Uma viagem de moto pode deixar marcas. Neste caso, a intenção é que algumas delas tenham raízes.
A Federação de Motociclismo de Portugal (FMP) volta a associar o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road à campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, iniciativa que pretende contribuir para a recuperação da floresta nacional através da plantação de espécies autóctones, complementada por ações de sensibilização ambiental dirigidas aos mais jovens.
A oitava edição da campanha acompanhará o 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, que em outubro atravessará Portugal Continental de norte a sul, partindo de Vila Verde, no Minho, e terminando em Portimão. E este ano há um percurso bastante diferente daquele que os participantes encontraram em anteriores edições.
A aventura começa nas escolas de Vila Verde
Antes de ligar os motores para a grande travessia, o Lés-a-Lés vai passar pela sala de aula. A campanha ambiental arranca a 1 de outubro, em Vila Verde, com uma ação educativa nas escolas do concelho e a plantação de árvores de espécies autóctones e adequadas às características naturais da região.
Nesse mesmo dia, os participantes estarão ocupados com as habituais Verificações Técnicas e Documentais, antes da partida para sul. A iniciativa pretende explicar aos alunos a importância da composição da floresta, da utilização de espécies adaptadas aos solos e clima portugueses e da prevenção de problemas associados aos incêndios e à erosão.
Para tornar a mensagem mais acessível aos alunos do ensino básico, a FMP criou ainda uma banda desenhada específica sobre o tema, que será distribuída durante as ações nas escolas. É uma componente que dá ao Lés-a-Lés uma dimensão diferente daquela que normalmente associamos a um grande evento mototurístico.
Os motociclistas chegam, plantam árvores, ajudam a levar a mensagem às gerações mais novas e depois seguem viagem.
De Vila Verde a Portimão quase sempre fora do asfalto
Terminadas as formalidades, começa a aventura propriamente dita. O Portugal de Lés-a-Lés Off-Road 2026 vai atravessar o território continental entre Vila Verde e Portimão, tendo Viseu e Almeirim como cidades de final das etapas intermédias.
Tal como é tradição nesta variante do Lés-a-Lés, estamos perante um evento turístico e não competitivo. Não há um cronómetro para derrotar nem classificações para conquistar. O desafio está em completar o percurso, descobrir lugares normalmente afastados das grandes rotas e enfrentar aquilo que o terreno colocar pela frente.
E serão cerca de 300 km por dia, percorridos sobretudo através de estradões de terra batida, ligações rurais e alguns caminhos consideravelmente mais estreitos. Não será propriamente um passeio até à esplanada.

Menos duro, mas não necessariamente fácil
A edição deste ano terá uma característica importante para quem está a ponderar participar. O percurso deverá ser menos exigente para motos e motociclistas do que algumas das edições que atravessaram zonas particularmente duras do Nordeste Transmontano e do Douro Internacional.
Isso não significa, porém, que o desafio tenha desaparecido. Logo na primeira etapa, entre Vila Verde e Viseu, os participantes terão pela frente as serras de Valongo, Freita e Arada, suficientes para lembrar que estamos efetivamente num Lés-a-Lés Off-Road.
A organização recomenda, por isso, que os participantes tenham alguma experiência de condução fora de estrada. Não é necessário transformar cada ligação numa especial de Enduro, mas saber controlar uma moto em terra, pedras, regos e pisos com pouca aderência será certamente uma vantagem.
De Viseu aos eucaliptais e depois ao Ribatejo
A segunda etapa muda progressivamente o cenário. Na saída de Viseu surgem terrenos mais secos e zonas onde predominam os eucaliptais, uma paisagem que acaba também por enquadrar a mensagem ambiental associada à viagem.
À medida que o percurso se aproxima de Almeirim, o cenário transforma-se novamente, entrando num Ribatejo mais agrícola e fresco. É precisamente esta sucessão de paisagens que constitui um dos grandes atrativos do Lés-a-Lés.
Viajar de norte a sul pelas estradas principais permite perceber as diferenças do território português. Fazê-lo por caminhos rurais e pistas de terra oferece uma perspetiva bastante diferente.
Última etapa leva as motos até ao Algarve
Depois de Almeirim, o destino final será Portimão. Mas ainda haverá muito terreno para percorrer. A descida para sul levará os participantes junto ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, antes de surgirem inclusivamente alguns pequenos setores de areia.
Segue-se a passagem pela serra algarvia e, finalmente, a chegada a Portimão. Do verde minhoto ao Algarve, o percurso procura mostrar diferentes faces de Portugal e, sobretudo, fazê-lo longe das rotas habitualmente utilizadas por quem atravessa o País.
Motociclistas como observadores privilegiados da floresta portuguesa
Há também uma ligação particularmente interessante entre o formato da prova e a campanha ambiental. Poucos utilizadores do território têm oportunidade de atravessar tantas zonas florestais e rurais num espaço de apenas alguns dias como os participantes num evento deste género.

Ao circular por serras, caminhos florestais e zonas agrícolas, os motociclistas têm contacto direto com a transformação da paisagem e com as consequências de incêndios, erosão ou alterações na composição da floresta.
É neste contexto que a 8.ª Campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés procura juntar a plantação de árvores à sensibilização para a importância de uma floresta mais resiliente e adaptada às condições naturais de cada região. Uma pequena árvore plantada durante a passagem de centenas de motos pode parecer um gesto simbólico. Repetido ao longo dos anos e acompanhado de educação ambiental, ganha outra dimensão.
Inscrições fecham a 14 de setembro
Quem quiser participar terá de decidir rapidamente. As inscrições para o 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road encerram a 14 de setembro, estando a organização a registar um bom ritmo de adesões. A participação pode ser formalizada através do site oficial de inscrições do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road.
A proposta continua a ser difícil de replicar: atravessar Portugal de moto maioritariamente por caminhos de terra, descobrir zonas que raramente aparecem num roteiro convencional e contribuir simultaneamente para a recuperação da floresta autóctone.
No final, haverá milhares de quilómetros acumulados, pó nas motos e histórias para contar. Mas, desta vez, o melhor legado da viagem poderá ser aquilo que ficar plantado depois de os motores se afastarem.

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