“Foi uma corrida difícil e azarada”. Foi assim que Gino Borsoi, diretor desportivo da Prima Pramac Yamaha, definiu a corrida deste domingo protagonizada por Miguel Oliveira. O piloto português começou em 17º na grelha de partida, e foi nessa mesma posição que recebeu a bandeira de xadrez no fim de cumpridas as 21 voltas do Grande Prémio da República Checa.
Com esperança de que os testes privados realizados em Brno há algumas semanas pudessem dar ao #88 alguma vantagem, no que a afinação da moto diz respeito, a verdade é que este fim de semana de MotoGP foi igual a tantos outros.
Complicado no que a encontrar a afinação da moto diz respeito, muitos problemas com os pneus e vibrações na moto japonesa, e depois ainda se juntou a tudo isto uma manobra mais ambiciosa por parte de Fermín Aldeguer (BK8 Gresini Racing).
Nessa manobra, na discussão pelo 13º lugar, o piloto espanhol voltou a enfrentar Miguel Oliveira, tal como aconteceu no Grande Prémio da Argentina. No circuito Termas de Rio Hondo no início da temporada o resultado foi uma queda para o português que ficou fora de competição por lesão várias corridas.

Agora, em Brno, o resultado desta batalha luso-espanhola não foi tão desastroso. Mas a manobra do “rookie” Aldeguer acabou por praticamente atirar Miguel Oliveira para fora de pista. Uma manobra que, revista pelos Comissários de MotoGP, acabou com Aldeguer penalizado com 3 segundos acrescentados ao seu tempo total de corrida, terminando em 11º.
Porém, Miguel Oliveira foi quem mais saiu a perder desta situação. Para além de ter descido de uma só vez de 13º e bons pontos no campeonato para 17º, o piloto da Prima Pramac Yamaha acabou por ficar a rodar isolado em pista.
Sem conseguir rodar ao ritmo que tinha mostrado no Warm Up (chegou ao segundo 53), Miguel Oliveira nunca encontrou argumentos para se aproximar das batalhas à sua frente e com isso acabou por fechar o fim de semana com um 17º lugar no Grande Prémio da República Checa.
A reação de Miguel Oliveira
“Eu já estava na curva 7 com o joelho no chão quando o Fermín entrou onde não havia absolutamente espaço nenhum e empurrou-me para fora, fazendo com que eu tenha perdido quatro ou cinco posições. Foi basicamente isso que arruinou a minha corrida. Mas mesmo antes disso, alguma coisa estranha aconteceu com os pneus, não consegui aproximar-me sequer do ritmo que tive no Warm Up desta manhã, o que foi realmente surpreendente. Fiz 1m53s no Warm Up, e na corrida não consegui baixar de 1m55s. Realmente estranho. Existe alguma coisa que temos de analisar. Quanto ao Fermín, nada há mais nada a dizer. Ele foi penalizado após a corrida, por isso está ótimo”.

Os problemas com a moto
“Tentei perceber durante cinco ou seis voltas qual é que poderia ser o meu potencial. Tentar poupar um pouco os pneus, sendo um pouco mais suave com o acelerador. Mas a metade da corrida assim que tentei puxar um pouco mais, não tinha nenhuma aderência atrás. Muito estranho, simplesmente as coisas começaram a complicar-se com a eletrónica, muita vibração na roda traseira sobretudo nas curvas à direita. Super estranho depois de no Warm Up ter acabado em 5º. Há algo muito fora do normal e a equipa está a ver o que se passou”.
O que se ganha e perde com a modificação na afinação da moto
“Aquilo que eu mais tinha de positivo em relação a todos os outros pilotos da Yamaha é a gestão do pneu traseiro, consigo ser muito mais cauteloso a abrir acelerador, sou um dos mais rápidos a sair da curva. Com esta mudança na geometria tentamos simplesmente aproveitar mais a frente da moto para travar mais tarde, e alguma coisa a sair da curva fica perdido. Por isso temos agora de colocar na balança qual das duas direções tomar, ou se fazemos um passo intermédio entre aquilo que eu tinha e aquilo que experimentei anteriormente”.
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