A aquisição dos direitos do MotoGP por parte dos americanos da Liberty Media levará, inevitavelmente, a inúmeras mudanças no funcionamento do Mundial de Velocidade, ou seja, em todas as categorias, incluindo Moto3 e Moto2.
A nova empresa promotora do campeonato, a MotoGP Sports Entertainment, que substitui a Dorna Sports, pretende tornar este campeonato de motociclismo num desporto motorizado altamente profissional, claro, mas também mais virado para o espetáculo que seja capaz de atrair novos fãs.
Um exemplo disso é a recente decisão de deixar de realizar o Grande Prémio da Austrália no icónico circuito Phillip Island passando a partir de 2027 a realizar-se num circuito citadino, o Adelaide Street Circuit que será ‘desenhado’ nas ruas da cidade australiana. A ideia é levar o MotoGP para locais mais próximos do público em geral, em vez de fazer o público percorrer grandes distâncias para assistir às provas.
Com a MotoGP Sports Entertainment a controlar agora de forma mais decisiva os destinos do campeonato, vamos descobrindo alguns detalhes bastante relevantes sobre o que esta entidade pretende que seja o campeonato.

Numa entrevista ao portal italiano GPOne, Lucio Cecchinello, o proprietário da equipa satélite LCR e novo presidente da IRTA (associação de equipas) em substituição de Hervé Poncharal, o histórico francês que fundou e liderou a Tech3 e durante cerca de três décadas também a IRTA, não escondeu o ‘jogo’ e fez questão de realçar um detalhe muito importante para os pilotos: o ordenado mínimo.
Alguns rumores surgiram nesta pré-temporada dando conta de que a Liberty Media queria impor um ordenado mínimo. E até se avançou com um valor que cada piloto, inclusivamente os ‘rookies’, teria de receber: 500.000€.
Esta imposição gerou alguns comentários de fãs, mas Lucio Cecchinello clarificou a situação dizendo na referida entrevista que “Como já expliquei, não se trata de uma obrigação, é mais uma exortação de um desejo da Liberty Media”.
Este é um tema bastante relevante tendo em conta que, principalmente nas categorias Moto3 e Moto2, encontramos vários pilotos que, em vez de receberem um ordenado para competir no maior campeonato de motociclismo do mundo, acabam por ter de pagar às equipas para poderem ter o seu lugar.

Parece assim que o foco está inteiramente centrado no MotoGP, como no caso do ordenado mínimo, deixando as categorias Moto3 e Moto2 ‘esquecidas’. Uma situação que vai ao encontro de algumas preocupações e rumores que surgiram na temporada passada, quando se falou na hipótese destas duas categorias deixarem de participar em todos os 22 Grandes Prémios, especificamente nos que se disputam fora da Europa e que implicam mais custos.
Sobre isto, Lucio Cecchinello clarifica o que se vai passar com as categorias Moto3 e Moto2: “Sobre esse rumor, que já não é novo, posso confirmar que no ano passado houve uma reunião na Hungria com o Carlos Ezpeleta (diretor desportivo da Dorna Sports), em que o Carlos desmentiu essa possibilidade. Recordo que também se falou na divisão do paddock, com MotoGP para um lado e as demais categorias para o outro. Isso não acontecerá!”.
Estes esclarecimentos por parte do proprietário da LCR e presidente da IRTA são importantes e surgem num momento em que o paddock, mas também os fãs, procuram perceber qual o caminho que será seguido por parte da MotoGP Sports Entertainment e a Liberty Media no que respeita ao rumo a seguir pelo campeonato.
E também sobre o futuro, a MotoGP Sports Entertainment terá chegado a acordo com a IRTA para que as equipas se mantenham no campeonato por mais cinco anos (2027 a 2031). Um acordo que será mais interessante do ponto de vista financeiro para as equipas que, a acreditar nos rumores de paddock, terão conseguido convencer os novos ‘donos’ do MotoGP a pagar uma bonificação que triplica o valor que recebiam da Dorna Sports no acordo que termina este ano.
Falta ainda alcançar um acordo com os fabricantes – Aprilia, Ducati, Honda, KTM e Yamaha – para os próximos cinco anos. Este acordo já deveria ter sido alcançado, até antes do acordo com as equipas. Mas os fabricantes uniram-se, nomearam Lin Jarvis, o antigo responsável máximo da Yamaha Racing, e estão a exigir receber uma percentagem das receitas geradas pelo campeonato em vez de um valor fixo. Temos agora de aguardar mais algum tempo para perceber o que resulta destas negociações.
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