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MotoGP – Entrevista exclusiva a Massimo Rivola: Bezzecchi, Martín, Miguel Oliveira e novos regulamentos

Massimo Rivola lidera a Aprilia Racing no MotoGP. O nosso jornalista Bruno Gomes conversou com o responsável italiano para uma entrevista exclusiva onde se falou da temporada, de Bezzecchi e Miguel Oliveira, ou ainda dos novos regulamentos.

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Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing, é o líder do projeto desportivo da casa de Noale em MotoGP. Com uma vasta experiência na competição, principalmente na Fórmula 1, por onde passou antes de ingressar na Aprilia em MotoGP, é por estes dias um homem feliz com aquilo que se passa em pista.

Graças a Marco Bezzecchi, a RS-GP25 tem estado em evidência. Mas não tem sido apenas o italiano da equipa de fábrica a conseguir grandes prestações. Basta pensar na vitória de Raul Fernandez em Phillip Island ou ainda nos bons resultados obtidos pelo “rookie” Ai Ogura, também da equipa satélite Trackhouse Racing.

Para Massimo Rivola, a temporada 2025 poderá terminar com a Aprilia Racing a ter Marco Bezzecchi no 3º lugar na classificação de pilotos. O que será o melhor resultado de sempre da marca italiana em MotoGP. Isto numa temporada onde não puderam contar verdadeiramente com Jorge Martín devido às lesões, tendo por isso de recorrer à ajuda do piloto de testes Lorenzo Savadori o que acabou por afetar alguma coisa no desenvolvimento da RS-GP25.

Aproveitando alguns minutos ‘livres’ fora da box da Aprilia Racing, o nosso jornalista Bruno Gomes conseguiu sentar-se à conversa com Massimo Rivola, numa entrevista exclusiva para a Revista Motojornal. Falámos da temporada, de Marco Bezzecchi a surgir como líder da equipa, falámos da equipa de testes e Miguel Oliveira ou ainda do que vai acontecer em 2026 e o novo regulamento de 2027.

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Massimo Rivola

Entrevista a Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing

Esta temporada, para a Aprilia, começou como um ‘dream team’, depois foi muito complicado e de repente começou a melhorar. Consegues explicar-nos o que se passou este ano?

Massimo Rivola – Como dizes, e bem, começámos com grandes expectativas sabendo que quando se altera tanta coisa, pilotos, diretor técnico, etc, precisamos de algum tempo para nos adaptarmos. Por isso, não estávamos à espera de conseguir lutar (pelas vitórias) desde o início, mas depois tivemos a lesão do Jorge que foi um ‘pequeno’ drama, depois mais uma e outra lesão. Por isso, felizmente com o Marco Bezzecchi a equipa fez o que eu diria que foi um grande trabalho. O Marco tem sido perfeito até agora. Trouxe-nos de volta para as expectativas que tínhamos, mesmo que o Jorge tenha estado ausente. Isto criou uma boa base para o próximo ano. Sabes que, obviamente, quando temos apenas um piloto super rápido ele fica um pouco sozinho na procura da performance.

Ficou então tudo sobre os ombros do Bezzecchi…

Massimo Rivola – Sim, isso é verdade. Por isso também foi bom ver o Raul Fernandez a vencer em Phillip Island, foi bom ver o início do Ai Ogura.

 

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Surpreendeu-te ver o Raul a vencer?

Massimo Rivola – Não. Eu vejo no Raul um talento enorme, por isso mais cedo ou mais tarde isto iria acontecer. Algumas vezes apenas o talento não é suficiente para conseguir um bom resultado. Por isso esta temporada foi assim.

O Marco Bezzecchi surgiu então como um líder inesperado?

Massimo Rivola – Diria que o Marco foi bom, forte e inteligente o suficiente para trabalhar em conjunto com a equipa de tal forma que toda a gente na equipa o seguiu com uma enorme motivação. Encontrámos nele um bom líder.

Também durante a temporada parece que houve um momento em que a Aprilia fez o click. Toda a equipa. Houve algum momento em que digas que ‘OK, aqui foi onde demos o passo em frente’?

