Novamente com excelentes condições para a ‘prática da modalidade’, tal como na Sprint, disputou-se este domingo o décimo segundo GP da temporada 2025 de MotoGP. Sob um sol bastante mais amigável do que a chuva de sexta-feira, o circuito de Brno foi então palco do Grande Prémio da República Checa, o regresso deste evento que se disputou pela última vez em 2020.
Com os pilotos e equipas a pensarem já na merecida pausa de verão que vai permitir recuperar alguma energia (curar lesões) e preparar a segunda metade do ano, uma pausa que vai durar um mês antes do regresso do MotoGP com o Grande Prémio da Áustria a meio de agosto, assistimos hoje a uma corrida sem grande história.
O plantel da categoria rainha apresentou-se na grelha de partida reduzido, com menos um piloto. Isto porque o japonês Takaaki Nakagami (Idemitsu Honda LCR) viu ser-lhe confirmada a lesão no joelho (rotura de ligamento) na sequência da queda em que se viu envolvido na Sprint, em que Augusto Fernandez (Monster Energy Yamaha) foi demasiado ambicioso e acabou por tocar em Nakagami que agora ficará de fora de ação em recuperação por um longo período.
A corrida principal do Grande Prémio da República Checa incluiu um total de 21 voltas ao circuito de Brno.

A história da corrida de MotoGP
Com um arranque perfeito a partir da “pole position”, Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team) conseguiu manter a liderança defendendo-se de Marc Márquez, com o espanhol na outra Ducati da equipa de fábrica a procurar não deixar ‘Pecco’ escapar na frente da corrida.
Mas acabou por ser Marco Bezzecchi (Aprilia Racing) o maior protagonista nas primeiras voltas.
O italiano conseguiu uma excelente primeira volta e passou mesmo por Márquez para subir a segundo antes de centrar a sua ‘mira’ no primeiro classificado, o seu amigo Francesco Bagnaia. Bezzecchi não precisou de muito tempo para concretizar a ultrapassagem, e saindo muito bem da última sequência de curvas do circuito de Brno, chegou à travagem da primeira curva na segunda volta com vantagem para Bagnaia.
A Aprilia RS-GP25 #72 estava então novamente na liderança de uma corrida de MotoGP, com Bezzecchi a realizar uma série de voltas consecutivas bastante rápidas, procurando rapidamente ganhar margem de segurança para os seus perseguidores, pois sabia que atrás de si vinham pilotos muito rápidos, como Francesco Bagnaia, Marc Márquez, mas também Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory).

No meio do pelotão, Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha) procurou encontrar os espaços para ascender na classificação.
Partindo de 17º na grelha de partida, o piloto português subiu a 15º ainda na primeira volta, sendo que na segunda volta subiu mais duas posições quando Alex Márquez (BK8 Gresini Racing) foi embater, depois da sua moto escorregar pelo asfalto, em Joan Mir (Honda HRC Castrol) e os dois acabaram a ‘conversar’ na gravilha, dando então a Miguel Oliveira a oportunidade de subir a 13º.
De regresso à liderança da corrida, Márquez passa por Bagnaia para assumir ele mesmo a perseguição a Bezzecchi, com Bagnaia depois a perder o pódio também para Pedro Acosta que tentava não perder muito tempo para os dois pilotos da frente na esperança de ainda poder discutir algo mais do que o 3º lugar.
Mas a verdade é que Marc Márquez está imparável!
O líder do campeonato e grande favorito à conquista do título de MotoGP em 2025, estudou a pilotagem de Bezzecchi, e já na 8ª volta do Grande Prémio da República Checa decidiu passar definitivamente ao ataque.
O #93, numa manobra calculada ao milímetro, colocou-se lado a lado na travagem com Marco Bezzecchi, com o italiano da Aprilia a tentar responder de imediato na curva seguinte, mas a ficar sem espaço e por isso a ter mesmo de ceder a liderança.

Uma manobra que aconteceu ainda cedo na corrida, e com Marc Márquez a encetar uma sequência de voltas rápidas foi conseguindo abrir vantagem para Marco Bezzecchi, que ficou então isolado na segunda posição.
Foi, mais uma vez, uma corrida sem grande história a partir do momento em que o mais velho dos irmãos Márquez subiu a primeiro. Venceu novamente, a 8ª vitória na temporada, a 70ª vitória da sua carreira na categoria rainha, e torna-se no primeiro piloto da Ducati a conseguir 5 vitórias consecutivas em corridas de MotoGP ao domingo!
A performance impressionante de Marc Márquez este ano está a deixar todos os outros pilotos a uma distância pontual inacreditável. Estamos agora a iniciar a segunda metade do calendário, e chegados à pausa de verão verificamos que o espanhol da Ducati Lenovo Team tem agora uma vantagem pontual de 120 pontos para o seu irmão Alex, que não pontuou.
Isto significa que o título de MotoGP em 2025 está praticamente nas mãos de Marc, que no final do Grande Prémio da República Checa, e no momento de celebrar mais uma vitória, fez questão de realçar que mesmo com tantos pontos de vantagem, vai regressar das férias com a mesma vontade e intensidade. O que não são boas notícias para os seus rivais, caso ainda pensassem em conseguir importunar o espanhol da Ducati.
Com a vitória decidida a favor de Marc Márquez e o segundo lugar a ficar na posse de Marco Bezzecchi, depois do italiano se ter defendido numa fase intermédia da prova da maior pressão que lhe foi colocada por Acosta, o maior motivo de interesse passou a ser a discussão pelo derradeiro lugar do pódio em Brno.

