Realizou-se esta tarde de sábado a corrida Sprint a contar para o Grande Prémio da República Checa de MotoGP. Neste que é o fim de semana que antecede a pausa de verão da categoria rainha, os pilotos e equipas procuram obter os melhores resultados possíveis, iniciando então a segunda metade da temporada 2025 da melhor forma.
Com o circuito de Brno e o seu novo asfalto a apresentarem condições de aderência ideais, até porque para além da chuva ter desaparecido do horizonte, tivemos agora temperaturas bastante mais agradáveis de 25 graus Celsius de temperatura ambiente e o asfalto a subir até aos 36 graus, os pilotos de MotoGP tiveram pela frente a décima segunda corrida Sprint da temporada.
Foram então 10 voltas a cumprir ao circuito de Brno, com Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team) a arrancar da “pole position”, mas sem se poder distrair pois o seu companheiro de equipa Marc Márquez estava logo atrás na segunda posição da grelha de partida, enquanto Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha) procurava ganhar muitas posições no momento do arranque, com o #88 a ocupar a 17ª posição na grelha de partida.
Em termos de escolha de pneus as opções recaíram sobre os compostos médio e macio, com alguns pilotos a optarem pelos pneus macios na tentativa de obter maior vantagem desde as primeiras voltas. E seriam mesmo os pneus, ou melhor, as pressões dos pneus que viriam a ser protagonistas desta corrida Sprint do Grande Prémio da República Checa.

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Assim que os semáforos se apagaram, vimos Alex Márquez (BK8 Gresini Racing), que habitualmente discute vitórias e pódios, a lançar a confusão no meio do pelotão de MotoGP, com o espanhol a falhar por completo o arranque e a perder muitas posições. Ainda viria, na tentativa de recuperar posições, a ter um contacto mais forte com o seu companheiro de equipa Fermín Aldeguer, mas Brno não está a ser um circuito ‘amigo’ para o mais novo dos irmãos Márquez.
Já o irmão mais velho, Marc Márquez, não se mostrou muito incomodado com o facto de ter perdido a “pole position” para Francesco Bagnaia.
Arrancou melhor que o italiano duas vezes campeão de MotoGP, e começou de imediato a procurar amealhar décimas de segundo e uma distância de segurança para Bagnaia, liderando a corrida Sprint desde o primeiro momento. Bagnaia também não sofreu grande pressão, pois Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory) estava entretido numa batalha com Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha), com o francês a perder o terceiro lugar para o espanhol.
Enquanto isso, Miguel Oliveira não perdeu tempo a saltar de 17º para 14º, posição em que se fixou durante várias voltas, rodando inicialmente atrás de Brad Binder (Red Bull KTM Factory), mas depois do sul-africano passar por Luca Marini (Honda HRC Castrol), o piloto da Prima Pramac Yamaha ficou atrás o italiano enquanto Marini se aguentou por ali. Viria, Marini, a descer na classificação. E com isso vimos Miguel Oliveira a subir a 13º, mas já atrasado em relação às posições que garantem pontos nas corridas Sprint de MotoGP.
De regresso à discussão pela vitória e posições de pódio, Marc Márquez, a meio da corrida, liderava confortavelmente com uma margem de mais de 2 segundos para Bagnaia. O italiano parecia estar também resignado a ser segundo classificado. Mas aqui entraram em ação as pressões dos pneus!

