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MotoGP – ‘All-in’ do governo de Victoria não funciona e GP da Austrália vai deixar Phillip Island

Nem a promessa de mais investimento garantiu o GP da Austrália em Phillip Island. O MotoGP rumará a um circuito na Austrália do Sul.

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Ainda ontem, terça-feira 17 de fevereiro, aqui na Revista Motojornal demos conta de um comunicado oficial divulgado pelo governo do estado de Victoria sobre o futuro do Grande Prémio da Austrália passar por uma permanência do circuito Phillip Island no calendário do MotoGP para além de 2026.

O contrato do icónico traçado australiano com o MotoGP termina este ano, com as entidades governamentais do estado de Victoria a quererem assinar um novo acordo, agora com a MotoGP Sport Entertainment SL.

Para ajudarem a convencer a nova entidade gestora do Mundial de Velocidade, sob a alçada dos americanos da Liberty Media, os governantes australianos prometeram um reforço do investimento no GP da Austrália em Phillip Island… mas apenas se o evento se mantivesse nesse circuito!

Foi o que podemos considerar como um ‘all-in’ do estado de Victoria. Uma jogada que não surtiu, tendo em conta as novidades que estão a ser avançadas por meios de comunicação australianos como o canal 9 News ou ainda o portal online 7 News.

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Phillip Island

De acordo com esses meios de comunicação, a MotoGP Sport Entertainment SL não cedeu à ‘exigência’ governamental e já centrou as suas atenções (leia-se: negociações) com outro estado australiano. Neste caso, a Austrália do Sul, que tem como capital a cidade de Adelaide, o quarto maior estado da Austrália.

Steve Dimopoulos, ministro do turismo, desporto e grandes eventos de Victoria, já assume a perda do MotoGP para o estado rival da Austrália do Sul. Em declarações concedidas esta quarta-feira, este responsável governamental referiu que “Estou muito desapontado depois de 29 anos do que foi uma extraordinária parceria. Desejo ao MotoGP o melhor com a sua segunda escolha”.

Essa segunda escolha será, tudo indica, uma mudança para a Austrália do Sul.

Convém recordar que nos anos 90 do século passado este estado perdeu a realização do Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 precisamente para o estado de Victoria, onde atualmente temos a F1, um campeonato também sob a alçada da Liberty Media, a competir no circuito citadino de Albert Park. Um circuito que era o desejado pelos responsáveis de MotoGP para a realização do GP da Austrália a partir de 2027.

Adelaide Park

Quais são os circuitos que podem receber o GP da Austrália de MotoGP?

Com a mudança aparentemente inevitável para um novo local, o futuro do GP da Austrália da categoria rainha passará por uma de duas opções: Adelaide Park ou o The Bend.

Adelaide Park é um circuito citadino desenhado entre os edifícios da capital do estado da Austrália do Sul. Atualmente o circuito tem uma extensão de 3,3 km, mas a sua configuração antiga de F1 é de 3,7 km. Não é um circuito grande, muito ao estilo do que encontrámos no recente circuito Balaton Park, na Hungria.

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Naturalmente que o desenho do circuito Adelaide Park poderá ser alterado para acolher o MotoGP a partir de 2027, mas estará sempre limitado pela presença de edifícios e outras estruturas ou locais públicos.

E, sendo um circuito citadino, aquilo que a Liberty Media mais deseja, pois aproxima a competição de um público mais alargado para além dos fãs ‘fanáticos’ que não se importam de viajar para locais remotos, Adelaide Park apresentará desafios particularmente complicados do ponto de vista da segurança dos pilotos. Nomeadamente as áreas de escapatória que são tão problemáticas, mesmo em circuitos especificamente criados para corridas de motociclismo.

The Bend

Quanto ao circuito The Bend, localizado a cerca de 100 km a sudeste da cidade de Adelaide, falamos de um traçado mais convencional e que varia na sua extensão entre os 4,95 km da configuração internacional e os 7,77 km da sua configuração para corridas da categoria GT, sendo por isso um dos circuitos permanentes mais longos do mundo.

O The Bend é um circuito que naturalmente também necessitará de obras para melhorar a sua infraestrutura e condições de segurança. Tem, de acordo com o que está publicado no seu website oficial, homologação FIM Categoria 1. Mas para receber corridas de MotoGP precisará de subir de patamar.

Peter Malinauskas, governador da Austrália do Sul, recusa-se a comentar a possibilidade de ‘roubar’ o MotoGP a Victoria, referindo que “Não vou entrar em especulações. Recuso-me a entrar em leilões”, pois tudo isto envolve investimento estatal na ordem das muitas dezenas de milhões de dólares australianos.

O anúncio da mudança é esperado que aconteça a 19 de fevereiro.

Porque é que Phillip Island poderá perder o GP da Austrália?

Phillip Island é um daqueles circuitos que ainda mantêm um estatuto de ícone do calendário de MotoGP. Um circuito onde continuamos a assistir a grandes corridas, grandes momentos de pilotagem pura, um circuito em que os ‘meninos’ são separados dos ‘homens’, como se costuma dizer. Casa do Grande Prémio da Austrália de forma ininterrupta nos últimos 29 anos, Phillip Island vive muito da realização do evento do maior campeonato de motociclismo do mundo.

Em 2025 visitaram o circuito durante o fim de semana de MotoGP um total de 91.000 fãs, que geraram uma receita na economia local de 54 milhões de dólares australianos. Muitos negócios locais sobrevivem exclusivamente devido ao MotoGP, sendo que agora o seu futuro está em causa.

No acordo de realização do evento, que foi assinado há 10 anos (2016), ficou prometido que o circuito de Phillip Island seria alvo de várias intervenções para melhorar a experiência dos fãs que viajavam de longe para assistir às corridas.

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Porém, nem todas as promessas foram cumpridas. O circuito continua a apresentar bancadas que ficam abaixo da qualidade que encontramos noutros circuitos do calendário, as instalações precisam de ser modernizadas e a Liberty Media não acredita que, para além dos mais ‘fanáticos’ petrolheads dispostos a acampar por vários dias depois de uma longa viagem até Phillip Island, seja possível aumentar as receitas obtidas com a realização do GP da Austrália naquele circuito.

Estes fatores terão facilitado a decisão da Liberty Media de não ceder ao ‘all-in’ feito pelo governo de Victoria, preferindo então, de acordo com os meios de comunicação australianos, mudar o GP para circuitos com outras condições e mais próximos da população.

Esta será a primeira grande decisão tomada pela Liberty Media com o objetivo de implementar uma visão mais economicista do MotoGP, uma nova era do campeonato que agora começa a ganhar força de forma pronunciada. Alguns fãs notarão que é o replicar da estratégia que foi aplicada à F1 quando a Liberty Media tomou conta dessa competição… e que teve o seu sucesso, pois a F1 tornou-se num negócio multimilionário que gera receitas de muitos milhões de euros.

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