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Portugal de Lés-a-Lés estreia passeio à Ilha da Culatra e surpreende os motociclistas participantes

O 28.º Portugal de Lés-a-Lés arrancou com uma novidade histórica: centenas de motociclistas trocaram as motos por um passeio de barco até à Ilha da Culatra, no coração da Ria Formosa.

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Ao longo de quase três décadas, o Portugal de Lés-a-Lés habituou os participantes a descobrir algumas das estradas mais bonitas, recantos mais escondidos e tradições mais genuínas do país. Mas, na sua 28.ª edição, o maior evento mototurístico da Europa conseguiu voltar a surpreender.

Pela primeira vez na história do Lés-a-Lés, centenas de motociclistas deixaram as motos em terra firme e embarcaram numa experiência inédita: uma viagem de barco através dos canais da Ria Formosa até à Ilha da Culatra, um dos mais autênticos tesouros naturais do Algarve.

A iniciativa, promovida pela Federação de Motociclismo de Portugal com o apoio da Antero Motorcycles, transformou o tradicional dia de verificações e receção aos participantes numa verdadeira experiência turística e cultural, mostrando que o espírito do Lés-a-Lés continua a evoluir sem perder a sua identidade.

Uma logística inédita para uma experiência única

A ideia parecia ambiciosa. Transportar centenas de motociclistas para uma pequena ilha-barreira com pouco mais de 800 habitantes permanentes exigiu uma operação logística de grande dimensão.

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Ao longo do dia, o barco Mira Sado realizou sucessivas travessias entre Faro e a Culatra, levando grupos de participantes para uma visita que acabou por marcar o arranque oficial do evento.

Para Geraldo Carmo, presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra (AMIC), a iniciativa teve um impacto muito positivo.

“Receber um grupo desta dimensão representa uma importante dinamização da economia local, sobretudo da restauração, mas também uma excelente oportunidade para dar a conhecer a nossa comunidade e a nossa cultura”, destacou.

Descobrir a verdadeira alma da Ria Formosa

Longe da imagem turística mais massificada do Algarve, a Ilha da Culatra continua a preservar a autenticidade de uma comunidade profundamente ligada ao mar.

Sem circulação automóvel, com ruas tranquilas e uma forte ligação à pesca e à produção de ostras e bivalves, a ilha proporcionou aos participantes uma experiência completamente diferente daquela que normalmente se associa aos grandes eventos mototurísticos.

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Entre passeios pelas ruas da aldeia, visitas ao porto de pesca, caminhadas até às praias e conversas com os habitantes locais, muitos aproveitaram para descobrir um Algarve mais genuíno e menos conhecido.

Outros aventuraram-se ainda até aos núcleos do Farol e dos Hangares, percorrendo vários quilómetros ao longo da ilha e visitando o Farol do Cabo de Santa Maria, o ponto mais meridional de Portugal Continental.

Muito mais do que andar de moto

A visita à Culatra confirmou uma das características que tornam o Portugal de Lés-a-Lés um evento único no panorama europeu.

Mais do que uma simples viagem de moto, o evento continua a afirmar-se como uma experiência de descoberta do território, das pessoas, da gastronomia e da cultura portuguesa.

Ao longo dos anos, milhares de motociclistas nacionais e estrangeiros encontraram no Lés-a-Lés uma forma diferente de conhecer Portugal, através de percursos cuidadosamente desenhados e experiências que vão muito além da condução.

A estreia da Culatra reforça precisamente essa filosofia.

Faro abriu também as portas da sua história

Enquanto a maioria dos participantes optou pela travessia para a ilha, outros aproveitaram o dia para descobrir alguns dos espaços culturais mais importantes da capital algarvia.

O Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão e o Museu Municipal de Faro receberam numerosos visitantes, permitindo uma viagem pela história marítima da região e pelo património cultural do Algarve.

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Uma oportunidade adicional proporcionada pela Câmara Municipal de Faro, que colaborou com a organização na receção aos participantes desta edição.

A aventura começa agora

Terminada a inédita experiência marítima, chegou finalmente o momento de regressar às motos.

Na manhã seguinte, os participantes arrancaram para a primeira etapa do 28.º Portugal de Lés-a-Lés, uma longa ligação entre Faro e Alcochete, atravessando a serra algarvia, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e algumas das mais belas paisagens do sul do país.

Mas para muitos, mesmo antes do primeiro quilómetro percorrido, já existia um forte candidato ao momento mais memorável desta edição: a inesperada descoberta da Ilha da Culatra, onde, por um dia, os motociclistas trocaram o capacete pelo espírito dos navegadores.

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