem usar ‘wildcards’ ao longo da temporada. Alguns, o que estão nos patamares D ou C, têm maior quantidade de ‘wildcards’ para usar em comparação com os fabricantes que estão nos patamares B ou A das Concessões de MotoGP. O que, em teoria, dará a quem tem mais ‘wildcards’ alguma vantagem no desenvolvimento dos protótipos.
Os ‘wildcards’ vão continuar a existir nas categorias Moto2 e Moto3.
Outra novidade agora anunciada pela Comissão de Grandes Prémios para a categoria MotoGP, esta com efeito imediato, é a proibição dos fabricantes de usarem os seus ‘wildcards’ para competir em 2026 com os novos protótipos 850 cc de 2027. Independentemente do patamar de Concessões, os protótipos de 850 cc com as especificações de 2027 apenas vão poder entrar em competição a partir da primeira ronda da próxima temporada.
Isto significa que, por exemplo, a Yamaha não poderá a partir de agora usar a sua nova moto em 2026. Recordamos que a Yamaha é o único fabricante a ocupar o patamar D das Concessões. Isto permite à marca japonesa modificar as especificações do motor da YZR-M1 V4 conforme desejar, não estando ‘presa’ a uma especificação de motor como estão os restantes fabricantes. Desta forma a Comissão de Grandes Prémios retira esta possibilidade em absoluto.
Outra das novidades que são importantes em MotoGP é a confirmação de que a famosa (e controversa) regra da pressão mínima dos pneus na categoria rainha é para continuar a ser aplicada em 2027.
Apesar da troca da Michelin para pneus da Pirelli, e de Giorgio Barbier, diretor da Pirelli para a competição moto, ter já referido que no caso dos pneus da marca italiana não há problemas de segurança com a utilização de pressões baixas, o que foi visto como uma clara indicação de que a regra da pressão mínima tinha os ‘dias contados’, a verdade é que os membros da Comissão de Grandes Prémios decidiram manter esta regra inalterada para 2027.
Outras novidades do regulamento:
– Procedimento de contagem de tempo em caso de procedimento de arranque atrasado: após a Direção de Corrida anunciar o atraso no procedimento de arranque, a contagem de tempo para a volta de aquecimento passa dos atuais 3 minutos para os 5 minutos. Aplicação com efeito imediato;
– Monitorização do ritmo cardíaco dos pilotos Moto2 e Moto3: é permitida a utilização de um sensor de medição do ritmo cardíaco nas categorias Moto2 e Moto3.
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