A 99ª edição dos famosos International Six Days Enduro (ISDE) terminou em Bérgamo com um resultado para Portugal que, fruto das contingências da prova, mas também da necessidade de os pilotos evoluírem para tentarem melhores resultados no futuro, ficou abaixo das expectativas no que a resultados finais diz respeito.
Com o abandono de Frederico Rocha logo nos primeiros dias da prova disputada em solo italiano, o que levou a uma penalização diária de 2H ao tempo dos pilotos da seleção sénior que disputou o Troféu Mundial, sabíamos que à partida o resultado de Portugal ficou de imediato comprometido no que à principal competição diz respeito.
Porém, os pilotos lusos não baixaram os braços e mesmo até ao fim mostraram o seu valor, procurando aprender para que no futuro possam estar nos International Six Days Enduro com outro tipo de argumentos.
E essa vontade de mostrar do que são capazes ficou bem patente no derradeiro dia de prova, a especial de motocross, a tradicional prova de encerramento da competição, e onde Portugal brilhou ao mais alto nível.

Na pista de Covo MX, utilizada no regional de Motocross italiano e muito bem preparada, com uma enchente de aficionados – tal como, de resto, se verificou ao longo de toda a semana, numa região, os Valli Bergamasche, que é o coração do Enduro transalpino – viveu-se mais um dia de festa, com várias mangas de motocross na ementa, começando-se pelos clubes e culminando nas seleções nacionais.
Entre as equipas concorrentes ao Troféu Júnior, ganho pela formação ‘da casa’ à frente da França e da Austrália, Portugal manteve o 15º posto final. Gonçalo Jesus cumpriu a missão de chegar ao fim, numa manga em que era o único representante luso. Os seus companheiros de equipa, Luís Pinto e Francisco Leite, caíram ambos na primeira curva da manga em que corriam juntos, encetando depois a sua recuperação.
Já na formação Sénior, os nossos pilotos, impossibilitados de sair do 20º posto devido a contarem com um piloto a menos (Frederico Rocha foi mesmo o único a registar um abandono entre as seleções do Troféu Mundial), brilharam nas suas mangas de Motocross.
Rúben Ferreira e Bruno Charrua, a correrem na mesma manga, protagonizaram grandes arranques. Com mangas em que alinham 40 pilotos, ‘Rubito’ saltou para o 2º posto e, no final da volta inaugural, já era líder, posição que manteve até ao fim. Um triunfo simbólico, que serviu de consolação para as cores lusas e foi abrilhantado pelo 2º lugar de Bruno Charrua.
Na derradeira manga, onde se encontram os melhores colocados da prova, alinhou Luís Oliveira, que também fez um grande arranque no grupo da frente, passando depois a rodar em 2º lugar até que uma queda o fez baixar posições, terminando mesmo assim no top 10.

No Troféu Mundial, a vitória também sorriu à Itália, que liderou desde o segundo dia, com a Suécia e a França a completarem o pódio. Estados Unidos, Austrália e França foram, por esta ordem, os três primeiros no Troféu de Senhoras, enquanto, a nível individual, o espanhol Josep Garcia fez história ao vencer pela quinta vez consecutiva os Seis Dias.
Fechou desta forma uma edição dos International Six Days Enduro com muito poucos abandonos, resultado de um percurso que contou com muito asfalto no acesso às especiais – por um lado, porque o Paddock estava no meio da cidade de Bergamo, mas também porque se trata de uma região com várias limitações de circulação off-road.
Para os pilotos portugueses que participaram nesta edição, foi uma prova para aprender e evoluir, e existe material humano para que isso aconteça.
Por outro lado, convém realçar que, tal como a Revista Motojornal já tinha referido noutras notícias dos ISDE, o final desta edição significa que foi agora colocado um maior ‘peso’ em cima dos ombros da organização, uma vez que, para o ano, a histórica 100ª edição dos International Six Days Enduro vai disputar-se em Portugal e há que fazer dos ISDE 2026 uma prova especialmente marcante, senão mesmo a melhor de sempre, desta que é a mais antiga competição do calendário desportivo da Federação Internacional de Motociclismo.
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