O MotoGP é a maior e mais entusiasmante competição de motociclismo de velocidade que existe. Os melhores pilotos do Mundo aos comandos dos mais avançados protótipos que são capazes de atingir velocidades acima dos 360 km/h! E a nova temporada 2026 da categoria rainha está quase a começar.
Pese embora estejamos a entrar no último ano da era dos 1000 cc, com um novo conjunto de regulamentos a mudar por completo a competição em 2027, e por isso não se verifiquem mudanças drásticas nos regulamentos do MotoGP em 2026, a verdade é que ainda assim existem algumas novidades que podem apanhar os fãs mais casuais e menos conhecedores dos aspetos técnicos, de surpresa.
Para ajudar todos os fãs do MotoGP, compilámos neste artigo um conjunto de informações que podem ser definidas quase como um guia que servirá para ajudar os fãs a seguirem tudo o que acontece em pista de uma forma mais informada.
Desde novidades técnicas sobre motores dos protótipos, passando pela aerodinâmica das motos, ciclística, pneus disponíveis em cada Grande Prémio, quais são as penalizações e como as mesmas são aplicadas pela equipa de Comissários FIM de MotoGP, liderada por Simon Crafar, como é que os pilotos podem regressar à pista em caso de queda, ou ainda procedimentos médicos que devem ser seguidos em caso de um piloto sofrer uma concussão e que podem levar à sua exclusão imediata da competição.

MotoGP 2026 – Todas as novidades que precisa saber!
Técnicas
Motor
– O motor está ‘congelado’. Significa que os fabricantes não podem alterar a especificação do motor em relação ao que tinham homologado em 2025. Os motores vão manter as suas características técnicas inalteradas. Apenas a Yamaha, porque está no nível D das Concessões, pode continuar a evoluir o seu motor em 2026.
– Porém, tivemos várias especificações de motor homologadas (ex: Ducati GP24 e GP25) na temporada 2025. Estes motores diferentes são denominados de Especificação A e Especificação B. Os fabricantes podem dar aos seus pilotos qualquer uma destas duas especificações homologadas. Isto significa que um piloto que no ano passado tenha utilizado a Especificação A, poderá este ano competir com uma moto equipada com o motor Especificação B. Não estão obrigados a manter a especificação usada em 2025. Sempre tendo em conta que quer a Especificação A e a Especificação B não podem ser alteradas.
– Cada equipa de fábrica tem de usar a mesma especificação de motor para os dois pilotos. Por exemplo, imaginando que Marc Márquez utiliza a Especificação A, Francesco Bagnaia também terá de competir com a Especificação A. O mesmo se passa para a Especificação B.
– Numa equipa de fábrica não podemos ter um piloto a usar uma especificação de motor e o outro a usar outra especificação de motor, mesmo que ambas tenham sido homologadas em 2025.

Aerodinâmica
– Todos os fabricantes podem usar um novo pacote aerodinâmico.
– Todos os fabricantes podem homologar um novo pacote aerodinâmico que será usado a partir do primeiro Grande Prémio. Esse pacote aerodinâmico será denominado de Versão 1.
– Todos os fabricantes vão poder atualizar o seu pacote aerodinâmico ao longo do ano. Apenas é permitida uma atualização que será denominada Versão 2.
– A atualização do pacote aerodinâmico pode acontecer a qualquer momento durante a temporada.
– A exceção é a Yamaha. Devido a estar no nível D das Concessões, a marca japonesa pode criar duas atualizações, ou versões, do pacote aerodinâmico. No entanto, não pode utilizar as três versões. Das três que criar, terá de selecionar duas para utilizar e a terceira deixa de ser elegível para usar em competição.
Ciclística
– Todos os fabricantes podem usar diferentes versões ou atualizações de elementos como quadro, suspensões, travões, braço oscilante ou jantes ao longo da temporada. Nestes casos não há limites.