Massimo Rivola – Do ponto de vista dos pilotos, certamente que Silverstone mudou a temporada. O primeiro pódio foi uma vitória e certamente que do lado do piloto foi começar a ganhar confiança e pensar que ‘OK, eu consigo fazer isto’. Sabíamos que o podíamos fazer. Testar com o Marco algumas vezes como em Jerez ou Aragão foi muito, muito importante. Porque durante um fim de semana de Grande Prémio não temos realmente a oportunidade de testar. Quer dizer, fazemo-lo com o Savadori porque essa é a sua função, digamos que mais do que obter os resultados. Felizmente tivemos um piloto de testes comprometido, sacrificando a sua performance para desenvolver algumas coisas. Isso funcionou e permitiu-nos trabalhar na moto do Marco. Por isso, sim, diria que o que correu bem é quando tentamos melhorar a moto, podemos fazer com simulações e outras coisas, mas se no fim o piloto não gosta…

 

 

 

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E foi sempre um processo de desenvolvimento com evolução positiva?

Massimo Rivola – Tudo o que introduzimos na moto foi um passo em frente. O que é um bom sinal.

Notaste que havia algumas áreas onde precisavam de trabalhar mais?

Massimo Rivola – Penso que foi um pouco de trabalhar em tudo. Um pouco na eletrónica, um pouco no motor, um pouco na aerodinâmica. Penso que podemos estar contentes com o trabalho que fizemos, também com o desenvolvimento da moto, mas certamente não estou satisfeito porque ainda não somos a moto líder.

Mas estão quase lá…

Massimo Rivola – Sim, quase. Ainda temos alguma margem para melhorar a nossa performance.

Nesse sentido, acreditas que os motores ficarem ‘congelados’ na próxima temporada permitirá à Aprilia aproximar-se mais rapidamente da Ducati?

Massimo Rivola – Penso que, por exemplo, a Honda conseguiu grandes benefícios esta temporada porque trouxeram três evoluções do seu motor e o último parece ser muito bom. A Yamaha vai usar o V4 em vez do quatro em linha na próxima temporada. Mas penso que entre a Aprilia, KTM e Ducati a performance do motor está muito equiparada.

Com a Ducati a confirmar o Nicolò Bulega como piloto de testes, todos os fabricantes, exceto a Aprilia, passam a ter pelo menos dois pilotos de testes. Pensas que o reforço da equipa de testes, talvez com o Miguel Oliveira, será importante?

Massimo Rivola – Certamente que quantas mais opiniões e testes fizermos, certamente que temos mais tempo de pista, mais informações recolhidas e temos mais hipóteses de conseguir um desenvolvimento mais rápido e melhor. É fácil perceber isso. No caso do Miguel, conhecemos o piloto, é um super piloto, muito esperto, muito inteligente e faz perceber bem as suas explicações. Certamente seria excelente. Mas no final, temos de definir as nossas prioridades. Penso que do lado dos testes estamos numa boa posição e no final quando temos uma temporada azarada em que o nosso piloto de testes tem de competir em muitos Grandes Prémios, o aspeto positivo é que ele começa a ter um ritmo melhor e quando vai testar ele está mais em linha com os pilotos oficiais. Deixa-me dizer que seria bom ter um segundo piloto de testes, mas não é uma prioridade.

Em 2027 teremos um novo ciclo. Novos motores, menos aerodinâmica, sem dispositivos de suspensões e novos pneus. Estás contente com estes novos regulamentos?

Massimo Rivola – Estou muito contente com a eliminação dos sistemas de ajuste da altura das suspensões. Sinto que são inúteis, até hoje em dia. Ficaria contente de os remover de imediato. A única coisa em que estou em desacordo, e não será segredo, é que fomos o único fabricante que não estava interessado em mudar os motores porque pensamos que é um desperdício de dinheiro. Mas fizemos isso, o motor está a funcionar, está em testes e estamos super felizes com o que estamos a conseguir extrair do novo motor de 850 cc. Penso que vamos ser um dos melhores motores em competição. Pensando em 2027, penso que a Aprilia vai estar em vantagem porque claramente somos os líderes na parte aerodinâmica e historicamente somos uma referência no chassis, e agora que temos tão boa experiência com os motores, penso que não existe nenhuma razão para não sermos candidatos ao título.

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