Asas. São, desde há alguns anos para cá, um dos temas mais ‘quentes’ do MotoGP. Os pacotes aerodinâmicos da categoria rainha levaram os fabricantes a criar soluções aerodinâmicas verdadeiramente extremas, com pilotos e fãs a analisarem, de forma mais ou menos apaixonada, a necessidade de se utilizarem motos com asas tão exageradas e que estragam, na opinião de muitos fãs, a beleza dos protótipos que vemos em pista.
Como se já não fossem suficientes as asas frontais, laterais ou as diversas soluções para a traseira, os protótipos de MotoGP passaram este ano a ostentar um novo conjunto de asas: as denominadas asas das pernas!
Localizadas em cada lado da moto e imediatamente atrás das pernas dos pilotos, estas asas surgiram inicialmente como uma novidade absoluta no pacote aerodinâmico que a Aprilia criou para a RS-GP25 de Marco Bezzecchi e Jorge Martín. Os pilotos da Trackhouse Racing viriam a usar as asas das pernas mais tarde.
A mesma solução foi depois adaptada pela Honda na sua RC213V, com o fabricante japonês a associar o uso destas asas aerodinâmicas inovadoras à subida da performance da Aprilia RS-GP25 pelas mãos do seu principal piloto Marco Bezzecchi.

Quem não pareceu muito interessado em deixar estas asas continuarem a ser usadas nos protótipos de MotoGP foi a Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
A FIM, após o teste de fim de temporada em Valência, enviou uma atualização ao regulamento técnico e mais especificamente às dimensões máximas da traseira das motos. Nessa proposta de atualização foi dito aos fabricantes e equipas que não seria permitido ultrapassar o limite de dimensões definido por uma ‘caixa’ que começava nos 800 mm na sua zona mais larga e ia afunilando até aos 300 mm.
Qualquer elemento da carenagem da moto na zona traseira teria de caber nesta caixa virtual. E embora não tenha sido dito claramente que as asas das pernas não podiam ser usadas a partir de agora, já para a temporada 2026, a verdade é que com estas dimensões máximas seria impossível à Aprilia, Honda ou qualquer outro fabricante usarem as referidas asas pois as mesmas excedem os limites das dimensões que estavam a ser propostas pela FIM já para a próxima temporada.
Porém, para que esta proposta da FIM pudesse ser integrada numa atualização ao regulamento técnico de MotoGP, seria preciso que houvesse uma votação unânime favorável por parte de todos os fabricantes que integram a associação MSMA.

Naturalmente que fabricantes como a Aprilia ou a Honda, que já usam as asas das pernas e investiram muitos euros no seu desenvolvimento, não iriam votar a favor da sua abolição, pelo que qualquer votação sobre o tema não seria unânime e a proposta seria recusada.
A única forma de se proibir as asas das pernas sem o acordo da MSMA era a FIM recorrer ao fator da segurança. A FIM acredita que estas asas podiam prender as pernas dos pilotos em caso de queda. E isso seria motivo para uma proibição imediata.
Porém, essa questão nem será colocada, pois de acordo com o portal Motorsport, a FIM recuou na sua intenção. A proposta de proibição das asas das pernas nas motos de MotoGP foi retirada… pelo menos para já!
O organismo máximo do motociclismo mundial vai manter em 2026 as regras atuais que não impedem esta solução aerodinâmica já usada pela Aprilia e a Honda. Mas para 2027, temporada em que vão entrar em vigor novos regulamentos técnicos bastante limitativos às dimensões das asas nas motos de MotoGP, tudo leva a crer que a FIM voltará ‘à carga’ com este tema das asas das pernas e tentará mesmo proibir a sua utilização quando se iniciar uma nova era na categoria rainha.
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