Pneus
– Pneu dianteiro Michelin passa a estar disponível apenas em 2 especificações em cada Grande Prémio, pois a Michelin percebeu em 2025 que na verdade os pilotos só optam por duas especificações e assim escusam de transportar para cada circuito maior quantidade de pneus que depois ficam por utilizar.
– Cada piloto receberá sete unidades de cada especificação, totalizando catorze pneus dianteiros por Grande Prémio, contra quinze pneus dianteiros como acontecia até agora.
– A exceção serão os circuitos historicamente sensíveis a variações extremas de clima e temperatura. Grandes Prémios como França em Le Mans, Grã-Bretanha em Silverstone, Alemanha em Sachsenring, Austrália em Phillip Island e Valência no Ricardo Tormo manterão três especificações de pneus dianteiros, repetindo o modelo de 2025 para garantir margem extra de segurança e adaptação.
– Fabricantes vão receber um número especificado de pneus da Michelin para usar ao longo da temporada.
– Mas os fabricantes vão também receber uma quantidade especificada de pneus da Pirelli. Estes pneus podem ser utilizados pelos fabricantes para os testes de desenvolvimento das novas motos de 2027, as motos com motor 850 cc.

Penalizações em 2026 e como são aplicadas
Pilotar em ritmo lento na trajetória de corrida
O protocolo indica que este tipo de incidentes na Q1 ou Q2 que resultem em clara perda de tempo para pilotos que estão em volta rápida, são automaticamente penalizados, exceto em condições excecionais.
Os últimos 20 minutos de Treino (em MotoGP) e os últimos 10 minutos de Treino (Moto3 e Moto2) são analisados da mesma forma que a Qualificação.
No Treino Livre 1 ou Treino Livre 2, cada caso será analisado de forma isolada. Inicialmente os pilotos vão receber avisos que depois passam a penalizações, sendo que em caso de reincidência ao longo da temporada as penalizações vão agravando.
Incidentes em pista
Existe um protocolo para incidentes em pista: contactos ou ações que resultem em quedas. Este protocolo é atualizado de acordo com as discussões que existem com as equipas e pilotos nos habituais briefings em cada Grande Prémio ou audiências da Comissão de Segurança.
Ultrapassagens que não sejam consideradas pelos Comissários FIM de MotoGP como não sendo demasiado ambiciosas não resultam em penalização. Isto é aplicável a todas as categorias.
Incidentes que se tornem demasiado agressivos serão analisados pelos Comissários FIM de MotoGP. Dependendo da severidade do incidente, a penalização pode ser de perda de posição (posições) até ao piloto ter de cumprir uma ou mais voltas longas.
Incidentes que resultem num contacto muito agressivo com queda de um piloto e onde os Comissários FIM de MotoGP percebem que não havia qualquer hipótese da manobra ser realizada em segurança serão penalizados de forma mais severa. Como guia, pilotos de MotoGP e Moto2 recebem 2 voltas longas, pilotos de Moto3 recebem 2 voltas longas ou arranque do ‘Pitlane’.
Incidentes deste tipo que ocorram na curva 1 logo após o arranque ou durante a primeira volta da corrida serão penalizados de forma mais severa.
Pilotos que falhem o protocolo de treino de arranque serão penalizados com perda de posições na grelha de partida ou voltas longas.

Severidade das penalizações entre categorias
As penalizações na categoria Moto3 serão mais severas do que aquelas aplicadas a pilotos de Moto2 ou MotoGP. Existem duas razões para isto:
– Fazer ver aos pilotos mais novos do campeonato, muitos deles a competir no mundial pela primeira vez, quais são as regras e a boa conduta que devem ter em pista.
– As penalizações na categoria Moto3 não têm um impacto considerado tão grande na corrida de um piloto como acontece com as penalizações em Moto2 e MotoGP. Por isso as penalizações em Moto3 são mais severas de forma a terem um impacto maior na corrida de um piloto desta categoria.
Cumprir as penalizações
– Os pilotos terão de cumprir a penalização no próximo Grande Prémio em que participem, nem que isso seja de uma temporada para a outra. A penalização transita de uma temporada para a outra.
– Se um piloto não participar no próximo Grande Prémio ou não completar todo o evento devido a alguma questão relativa a lesão ou um problema qualquer, desde que não seja relacionado com o incidente que levou à penalização, então considera-se que o piloto cumpriu a penalização que lhe foi aplicada.
– Se o piloto não participar na corrida Sprint ou na corrida principal do Grande Prémio seguinte à penalização ser confirmada devido a qualquer razão relacionada com o incidente que levou à penalização, considera-se que o piloto continua a ter de cumprir a penalização no próximo evento em que participe.
– Quase todas as penalizações serão cumpridas durante a corrida principal do Grande Prémio, ao domingo e não na corrida Sprint.
– Contudo, os Comissários FIM de MotoGP poderão aplicar penalizações durante as corridas Sprint e que são cumpridas durante essas corridas: limites de pista, falso arranque ou até infrações técnicas.

