InícioDesportoMotoGP vs Superbike – Quais são as principais diferenças?

MotoGP vs Superbike – Quais são as principais diferenças?

A estreia de Miguel Oliveira no Mundial Superbike está a atrair muitos fãs para o campeonato. Mas sabe quais são as diferenças para o MotoGP?

-

Em 2026, os fãs portugueses do motociclismo de competição ao mais alto nível têm renovados motivos para estar atentos aos dois principais campeonatos mundiais: MotoGP e Mundial Superbike.

Não apenas porque temos a presença dos melhores pilotos nestes campeonatos, mas principalmente porque contamos com uma mudança radical: Miguel Oliveira!

O piloto português, depois de 14 anos a competir nas diversas categorias do MotoGP, mudou-se de ‘fato e capacete’ para o paddock do Mundial Superbike. Com 5 vitórias na categoria rainha no seu currículo, vice-campeonatos em Moto3 e Moto2, tendo uma vasta legião de fãs que veneram o #88 como um ídolo sem rival, principalmente os portugueses, naturalmente que cresce o interesse em Portugal por tudo o que envolve as Superbike onde agora encontramos Miguel Oliveira.

Nesse sentido, e porque existem fãs mais ‘casuais’ que poderão não estar por dentro do aspeto mais técnico e de formato de cada campeonato, decidimos publicar este artigo com as diferenças entre o MotoGP vs Superbike.

- PUBLICIDADE -

motogp

MotoGP vs Superbike – As diferenças

Motos – Protótipos vs Produção

Enquanto em MotoGP temos verdadeiros protótipos criados exclusivamente para competir na categoria rainha, com poucas semelhanças com motos que vemos na estrada, mesmo as mais recentes superdesportivas, no caso das motos de Superbike falamos de motos de competição que derivam de modelos de produção em série, motos que podemos comprar num concessionário.

Ainda que levadas ao extremo, com preparações que elevam a potência das motos de estrada para lá dos 230 cv, as Superbike têm de manter uma série de características das motos nas quais se baseiam. Mas podem ser bastante modificadas, como por exemplo ao nível do braço oscilante, suspensões, travões, etc. Quase podemos considerar estas motos como protótipos, mas na verdade são motos de estrada levadas ao extremo dentro de regulamentos técnicos.

Já os protótipos de MotoGP são peças únicas, tudo nestas motos é fabricado para ser especial, sendo que falamos de potências superiores. Os fabricantes que competem no MotoGP referem uma potência acima dos 280 cv para os atuais motores de 1000 cc. Potência essa que irá descer com a entrada em vigor dos regulamentos de 2027 e motores de 850 cc.

motogp

Motores – Cilindros, cilindradas e rotações

Em MotoGP o regulamento atual diz que o motor do protótipo tem de ter um máximo de 4 cilindros, ser de 1000 cc e o diâmetro máximo é de 81 mm. A rotação máxima ronda as 18.000 rpm.

- PUBLICIDADE -

Em Superbike os motores podem ser diferentes:
– 750 a 1000 cc, 3 ou 4 cilindros
– 850 a 1200 cc, 2 cilindros
– Rotação máxima entre as 15.000 e as 16.000 rpm

Pacote eletrónico

Nos protótipos de MotoGP existe uma centralina unificada fornecida pela Magneti Marelli.

Nas Superbike a eletrónica conta com uma centralina mais personalizável, mas ainda assim apresenta restrições claras.

Travões – Carbono vs Aço

Os travões de disco de MotoGP são fabricados em carbono, enquanto os travões de disco das Superbike são de aço.

Caixa de velocidades – Seamless vs Quickshift

Um protótipo de MotoGP utiliza um sistema especial denominado de ‘seamless’, mais rápido, mais preciso, mais suave na engrenagem de cada relação. Uma moto de Superbike não pode usar um sistema desse tipo. Recorre a um ‘normal’ sistema quickshift bidirecional como temos nas motos de estrada, ainda que seja uma variante especial de competição.

Peso

Uma MotoGP tem como peso mínimo 157 kg. Uma Superbike tem como peso mínimo 168 kg.

motogp

Aerodinâmica

As Superbike podem ter asas aerodinâmicas. Porém, por regulamento, só o podem fazer caso a moto de produção na qual se baseiam também as usem e têm de ser iguais. Por isso temos visto os fabricantes introduzirem nas suas motos de estrada as famosas asas aerodinâmicas.

No caso dos protótipos de MotoGP, o pacote aerodinâmico é significativamente mais agressivo, não tem nada a ver com as asas das motos de estrada, tendo de cumprir apenas com dimensões máximas definidas pelo regulamento técnico da categoria rainha. As MotoGP apresentam carenagens que são todas elas especiais, incluindo laterais com efeito solo, ‘colher’ aerodinâmica por debaixo do braço oscilante, asas atrás das pernas do piloto ou ainda asas posicionadas na traseira da moto.