Isto porque Francesco Bagnaia, depois de um período de maior dificuldade em acompanhar o ritmo por volta dos três primeiros, viria a encontrar uma ‘segunda vida’, e nas voltas finais conseguiu aproximar-se o suficiente da KTM RC16 de Pedro Acosta, de tal forma que ficou a impressão que o pódio ainda não estava, afinal, totalmente definido.
Eventualmente, e mesmo com maior pressão na última volta, foi Pedro Acosta a conseguir garantir mais um excelente resultado (foi 2º na Sprint em Brno).
O 3º lugar no Grande Prémio da República Checa, o que é o primeiro pódio em 2025, logo num fim de semana em que Pit Beirer (diretor desportivo da KTM Factory Racing) garante publicamente que a marca austríaca estará em MotoGP em 2026 com quatro motos e os seus atuais pilotos, deixa antever que Pedro Acosta está de volta a um nível que lhe permite discutir pódios.
E a KTM RC16 deu também um passo em frente na sua competitividade, pois para além do espanhol, também vimos Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3) em grande plano, sendo que o italiano acabou a sua corrida de hoje mais cedo devido a queda quando estava a caminho de mais um bom resultado.

Mais atrás, Miguel Oliveira ficou ‘preso’ em 13º até sofrer uma tentativa de ultrapassagem por parte de Fermín Aldeguer (BK8 Gresini Racing).
À 6ª volta da corrida, na discussão por posição na curva 7, os dois ‘velhos conhecidos’ (recordamos a lesão do português na Argentina na sequência de um toque com Aldeguer) voltaram a ter um encontro mais imediato em pista.
Aldeguer procurou, nas suas palavras, uma trajetória interior para garantir a ultrapassagem a Miguel Oliveira. Depois terá alargado, sem se tocarem, diz Aldeguer, e nesse momento obrigou o português a sair da trajetória e a abrandar para evitar a saída de pista.
Nessa manobra, que foi penalizada pelos Comissários de MotoGP com 3 segundos acrescentados ao piloto da Gresini, vimos Miguel Oliveira descer de uma só vez da 13ª posição até à 17ª.
Ficando a rodar isolado dos pilotos à sua frente, e novamente a sofrer bastante com a performance da sua Yamaha YZR-M1 #88, o português acabou por apenas conseguir terminar a corrida em 17º, o que significa que, mais uma vez, não consegue pontuar nesta temporada 2025 de MotoGP.

Nota ainda para o Campeão de MotoGP.
Jorge Martín (Aprilia Racing) voltou à competição este fim de semana em Brno.
Somou os seus primeiros pontos com a Aprilia, 9 pontos correspondentes ao 7º lugar, e mesmo ficando a partir de agora matematicamente afastado do título (tem 372 pontos de atraso para Marc Márquez quando há um máximo de 370 pontos por conquistar até ao fim) a verdade é que vimos agora um sorridente ‘Martinator’ na box da equipa italiana.
Sabendo-se que o #1 ficará na próxima temporada na Aprilia Racing, e com este regresso promissor aos comandos da RS-GP25, provavelmente veremos Jorge Martín a trabalhar com a marca de Noale na segunda metade da temporada atual de forma a preparar a próxima, ganhando aqui tempo que perdeu este ano devido às muitas lesões e tempo de paragem prolongado.

Resultados do Grande Prémio da República Checa de MotoGP
1 – Marc Márquez (Ducati Lenovo Team)
2 – Marco Bezzecchi (Aprilia Racing)
3 – Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory)
4 – Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team)
5 – Raul Fernandez (Trackhouse Racing)
6 – Fabio Quartararo (Monster Energy Yamaha)
7 – Jorge Martín (Aprilia Racing)
8 – Brad Binder (Red Bull KTM Factory)
9 – Pol Espargaó (Red Bull KTM Tech3)
10 – Jack Miller (Prima Pramac Yamaha)
17 – Miguel Oliveira (Prima Pramac Yamaha)
Classificação de MotoGP
1 – Marc Márquez – 381 pontos
2 – Alex Márquez – 261 pontos
3 – Francesco Bagnaia – 213 pontos
4 – Marco Bezzecchi – 156 pontos
5 – Fabio di Giannantonio – 142 pontos
6 – Franco Morbidelli – 139 pontos
7 – Pedro Acosta – 124 pontos
8 – Johann Zarco – 109 pontos
9 – Fabio Quartararo – 102 pontos
10 – Fermín Aldeguer – 97 pontos
25 – Miguel Oliveira – 6 pontos
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