O primeiro a dar sinais de problemas foi Francesco Bagnaia. O italiano percebeu, pelo aviso na sua moto, que estava com pressão abaixo do limite mínimo e imediatamente abrandou de forma surpreendente, para procurar ficar atrás de outros pilotos, na tentativa de aumentar a temperatura e subir a pressão. Porém, exagerou, e acabaria a corrida Sprint apenas em 7º.
Isto lançou a confusão na cabeça da corrida, com Pedro Acosta a subir a segundo e logo seguido por Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3), que depois de falhar o GP da Alemanha devido a apendicite, regressou ao seu melhor nível aqui no GP da República Checa, e de 11º na grelha de partida estava então em 3º, tendo passado de forma brilhante por Fabio Quartararo, com o francês e a sua Yamaha YZR-M1, mais uma vez, a não conseguirem manter-se nos lugares de pódio pese embora a boa qualificação.
A confusão continuou pouco depois, quando Marc Márquez recebe o mesmo aviso de pressão de pneus na sua Ducati.
O oito vezes campeão mundial de imediato percebeu o que tinha a fazer. Abrando, levantou a cabeça e olhou para trás à procura do segundo classificado. Permitiu que Pedro Acosta assumisse a liderança da corrida quando faltavam então 5 voltas para a bandeira de xadrez na Sprint de MotoGP.
O espanhol da Ducati foi seguindo como uma sombra tudo o que o espanhol da KTM ia fazendo em Brno. O objetivo era óbvio: garantir o aumento da temperatura no pneu dianteiro da Ducati #93 e, com isso, subir novamente a pressão do pneu para evitar a penalização.

A estratégia de Marc Márquez correu na perfeição. Na penúltima volta, e assim que a pressão voltou a estar no ‘verde’, o líder do campeonato voltou ao ataque. Passou, com uma manobra muito bem calculada e ainda melhor executada, por Pedro Acosta, com o mais jovem dos espanhóis a não ter argumentos na sua KTM RC16 para responder ao ataque de Marc Márquez.
Desde o momento em que recuperou a liderança Márquez voltou a abrir margem para o seu perseguidor, venceu mais uma corrida Sprint nesta temporada de MotoGP, encaminhando ainda mais a luta pelo título a seu favor.
Pedro Acosta obtém em Brno o melhor resultado, o seu e o da KTM, com o 2º lugar, sendo o primeiro pódio de ‘El Tiburón’ em 2025. Foi, aliás, um excelente sábado para a marca austríaca, pois no pódio desta Sprint tivemos ainda Enea Bastianini com mais uma RC16, neste caso da equipa satélite Tech3.
O novo CEO da KTM AG, Gottfried Neumeister, que tomou conta da marca substituindo Stefan Pierer, e num momento em que a marca volta a operar normalmente depois do processo de insolvência estar ultrapassado, está presente na box da KTM em Brno, e logo brindado com um duplo pódio na corrida Sprint.
Quanto à corrida de Miguel Oliveira, tal como referimos, o #88 da Prima Pramac Yamaha fixou-se em 13º logo nas primeiras voltas, e por aí ficou, mesmo com vários pilotos à sua frente a trocarem de posição, o que poderia ter permitido ao português aproximar-se dos lugares dos pontos. Não o conseguiu fazer, pelo que o 13º lugar foi o melhor que Miguel Oliveira conseguiu obter nesta corrida Sprint do Grande Prémio da República Checa.
Uma última nota para o 11º lugar de Jorge Martín (Aprilia Racing), que perdeu uma posição para Brad Binder já nos momentos finais da corrida. Ainda assim, uma boa prestação do Campeão de MotoGP neste seu regresso à competição após uma longa ausência por lesão.

Resultados da Sprint de MotoGP do GP da República Checa
1 – Marc Márquez (Ducati Lenovo Team)
2 – Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory)
3 – Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3)
4 – Marco Bezzecchi (Aprilia Racing)
5 – Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha)
6 – Raul Fernandez (Trackhouse Racing)
7 – Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team)
8 – Johann Zarco (Castrol Honda LCR)
9 – Pol Espargaró (Red Bull KTM Tech3)
10 – Brad Binder (Red Bull KTM Factory)
13 – Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha)
Classificação de MotoGP
1 – Marc Márquez – 356 pontos
2 – Alex Márquez – 261 pontos
3 – Francesco Bagnaia – 200 pontos
4 – Fabio di Giannantonio – 142 pontos
5 – Franco Morbidelli – 139 pontos
6 – Marco Bezzecchi – 136 pontos
7 – Pedro Acosta – 108 pontos
8 – Johann Zarco – 106 pontos
9 – Fabio Quartararo – 92 pontos
10 – Fermín Aldeguer – 92 pontos
22 – Miguel Oliveira – 6 pontos
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