Também a partir de 2027 veremos o pacote aerodinâmico das MotoGP ficar mais limitado devido à introdução de novas medidas máximas para as asas, que terão de ser mais pequenas.

- PUBLICIDADE -

Ajuste da altura das motos

Enquanto nos protótipos de MotoGP os fabricantes utilizam sistemas de ‘holeshot’ para reduzir a altura da frente da moto no arranque, ou o denominado ‘ride height device’, um mecanismo que ajusta a altura (sobe ou desce) da traseira da moto em andamento ao longo de uma volta, as motos de Superbike recorrem a suspensões convencionais, de competição, mas que não incluem mecanismos de ajuste de altura em andamento.

Pneus – Pirelli vs Michelin

Uma diferença muito relevante para o que acontece em pista são os pneus. Nas Superbike todas as motos estão ‘calçadas’ com pneus Pirelli Diablo Slick, enquanto os protótipos de MotoGP usam os pneus Michelin slick.

Os Pirelli são disponibilizados aos pilotos em diversos compostos definidos como SCX, SCQ, SC1, SC2 ou SC3, existindo ainda compostos de desenvolvimento que os pilotos vão poder utilizar ao longo do ano. Cada tipo de composto é identificado por cores nas paredes do pneu.

A boa notícia é que os Diablo Slick estão disponíveis ao público em geral e por isso podemos comprar estes pneus para usar num track day, por exemplo. E, por norma, os Pirelli funcionam muito bem, devido à sua construção, quando o asfalto está mais frio em comparação com as temperaturas mais elevadas para os pneus de MotoGP.

Cada piloto de Superbike recebe 10 pneus para a frente e 11 pneus para trás por fim de semana.

Os Michelin slick são pneus protótipo. Existem três compostos disponíveis: macio, médio e duro. Podem ser de construção assimétrica (compostos diferentes entre um lado e o outro do pneu). E podemos saber qual o composto através de cores nas paredes laterais: macio (risca branca), médio (sem risca) e duro (risca amarela). Pneus de chuva são identificados com risca azul (macio) ou branca (médio/duro). Os pneus Michelin de MotoGP não são vendidos ao público.

Cada piloto de MotoGP recebe 10 pneus slick para a frente e 12 pneus para trás. Caso o piloto participe nas duas sessões de qualificação, tem à disposição um pneu extra para a frente e outro para trás.

Como curiosidade, a partir de 2027 teremos uma troca: as Superbike passam a usar Michelin e as MotoGP passam a utilizar Pirelli.

Número de motos na box

Os fãs de MotoGP estão habituados a ver um piloto regressar rapidamente à box depois de uma queda e logo a seguir reentrar em pista numa segunda moto, idêntica à que caiu. Todos os pilotos de MotoGP têm, em condições normais, duas motos completas (totalmente montadas e prontas a usar) na box a todo o momento.

Isto não acontece atualmente nas Superbike. Numa tentativa de reduzir custos, os regulamentos foram alterados e passaram a impedir as equipas de terem duas motos completas (montadas) na box. O piloto apenas tem uma moto ‘inteira’ à sua espera na box. Isto não significa que a equipa não tenha peças suficientes para montar uma segunda moto. Porém, as peças estão guardadas na box ou no camião de apoio da equipa, sendo que em caso de necessidade os mecânicos montam uma segunda moto.

Isto significa que no Mundial Superbike cada queda que danifique em demasia a moto, será mais penalizadora para o piloto e equipa em comparação com uma queda no MotoGP.

Concessões de MotoGP vs Concessões e Super Concessões de Superbike

No MotoGP, foi criado um sistema de Concessões que nasceu com o objetivo de permitir que fabricantes com resultados piores pudessem aproximar-se da performance dos fabricantes mais fortes. Os fabricantes ficam divididos em quatro níveis de Concessões: A (os mais fortes) ao D (os mais fracos).

As Concessões de MotoGP não penalizam, no sentido mais literal da palavra, os fabricantes mais fortes. Limitam o que está à disposição dos fabricantes mais fortes e dão maior liberdade de desenvolvimento aos mais fracos, nomeadamente o número de motores disponíveis para cada piloto, motores poderem ou não ser alterados, número de dias de testes privados, circuitos onde podem testar, número de pneus para testar, etc.

No Mundial Superbike este conceito é diferente.

Temos Concessões e Super Concessões. Cada fabricante pode beneficiar das duas coisas, sendo que, de acordo com o nome, as Super Concessões são um benefício adicional que permite ao fabricante usar componentes especiais que não são permitidos normalmente por regulamento. Desde 2025, apenas o melhor piloto de cada fabricante conta para o cálculo das Concessões e Super Concessões.

A forma como um fabricante obtém Concessões depende dos resultados do seu melhor piloto em cada corrida (pontos) aos quais é aplicada uma fórmula de cálculo. Caso consiga os pontos para obter uma Concessão, um fabricante pode usar esses pontos para alterar, por exemplo, a cambota ou usar três braços oscilantes diferentes em vez de dois.

