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Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026: 250 km de pedra, serras e aventura até Viseu

A primeira etapa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026 ligou Vila Verde a Viseu em mais de 250 km exigentes. Bianchi Prata testou ainda a elétrica STRIX para o Dakar.

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“Indo eu, indo eu a caminho de Viseu…” A conhecida cantiga popular portuguesa dificilmente poderia encontrar melhor banda sonora para o primeiro dia do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026.

A caravana organizada pela Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal saiu cedo de Vila Verde, aproveitando as temperaturas mais frescas da manhã para enfrentar uma etapa que prometia e acabou por cumprir, um elevado grau de exigência. O destino era Viseu. Mas entre a partida e a chegada havia muito mais do que simplesmente 250 quilómetros para cumprir.

Pedra, regos e um percurso que exigiu atenção constante

A primeira etapa apresentou várias secções tecnicamente exigentes, com pedra solta, regos profundos e pisos bastante degradados. Foi um daqueles dias em que o ritmo não é necessariamente ditado pela velocidade, mas pela capacidade para ler o terreno, gerir o esforço físico e manter concentração durante várias horas.

O percurso atravessou também extensas áreas de eucaliptal e diversas zonas recentemente afetadas por incêndios, reforçando uma das mensagens que a organização tem procurado transmitir através da iniciativa Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés.

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Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026

Precisamente antes da partida desta 11.ª edição, a organização tinha promovido em Ribeira de Neiva uma ação de sensibilização ambiental junto de 120 crianças, acompanhada pela plantação de espécies autóctones. Depois da teoria, o primeiro dia de viagem mostrou aos participantes uma parte da realidade que essa iniciativa procura ajudar a combater.

Em Alfena, o problema foi conseguir voltar à estrada

Depois da saída de Vila Verde, um dos pontos de passagem foi Alfena, onde o Moto Clube local preparou uma receção à caravana. E surgiu um dos “problemas” tradicionais do Lés-a-Lés: conseguir convencer os participantes a continuar viagem.

Entre o relvado, a tenda preparada para receber os motociclistas, o reforço do pequeno-almoço e a conversa, alguns começaram a gastar mais minutos do que provavelmente tinham previsto.

Porque o Lés-a-Lés Off-Road não é uma competição, mas isso não significa que o relógio deixe de existir. Há distâncias a percorrer, pontos de passagem e horários que obrigam a gerir cuidadosamente cada paragem.

Uma pequena poça de lama também pode acabar com uma aventura

Se a pedra e os troços técnicos exigiam atenção, foi algo aparentemente muito mais inofensivo que acabou por provocar uma das baixas do primeiro dia. Uma pequena poça de lama, uma roda dianteira que perdeu aderência e uma queda a baixa velocidade resultaram numa lesão num ombro e numa visita ao hospital.

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O acidente obrigou José Barros, presença habitual nos eventos da FMP tanto na organização como enquanto participante, a prosseguir sozinho. E a sua Yamaha XT600 de 1993 decidiu acrescentar um pouco mais de dificuldade ao desafio ao ficar sem travão traseiro.

Nada que, aparentemente, lhe retirasse o sentido de humor. José Barros reconhecia no Oásis montado na Senhora Mó que a ausência do travão tinha tornado a condução ainda mais “divertida”. São histórias como esta que ajudam a explicar por que razão o Lés-a-Lés Off-Road é bastante mais do que simplesmente seguir uma linha no GPS.

Bianchi Prata fez os 250 km numa elétrica que está a preparar para o Dakar

Entre as muitas motos de combustão presentes na caravana havia uma particularmente diferente. Pedro Bianchi Prata está a participar no Lés-a-Lés Off-Road aos comandos de uma STRIX elétrica, integrada num projeto que está a desenvolver tendo em vista uma participação no Dakar 2027.

E esta primeira etapa serviu como mais uma sessão de testes em condições reais. A moto utilizada atualmente pesa mais de 200 kg e utiliza baterias com 16,6 kW, segundo os dados divulgados pelo próprio piloto.

Para Bianchi Prata, o dia teve ainda uma componente emocional. Parte do percurso atravessou a serra de Valongo, onde há muitos anos começou a praticar todo-o-terreno e a treinar numa pequena Aprilia RX50.

Décadas depois, regressou aos mesmos caminhos numa moto que dificilmente poderia representar melhor a evolução tecnológica entretanto ocorrida.

Duas trocas de bateria e cerca de cinco euros de eletricidade

Ao longo da etapa, Bianchi Prata realizou duas paragens para trocar a bateria central, aproveitando simultaneamente os quilómetros para experimentar novas soluções eletrónicas no projeto desenvolvido a partir da STRIX, de origem eslovena.

No final do dia, o piloto indicou um consumo total de 33,3 kWh, que estima corresponder a cerca de cinco euros utilizando tarifas domésticas de eletricidade. Mais interessante do que o custo é, contudo, aquilo que Bianchi Prata revelou sobre a evolução prevista para a máquina.

Uma nova versão deverá reduzir o peso em aproximadamente 15 kg e aumentar a capacidade das baterias para 19 kW. O objetivo de desenvolvimento para o Dakar passa por chegar aos 180 kg e 21 kW de capacidade de bateria.

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O Lés-a-Lés transforma-se assim também num laboratório de vários dias para testar autonomia, eletrónica, resistência e logística num ambiente de verdadeiro todo-o-terreno.

Viseu alcançada. Agora vêm mais de 340 km até Almeirim

Depois da paragem para reposição de energias na Senhora Mó, a paisagem foi mudando e surgiram serras com vertentes mais acentuadas e menor vegetação. Os participantes foram finalmente recebidos em Viseu, com o pórtico de chegada instalado na Praça da República.

Mas não haverá muito tempo para descansar. A segunda etapa liga Viseu a Almeirim e ultrapassa os 340 quilómetros, aumentando significativamente a distância relativamente ao primeiro dia. O percurso deverá, contudo, ser mais rolante, sobretudo durante a segunda metade.

A fase inicial continuará a apresentar algumas secções tecnicamente mais exigentes, enquanto condicionantes impostas pelo ICNF na zona das serras de Aire e Candeeiros obrigam a uma ligação mais extensa por asfalto. A gestão dos tempos será novamente essencial para cumprir o percurso e chegar a Almeirim dentro do horário previsto.

Depois da pedra, dos regos, das serras, das zonas ardidas, de uma XT600 sem travão traseiro e de uma elétrica a preparar-se para o Dakar, o primeiro dia deixou uma certeza: o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road continua a demonstrar que, numa aventura destas, a distância conta apenas uma pequena parte da história.

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