Depois da intensidade na qualificação de MotoGP a contar para o Grande Prémio da Austrália de MotoGP, as emoções subiram ainda mais com a realização da corrida Sprint no circuito Phillip Island. As condições de temperatura foram um pouco diversas em relação às sessões anteriores, com o ar a não passar dos 14 graus Celsius, mas a temperatura do asfalto a subir até perto dos 30 graus Celsius.
Estas temperaturas levaram os pilotos da categoria rainha a optarem por escolhas bastante específicas de compostos dos pneus slick Michelin para a corrida Sprint de 13 voltas.
A escolha para o pneu traseiro foi unânime e recaiu sobre o composto macio. Mas a escolha da grande maioria dos pilotos para o pneu dianteiro recaiu sobre o composto mais duro da Michelin, sendo que o composto médio foi a escolha de Alex Márquez (BK8 Gresini Racing).
E foi precisamente o piloto espanhol da equipa satélite da Ducati que levou a melhor e liderou a corrida Sprint na chegada à primeira curva.

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Foi, no entanto, uma liderança que durou muito pouco, pois o compatriota Raul Fernandez (Trackhouse Racing), altamente motivado nesta parte final da temporada de MotoGP, queria assumir as despesas da corrida e tentar a fuga para a vitória. Aquela que seria a sua primeira nesta categoria.
Na cuva 2 já o espanhol da Aprilia ocupava a liderança e tinha no final da primeira volta o favorito Marco Bezzecchi (Aprilia Racing) atrás de si. Refira-se que o italiano da equipa de fábrica não teve um bom arranque, mas talvez graças à adição de asas adicionais na Aprilia #72, cortesia de um encontro imediato com uma das muitas gaivotas de Phillip Island durante a volta de aquecimento, Bezzecchi estava a voar no traçado australiano e já tinha o primeiro lugar na mira.
A dupla da Aprilia foi conseguindo escapar na frente da Sprint, deixando a discussão do terceiro lugar para um grupo de vários pilotos. Alex Márquez passou a ter a pressão e companhia de Jack Miller (Prima Pramac Yamaha), Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory) e ainda do homem da “pole position”, Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha).
Pol Espargaró (Red Bull KTM Tech3) a rodar em 7º nas primeiras voltas esteve também em plano de destaque nesta sua aparição em MotoGP no lugar do lesionado Maverick Viñales.

Com o grupo de perseguidores entretidos a trocar de posição entre si, as atenções centraram-se então na discussão da vitória. Marco Bezzecchi quase deitou tudo a perder na travagem para a curva 10 conseguindo evitar o toque em Raul Fernandez no último momento. Isso fez o italiano da equipa de fábrica perder algum tempo, o que deu ao espanhol da equipa satélite mais esperanças de conseguir a vitória.
Mas as esperanças não foram suficientes para dar a Raul a tão ambicionada primeira vitória em MotoGP.
Com a corrida Sprint a aproximar-se rapidamente do seu fim, Marco Bezzecchi estava novamente colado ao líder e, mais do que isso, a revelar um ritmo superior numa altura em que Raul estava já em queda de performance aos comandos da sua Aprilia da Trackhouse Racing.
A três voltas do fim o ataque decisivo aconteceu, e a partir desse momento foi a vez de Bezzecchi escapar para a vitória, confirmando assim o seu favoritismo tendo em conta o que tem vindo a fazer nas últimas rondas do campeonato e o que já mostrou neste fim de semana do Grande Prémio da Austrália.
O derradeiro lugar do pódio ficou ocupado por Pedro Acosta, que depois de resistir às investidas de Jack Miller e de um ressurgente Fabio di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46) leva para casa mais um pódio nesta temporada 2025.

Quanto a Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha), e tendo em conta que nesta corrida Sprint arrancou de 16º e amanhã na corrida principal do Grande Prémio da Austrália vai arrancar de 15º devido à penalização de Brad Binder, a corrida do piloto português seria sempre bastante complicada.
O #88, nas suas declarações de final de sexta-feira, tinha referido estar confiante de que tinha aqui andamento para estar próximo do Top 10. Mas seria preciso realizar algumas alterações de detalhe na sua YZR-M1 para corrigir alguns problemas, nomeadamente a falta de tração na saída da derradeira curva de Phillip Island.
A verdade é que já na qualificação antes da corrida Sprint o piloto português da Prima Pramac Yamaha voltou a sentir problemas precisamente com o comportamento da sua moto nessa mesma zona da pista. Ainda assim, quando chegou à corrida, ascendeu duas posições ao longo das 13 voltas da Sprint, o que lhe permitiu cruzar a meta pela última vez em 14º, não conseguindo assim prolongar a série de bons resultados, resultados que lhe dão pontos.
Refira-se ainda, pela negativa, a prestação de Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team). Arrancou de 11º, mas não teve andamento para chegar aos lugares que dão pontos na Sprint e, pior do que isso, apenas conseguiu ficar à frente de Michele Pirro, o piloto de testes da Ducati que aqui compete em substituição de Marc Márquez. No final da corrida ‘Pecco’ fechou com uma diferença abismal de 32,4 segundos para Marco Bezzecchi.
Uma diferença impensável para um piloto de fábrica daquela que é a equipa campeã, sendo de destacar que Bezzecchi conseguiu assim ganhar 12 pontos a Bagnaia na discussão pelo terceiro lugar na classificação de pilotos de MotoGP. Uma batalha cada vez mais apertada para Bagnaia que não encontra argumentos, e que cada vez mais demonstra que o que vimos no Japão foi quase o que se pode chamar de um ‘acaso’.

Resultados da Sprint de MotoGP
1 – Marco Bezzecchi (Aprilia Racing)
2 – Raul Fernandez (Trackhouse Racing)
3 – Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory)
4 – Jack Miller (Prima Pramac Yamaha)
5 – Fabio di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46)
6 – Alex Márquez (BK8 Gresini Racing)
7 – Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha)
8 – Luca Marini (Honda HRC Castrol)
9 – Pol Espargaró (Red Bull KTM Tech3)
10 – Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3)
14 – Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha)
Classificação de MotoGP
1 – Marc Márquez – 545 pontos
2 – Alex Márquez – 366 pontos
3 – Francesco Bagnaia – 274 pontos
4 – Marco Bezzecchi – 266 pontos
5 – Pedro Acosta – 222 pontos
6 – Franco Morbidelli – 207 pontos
7 – Fabio di Giannantonio – 196 pontos
8 – Fermín Aldeguer – 181 pontos
9 – Fabio Quartararo – 161 pontos
10 – Johann Zarco – 128 pontos
21 – Miguel Oliveira – 32 pontos
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