Embora as atenções dos fãs de MotoGP se centrem nos pilotos que estão a entrar no plantel de 22 pilotos que farão parte da temporada 2027, a verdade é que as saídas também merecem bastante destaque. E uma das mais relevantes saídas agora confirmadas, no dia que antecede o início do Grande Prémio de Aragão, é a de Jack Miller.
O experiente e sempre extrovertido piloto australiano, que no seu início da carreira no mundial deu o salto direto das Moto3 para o MotoGP, sem passar pela categoria intermédia, despede-se da categoria rainha e deste paddock no final da temporada.
A Prima Pramac Yamaha e a própria Yamaha Racing confirmaram a saída de Jack ‘The Thriller’ Miller no final do ano.
Aos 31 anos de idade, Jack Miller estreou-se no mundial em 2011. Já na categoria Moto3, em 2014, passou grande parte dessa temporada como grande candidato ao título e já mostrava então um talento e irreverência acima da média. Perdeu o título de Moto3 que parecia já estar assegurado numa batalha que durou até final com Alex Márquez. A não conquista desse título não foi suficiente para demover a Honda.

A marca japonesa viu alguma coisa de especial no australiano. E decidiu levar Jack Miller ainda muito novo para a categoria MotoGP.
O percurso do australiano na categoria rainha foi marcado por muito instabilidade, mas sempre com o mesmo espírito irreverente e que o tornou num dos pilotos favoritos dos fãs. Sempre capaz de apontar o dedo a si mesmo e também às equipas por onde passou, Jack Miller tem, para já, um total de 4 vitórias e 23 pódios, aos quais se somam duas ‘pole position’.
Estreou-se em MotoGP em 2015 inserido nas fileiras da Honda, passou pela Pramac Ducati em 2018, com boas prestações que lhe abriram as portas da Ducati de fábrica em 2021. Três vitórias e 12 pódios não foram suficientes para convencer a cúpula diretiva de Borgo Panigale a renovar com o australiano, que então prosseguiu a sua carreira regressando à KTM, que tão bem conhecia dos tempos de Moto3.
Um único pódio com a RC16 e muita inconstância de resultados, naturalmente levou a KTM a não pretender ficar com Jack Miller.

Em 2025 voltou então à esfera da Pramac, mas agora aos comandos de um protótipo da Yamaha e como companheiro de equipa de Miguel Oliveira, que, entretanto, saiu para o Mundial Superbike no final do ano passado.
Na Prima Pramac Yamaha, com uma YZR-M1 em claras dificuldades, Jack Miller vai conseguindo um ou outro resultado de destaque.
Mas, no geral, tem sentido muitas dificuldades e os resultados levam a Pramac de Paolo Campinoti e a Yamaha Racing de Paolo Pavesio a não encontrarem justificação para o segurar por mais tempo em MotoGP.

Jack Miller: a reação à saída de MotoGP
“Gostaria de agradecer à Yamaha, à Prima Pramac Yamaha MotoGP e a todos os envolvidos no projeto pela oportunidade que compartilhamos desde o início da temporada de 2025. Tem sido uma experiência gratificante fazer parte de um grupo que trabalha arduamente para construir o futuro. Todos nós nos dedicamos ao máximo para fazer o projeto avançar e tenho orgulho de ter desempenhado meu papel nesta viagem. Acredito que ainda tenho mais a oferecer e a conquistar e levarei essa motivação comigo para o que que seja que venha a seguir. Estou ansioso pelo próximo capítulo da minha carreira e para ver onde essa viagem me levará. Mas, antes disso, ainda restam corridas nesta temporada, e o meu foco total permanece em terminar o ano com força ao lado da equipa”.
Qual o futuro para Jack Miller?
Confirmada que está a saída de Jack Miller do MotoGP no final de 2026, falta saber qual o futuro do australiano em 2027.
Os lugares em MotoGP estão fechados, mas existem lugares vagos no Mundial Superbike, onde encontrará vários dos seus antigos rivais ou companheiros de equipa.
Tudo indica que o futuro de Jack Miller passará por ocupar um lugar na equipa oficial da Yamaha nas Superbike. Essa equipa vai perder Xavi Vierge no final da temporada, ficando então com um lugar livre ao lado de Andrea Locatelli. Miller tem agora caminho livre para se mudar para o Mundial Superbike e assim prosseguir a sua carreira ao mais alto nível.

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