Regresso à pista em caso de queda e motor desligar
A Federação Internacional de Motociclismo (FIM), tendo em vista a melhoria da segurança dos Comissários de Pista, mas também dos próprios pilotos, decidiu alterar a forma como os pilotos procuram regressar à pista em caso de queda.
Até final da temporada passada, os pilotos podiam tentar recolocar a moto em funcionamento na zona da escapatória. Uma situação que, por norma, requer alguma ajuda dos Comissários de Pista que se colocam numa posição algo perigosa ao tentarem empurrar a moto enquanto o piloto procura recolocar o motor a funcionar ‘de empurrão’ na zona da escapatória. As motos de MotoGP não têm motor de arranque próprio.
A partir deste ano, os pilotos podem tentar recolocar a moto em funcionamento, mas terão de o fazer nos caminhos de serviço que ficam atrás das barreiras de proteção. Caso consigam, poderão regressar à pista, mas terão perdido muito tempo nessas manobras.

Procedimentos a cumprir em caso do piloto sofrer uma concussão
Uma concussão é uma lesão traumática do cérebro, em que o cérebro bate no crânio. Uma concussão é, normalmente, causada por um impacto forte na cabeça ou um movimento muito forte da cabeça, como o que acontece numa queda de moto a alta velocidade. Quando uma concussão não é diagnosticada e tratada de forma correta, pode levar a consequências graves.
Tendo isto em conta, a FIM decidiu aplicar um novo guia com ‘Diretrizes para avaliação e tratamento de concussão’. Este guia será aplicado em MotoGP, mas também em todas as outras competições sob a égide da FIM.
Desde 2011 que existem diretrizes de como proceder em caso de uma concussão nos desportistas. Porém, a FIM percebeu que estas diretrizes não estavam completamente de acordo com as exigências médicas de um piloto de motos, tendo aprovado um novo guia que procurará diagnosticar e tratar as concussões nos pilotos de uma forma mais correta e específica ao motociclismo.
De acordo com o Código Médico da FIM, no caso de existir a suspeita que um piloto sofreu uma concussão, deverão ser realizados um conjunto de procedimentos de avaliação e diagnóstico. Caso se confirme a concussão, o piloto deverá ficar automaticamente afastado da competição durante o evento em que participa. O seu regresso à competição deverá ser alvo de avaliação médica de acordo com provas documentais de que as funções neuropsicológicos estão normais, uma ressonância magnética ou exame semelhante.

Neste guia com ‘Diretrizes para avaliação e tratamento de concussão’, surge a regra dos 9 R’s:
– Reduzir: reduzir os riscos de concussões à priori com uso de melhores equipamentos (capacete)
– Reconhecer: reconhecer mais rapidamente os sinais de uma concussão
– Remover: caso se suspeite que o piloto sofreu uma concussão, deve ser retirado da competição imediatamente
– Referência: indicar ao piloto especialistas médicos que o possam ajudar
– Repouso: permitir ao piloto que descanse fora da competição
– Recuperação: voltar gradualmente às suas atividades diárias
– Reabilitação: apoio médico na recuperação
– Regresso: voltar gradualmente aos treinos e à competição
– Revisão: rever o piloto após a sua recuperação
Tudo isto resulta ainda na necessidade dos pilotos serem obrigados a ficar de fora da competição por um determinado período de tempo.
No caso dos pilotos com 18 ou mais anos, o período mínimo para ficar fora de competição é de 10 dias a contar do momento do diagnóstico, incluindo o dia do incidente. Ao 11º dia o piloto poderá regressar à competição.
No caso dos pilotos com menos de 18 anos, o período mínimo para ficar fora de competição é de 20 dias a contar do momento do diagnóstico, incluindo o dia do incidente. Ao 21º dia o piloto poderá regressar à competição.
Esperamos que estas informações que aqui partilhamos consigo ajudem a perceber melhor o que acontece nesta nova temporada do MotoGP.
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