As Super Concessões de Superbike são um assunto ainda mais específico.

Para além de permitirem modificar partes do motor ou componentes de ciclística, as Super Concessões permitem ao fabricante modificar inclusivamente o quadro! Um bom exemplo disso foi a situação da BMW Motorrad em 2024, quando beneficiou das Super Concessões para criar um quadro especial que ajudou Toprak Razgatlioglu a sagrar-se campeão com a marca alemã. Um quadro que depois viria a não poder ser utilizado em 2025 pois a BMW Motorrad perdeu as Super Concessões e o quadro especial não foi homologado na moto de estrada.

Refira-se que o tipo de Super Concessões usadas por cada fabricante apenas são conhecidas pelo fabricante, claro, e pela FIM e a Dorna World SBK.

Nota: no Mundial Superbike desde 2025 que não se usam limitação de rotações e restrições na admissão como acontecia antigamente para equilibrar a performance. O regulamento foi alterado e introduziu-se um limite ao fluxo máximo de combustível – saiba mais aqui . O valor base para 2026 é de 46 kg/h. Dependendo dos resultados de cada fabricante, esse valor pode aumentar ou descer em 0,5 kg/h. Cada equipa pode definir as rotações máximas do motor conforme desejar, desde que cumpra o limite do fluxo de combustível.

Custos e orçamentos

Os custos entre MotoGP e o Mundial Superbike são consideravelmente diferentes, sendo o MotoGP um campeonato significativamente mais caro.

O custo médio de um protótipo de MotoGP por temporada pode variar entre 2 milhões e 3,5 milhões de euros, em comparação com 250.000 a 400.000 euros para uma moto de Superbike.

Outros custos consideráveis, como os salários dos pilotos, também são muito diferentes, com os pilotos mais bem pagos do MotoGP a receberem frequentemente entre 5 a 10 vezes mais do que os pilotos do Mundial Superbike.

Quando se trata dos orçamentos totais das equipas, que incluem tudo, desde pessoal até viagens e logística, testes, pesquisa e desenvolvimento e muito mais, os valores chegam a milhões de euros em ambos os campeonatos. No entanto, no MotoGP os custos costumam ser muitas vezes maiores do que no Mundial Superbike, principalmente devido ao desenvolvimento de componentes protótipo.

Outros fatores que influenciam significativamente os custos incluem a escala dos campeonatos. O Mundial Superbike tem 12 rondas e realiza apenas uma ronda fora da Europa (na Austrália) durante a temporada. O MotoGP tem 22 etapas espalhadas pelos ‘quatro cantos’ do Mundo.

Formato do fim de semana: treinos, qualificações e corridas

MotoGP

– Por ordem de sexta-feira a domingo: Treino Livre 1 – Treino – Treino Livre 2 – Q1 – Q2 – Sprint – Warm Up – Grande Prémio
– 2 corridas: Sprint ao sábado à tarde, corrida principal Grande Prémio ao domingo à tarde
– Corrida Sprint: sensivelmente 50% da distância total da corrida principal
– Qualificação: duas sessões denominadas Q1 e Q2. Os 10 pilotos mais rápidos do Treino de sexta-feira passam direto à Q2. Os restantes têm de competir na Q1 (define do 13º para trás as posições na grelha de partida) e os dois mais rápidos nessa qualificação passam à Q2 onde se definem os 12 primeiros lugares da grelha de partida

Mundial Superbike

– Por ordem de sexta-feira a domingo: Treino Livre 1 – Treino Livre 2 – Treino Livre 3 – Superpole – Corrida 1 – Warm Up – corrida Superpole – Corrida 2
– 3 corridas: Corrida 1 ao sábado à tarde, corrida Superpole ao domingo de manhã e Corrida 2 ao domingo à tarde
– Corrida Superpole: 10 voltas
– Qualificação: denominada de Superpole. É apenas uma única sessão de 15 minutos que define as posições para a grelha de partida na Corrida 1 e corrida Superpole
– Grelha de partida para a Corrida 2: os 9 primeiros classificados na corrida Superpole ocupam as 9 primeiras posições. As restantes posições respeitam os resultados da qualificação Superpole

Nota: as pontuações de MotoGP e Superbike são iguais. Pontos máximos (25 até 1) para os 15 primeiros classificados nas corridas principais, cerca de metade dos pontos (9 até 1) para as corridas Sprint e Superpole e apenas para os 9 primeiros classificados.

Fique atento a www.motojornal.pt para estar sempre a par de todas as novidades do mundo do desporto em duas rodas. E siga-nos no Canal Oficial da Revista Motojornal no WhatsApp para receber todas as notícias atualizadas diretamente no seu telemóvel de forma ainda mais prática!

- PUBLICIDADE -